O mercado de abacate na Europa: um futuro incerto
A situação do mercado de abacates na Europa na semana 24 é incerta. Após um mês de maio com mais de 1.000 contêineres chegando à Europa por semana, o mercado enfrenta uma potencial superoferta de abacates peruanos nos próximos meses. A questão é: quanto abacate peruano chegará à Europa e por quanto tempo o mercado conseguirá sustentar esse nível de oferta sem entrar em colapso e atingir mínimas históricas?
A queda de preço tem sido mais gradual do que o esperado. Na minha humilde opinião, isso possivelmente se deve à distribuição dos tamanhos que chegaram até agora, uma divisão muito mais equilibrada do que o habitual, o que impede que o mercado fique saturado tão rapidamente, ao contrário da distribuição de tamanhos que estamos vendo agora, que está muito concentrada nos tamanhos 10, 12 e 14. No entanto, com as informações vindas do Peru e os cálculos do que ainda precisa ser enviado e das semanas restantes, a perspectiva não é animadora.
Do ponto de vista comercial, ano após ano nos deparamos com um problema fundamental no mercado de abacates: a falta de profissionalismo de alguns operadores que retêm a fruta sem um destino definido, na esperança de condições de mercado favoráveis e do surgimento de oportunidades de venda adequadas. A questão complexa é que, quando o mercado está difícil, essa fruta é vendida a preços muito baixos, distorcendo o mercado. Mesmo quando a fruta é vendida, os preços especulados voltam a subir, e muitos compradores se apegam a esse preço final, presumindo que o mercado permanecerá nesses patamares indefinidamente.
O ponto positivo é que a qualidade dos abacates deste ano está excelente. O amadurecimento está ocorrendo sem problemas, com perdas mínimas e ótimo sabor. Isso representa uma vantagem significativa para os produtores e distribuidores de abacate.
Carlos Ocaña Espanha