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Industrialização do abacate, o complemento para obter melhores retornos no setor.

Como todos no setor de abacate sabem, o México é de longe o maior produtor mundial, com colheitas que atingem uma média de 2,5 milhões de toneladas por ano. Diante desses enormes volumes anuais de colheita e da consequente grande quantidade de abacates de segunda e terceira qualidade, poderíamos concluir que os preços do abacate no México são muito baixos. No entanto, esse não é o caso. Os preços desse tipo de fruta no México giram em torno de um dólar por quilo (entregue às fábricas de processamento), chegando a picos de até US$ 2,00 a US$ 2,25 por quilo em alguns meses. Esses preços e a rentabilidade para os agricultores não seriam possíveis sem o forte consumo interno e a alta demanda pela fruta por parte de uma indústria de processamento consolidada, que exporta seus produtos para diversos destinos na América do Norte, Ásia e Europa há mais de três décadas.

A indústria de processamento de abacate no México surgiu no final da década de 1980 e início da década de 1990 como uma forma de exportar abacates mexicanos para o mercado dos Estados Unidos, que na época impunha uma barreira não tarifária à fruta. Embora o México tivesse um mercado interno muito forte e algumas exportações para a Europa e a Ásia, os preços que os produtores mexicanos de abacate recebiam por sua fruta, que não era destinada à exportação, eram muito baixos, geralmente entre US$ 0,20 e US$ 0,25 por quilo. Foi a abertura das exportações de abacate mexicano para os Estados Unidos, combinada com o consumo interno e uma grande indústria de processamento, que permitiu que os abacates de segunda e terceira qualidade atingissem os preços e retornos que os produtores mexicanos desfrutam atualmente.

Para que qualquer tipo de cultivo seja lucrativo para o produtor, é crucial que haja uma forte demanda por seu produto, tanto para as frutas de alta qualidade quanto para todas as outras frutas que não são adequadas para exportação. E é exatamente isso que a industrialização do abacate proporciona: ela garante melhores preços e retornos para os agricultores por frutas que, de outra forma, seriam inadequadas para exportação e, em muitos casos, nem mesmo para o consumo interno; seja pela falta de mercado local ou porque a fruta processada costuma ser de qualidade inferior à exigida pelo consumidor local.

A industrialização do abacate complementa de forma significativa a comercialização e a promoção do abacate fresco, uma vez que os produtos processados, longe de competirem com o abacate fresco, alcançam mercados que, de outra forma, não poderiam ser abastecidos devido a problemas logísticos, atingindo assim mais consumidores que, sem essa indústria, não poderiam desfrutar do sabor e do valor nutricional que essa fruta oferece. Portanto, para que o setor agrícola tenha uma indústria de abacate completa e rentável, uma indústria de processamento da fruta é essencial.

Eduardo González Rios, CEO da Avocomex, eduardo.gonzalez@avocomex.com

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