Equador lança campanha focada na qualidade e no mercado.
Um arranque mais lento do que o esperado redefine o pontapé de saída da campanha.
Atrasos na produção, melhoria da qualidade da fruta e preços firmes na Europa marcam o início da época do abacate no Equador, com fevereiro e março como meses-chave.
O início da época de exportação de abacate do Equador ocorre num contexto de ajustes na produção, sinais positivos do mercado internacional e crescente pressão logística. É desta forma que Santiago Pinto, diretor da Interanza , descreve o início da temporada e as variáveis que vão definir o seu desenvolvimento durante o primeiro trimestre.
Segundo dados do Sistema Público de Informação Agrícola (SIPA), a cultura do abacate tornou-se um setor em expansão no Equador, com uma produção superior a 34 mil toneladas e uma área plantada de quase 9 mil hectares, dos quais aproximadamente 35% são dedicados à variedade Hass. Embora uma parcela significativa desta produção se destine ao mercado interno, o segmento de exportação tem vindo a ganhar terreno, principalmente para a variedade Hass.
Um arranque mais lento do que o esperado.
Esta temporada, o arranque foi mais tardio do que o habitual. "Começámos tarde em dezembro, fruto de um período de trabalho intenso de cerca de oito a dez semanas, que concentrou a nossa produção no primeiro trimestre", explica Pinto. Este atraso foi agravado por uma pequena seca em Dezembro, um fenómeno invulgar em comparação com as épocas anteriores, que abrandou ainda mais o ritmo inicial.
Como resultado, janeiro começou com volumes ainda baixos, embora a previsão seja de uma mudança significativa nas próximas semanas. "Prevemos um aumento do volume, sobretudo a partir da quinta e sexta semanas, o que nos leva a um fevereiro e março bastante movimentados, com um volume significativo esperado", observa o executivo.
Este contexto produtivo coincidiu com um cenário internacional favorável. Embora a Colômbia tenha mantido exportações significativas, os volumes não foram suficientes para satisfazer a procura semanal do mercado europeu, o que manteve os preços elevados para esta época do ano. "Isto ajudou a manter os preços bastante elevados. Não sabemos por quanto tempo isto vai durar, mas, se durar, será uma época muito interessante para fevereiro e março", acrescenta Pinto.
Qualidade da fruta, mercado local e pressão logística
Para além do volume, um dos principais aspetos que marcou o início desta temporada foi a qualidade. Os primeiros carregamentos confirmaram o que já se previa para o segundo semestre do ano passado. “Estamos a ver fruta em melhores condições, com uma menor percentagem de descartes, ao contrário do ano passado, em que o índice foi bastante elevado devido a problemas climáticos”, explica Pinto. Além disso, a distribuição por tamanho mostra uma maior presença de frutos grandes e médios, em contraste com a época anterior, que foi dominada por frutos pequenos.
Este maior volume de exportação e a qualidade superior tiveram um impacto direto no mercado local. A disponibilidade interna foi ajustada à época, com os preços a manterem-se mais elevados do que o habitual. "Normalmente, os preços deveriam ter descido desde dezembro ou janeiro, mas isso não aconteceu, e tivemos semanas de relativa escassez", reconhece o administrador da Interanza. O desafio, acrescenta, é servir os dois mercados de forma equilibrada, considerando que nem todas as explorações exportadoras têm volume suficiente para suprir o consumo interno.
A este cenário junta-se uma transformação gradual do mercado local, historicamente dominado pela variedade Fuerte (de casca verde). A Hass tem vindo a ganhar terreno e aceitação, gerando uma concorrência crescente entre as duas variedades.
Por fim, a logística surge como um dos principais desafios da temporada. Fevereiro e Março coincidem com as semanas de pico para os contentores frigoríficos do Equador, impulsionadas pelas exportações de banana, camarão e outros produtos. “Estas são as semanas mais desafiantes em termos de disponibilidade de contentores refrigerados, e também precisamos de monitorizar a situação global com contentores refrigerados, tanto na Europa como nas Caraíbas, para antecipar possíveis atrasos imprevistos”, alerta Pinto.
Assim, o início da cultura do abacate equatoriano combina sinais positivos em termos de qualidade e preços com desafios operacionais e logísticos que exigirão uma gestão precisa durante os meses-chave do trimestre.