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Brasil, o novo horizonte para o abacate

Há alguns anos, graças ao convite de um amigo, tive a oportunidade de visitar o sudeste do Brasil e conhecer um proprietário de fazenda de gado com quase 6.000 hectares. Visitamos a propriedade e avaliamos o solo, o clima, as fontes de água e outros parâmetros para determinar a viabilidade de estabelecer um pomar experimental de abacate.

Encontramos variedades locais de abacate, chamadas "criollas", que são consumidas em grandes quantidades na região. Também localizamos viveiros que poderiam nos fornecer material genético. Por fim, e muito importante, avaliamos a logística: centros de embalagem, embalagens e disponibilidade, distâncias entre os campos e os centros de embalagem, e dos centros de embalagem aos portos, e, claro, o mercado consumidor local. São mais de 200 milhões de consumidores!

Após uma avaliação minuciosa, decidimos realizar um ensaio em aproximadamente 20 hectares e implementamos um sistema de avaliação de resultados baseado em três métodos de manejo da cultura: o método convencional utilizado no Brasil, o método mais técnico também utilizado no Brasil e o método peruano. Por método, entendemos aspectos como espaçamento (densidade de plantas), tamanho dos canteiros, poda de formação, irrigação, fertilização, uso de hormônios, poda de produção, entre outros. Em última análise, tudo isso se resume nos custos por hectare para cada método.

Desde o início, tive algumas dúvidas em relação aos solos; eles são vermelhos e, para quem tem alguma experiência, argilosos. Mas com um alto teor de partículas grossas, o que é incomum, permitindo uma ótima percolação do excesso de irrigação e da água da chuva durante a curta estação chuvosa.

Os resultados, agora em seu quarto ano, têm sido extraordinários em todos os três métodos, e aprendemos muito ao longo do caminho. No entanto, como aconteceu na Colômbia e acontecerá no Equador e agora no Brasil, ainda há desafios a serem superados, como o aprimoramento do material genético e a preparação de profissionais para enfrentar o desafio de expandir o projeto para muitos mais hectares, bem como a análise minuciosa de questões tributárias e trabalhistas.

Já existem grandes lotes que estão abrindo caminho, mas, sendo um país tão grande, há muito espaço para desenvolvimento.

Acreditamos que o Brasil é o local ideal para expandir nossas janelas de produção e, assim, atender aos mercados globais a partir de uma fonte diferente, bem como ao nosso próprio mercado, promovendo o aumento do consumo em suas diversas formas, por exemplo, associando o consumo de abacate aos carnavais!

O abacate brasileiro é um desafio e uma oportunidade que não podemos perder.

Alfredo Lira Chirif, Peru alfredo@agroleal.pro

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