Clique aqui para ir diretamente ao conteúdo

Tiago Falanghe Carvalho: “O potencial de crescimento do abacate Hass brasileiro é muito grande”

O diretor comercial da Avocado Jaguacy Agroindustria Ltda. aborda os principais desafios enfrentados pela indústria do abacate Hass no Brasil, desde a melhoria dos padrões de qualidade e a abertura de novos mercados internacionais até o desenvolvimento do consumo local.

O cultivo de abacate Hass no Brasil está em expansão e não mostra sinais de desaceleração no curto prazo. A Jaguacy possui hectares em três regiões do país.

O cultivo de abacate Hass no Brasil está em expansão e não mostra sinais de desaceleração no curto prazo. A Jaguacy possui hectares em três regiões do país.

No cenário agrícola brasileiro, a produção de abacate emergiu como uma indústria em crescimento, impulsionada por empresas pioneiras como a Avocado Jaguacy Agroindustria. Fundada há 54 anos por Paulo Roberto Leite de Carvalho, a empresa evoluiu de suas origens focadas em abacates tropicais para se tornar um ator crucial no mercado global de abacate Hass. Hoje, sob a liderança comercial de Tiago Falanghe Carvalho, filho do fundador, a Avocado Jaguacy se destaca por sua capacidade de inovação e expansão.

Tiago comenta que “o crescimento da produção de abacate no Brasil terá um impacto muito grande no setor”. Essa previsão é corroborada por dados que ainda não são facilmente perceptíveis nas estatísticas oficiais, com muitas propriedades rurais entre 20 e 50 hectares contribuindo gradualmente para a indústria brasileira.

Quando a Avocado Jaguacy iniciou suas operações internacionais, possuía 120 hectares. Hoje, detém 1.200 hectares, distribuídos por três diferentes regiões do Brasil.

A estrutura da empresa centra-se não só na produção, mas também na inovação tecnológica.

“Durante esse processo, adicionamos outros produtores e agora temos uma fábrica de polpa de abacate, óleo de abacate e uma moderna unidade de embalagem, com capacidade para enviar 30 contêineres por semana”, explica Tiago.

As áreas de cultivo da empresa estão estrategicamente localizadas para manter a produção contínua. Na zona oeste de São Paulo, a colheita precoce do abacate Hass ocorre entre fevereiro e maio. Nas regiões de Minas Gerais, Paraná e sul de São Paulo, a safra vai de abril a outubro. "É nessas regiões que se observa o maior crescimento do cultivo de abacate no Brasil", explica Tiago.

Por fim, no Rio Grande do Sul, a colheita tardia se estende de julho, com o objetivo de cobrir a área até setembro.

Apesar do aumento da produção, o mercado interno para o abacate Hass no Brasil é praticamente inexistente. Das 30 mil toneladas produzidas, 25 mil são exportadas, enquanto o consumo interno se concentra em abacates tropicais, com uma produção anual de 200 mil toneladas, a maior parte das quais permanece no país.

Os principais mercados para o abacate Hass brasileiro incluem a Europa, a Argentina e o Uruguai, com uma notável preferência pelo mercado argentino devido aos requisitos de certificação menos rigorosos em comparação com a Europa. Mas, no caso da Jaguacy, o foco é a Europa.

“Exportamos principalmente para a Europa, além de enviarmos alguns volumes para o Canadá e Marrocos. Também já exportamos para os Emirados Árabes Unidos, mas é um mercado muito distante”, explica Tiago. A maior parte da fruta sai do Porto de Santos, com um tempo médio de trânsito de 20 dias para Rotterdam e 18 dias para Algeciras, na Espanha.

Os abacates brasileiros estão ganhando terreno na Europa, posicionando-se pelo seu sabor, mas enfrentando desafios em suas características físicas.

Os abacates brasileiros estão ganhando terreno na Europa, posicionando-se pelo seu sabor, mas enfrentando desafios em suas características físicas.

Nesta entrevista à Avobook, Tiago Falanghe Carvalho nos oferece um perfil da indústria brasileira e seu enorme potencial de crescimento.

- Quais são as principais características do abacate Hass, originário do Brasil?

“O que estamos vendo é o que os importadores nos dizem: o clima tropical do Brasil traz vantagens e desvantagens em comparação com outras origens. Uma vantagem é o sabor, e a desvantagem é o potencial de danos estéticos. Há pragas e ventos, o que significa que a fruta não é tão visualmente atraente quanto a do Peru ou do Chile. É por isso que, quando se trata de frutas de safra inicial, os importadores preferem as frutas brasileiras pelo seu sabor em comparação com as frutas de safra inicial de outras origens. Já as frutas de safra tardia da nossa região de Minas Gerais, por exemplo, ficam pretas, muito parecidas com as frutas sul-africanas e um pouco com as frutas peruanas.”

- Quando começaram as exportações no Brasil e como tem sido o crescimento?

“As exportações para a Europa começaram em 1981, quando meu pai administrava a empresa sozinho. O crescimento foi orgânico, porque durante muito tempo éramos apenas nós dois. Mas hoje o Brasil tem entre 7.000 e 9.000 hectares plantados com abacate Hass. Em outras palavras, haverá um crescimento explosivo nas exportações para a Europa, porque, sem um mercado interno, a única opção atual para exportar esse abacate é expandir para a Europa.”

- E quanto aos mercados da América Latina?

“A Argentina está perto, mas há um limite de 20 a 25 caminhões que podem ser recebidos naquele país devido à presença de outras origens. Mas o Brasil tem capacidade para processar 130 contêineres por semana, e esses 100 terão que ir para a Europa durante março, abril, maio e agora, junho, julho e agosto também foram adicionados. Em breve, novas instalações de embalagem serão adicionadas, porque, à medida que mais frutas são solicitadas, as empresas fazem os investimentos.”

Para projetar esse potencial de crescimento, quantas dessas safras são recentes e quantas são mais antigas?

“São todas culturas novas. Esperamos cerca de 15 mil toneladas nas próximas safras, com um crescimento de 50% ao ano. O plantio não parece estar diminuindo o ritmo. Por exemplo, temos um viveiro de 40 hectares com novas mudas em desenvolvimento. Temos, porém, uma limitação: grandes mercados como o Chile e os Estados Unidos ainda não estão abertos ao Brasil. Por isso, acredito que, nos próximos quatro ou cinco anos, a Europa continuará sendo o principal destino.”

Viveiros de mudas de abacate Jaguacy Hass.

Viveiros de mudas de abacate Jaguacy Hass.

- O que o Brasil está fazendo para resolver essas limitações sanitárias e abrir novos mercados?

“Há dois mercados que estamos lutando para abrir. Um deles é o Chile. As negociações entre o Ministério da Agricultura do Brasil (MAPA) e o Serviço Agropecuário e Pecuário do Chile (SAG) estão bem avançadas. Acredito que as exigências de ambos os lados já foram atendidas. O que sabemos é que a abertura do mercado poderá ocorrer durante a visita do presidente Lula da Silva em agosto. Estamos perto disso. Mas abrir o mercado não basta para que todo o volume seja destinado ao Chile. Há protocolos e monitoramento das safras que precisam ser concluídos antes do embarque.”

Se esse mercado abrir em agosto, quanto tempo levaria para que os primeiros carregamentos de abacates do Brasil para o Chile fossem feitos?

“Se abrir em agosto, estaremos prontos para enviar na próxima campanha, em fevereiro ou março. Muitas empresas já têm a minuta do protocolo, sabemos o que temos que fazer e estamos preparados. Somos cerca de 4 ou 5. Mas esses primeiros envios serão poucos, um ou dois caminhões, porque há muito o que aprender para crescer aos poucos.”

- E quanto aos mercados norte-americano e asiático?

“O mercado americano estava prestes a se abrir, mas algumas mudanças nas negociações comerciais paralisaram o processo. O Japão poderia se abrir, mas ainda não em termos de volume. A Índia se abriu, mas há uma sobretaxa de 30% sobre frutas estrangeiras. A Tanzânia também poderia entrar, já que não tem essa desvantagem. Mas esses são mercados distantes. É por isso que seria interessante investir no crescimento do mercado brasileiro, o que nos daria estabilidade para o crescimento da produção. Por exemplo, o Chile desenvolveu seu mercado interno muito fortemente. Hoje, isso não está acontecendo no Brasil. Se um contêiner tiver um problema, não temos demanda local. Idealmente, deveríamos desenvolver o mercado interno e ter outros mercados fortes, como Chile, Argentina e Estados Unidos. China, Japão e Índia são mais complexos.”

A Jaguacy está entre as principais exportadoras de abacate. Quais outras empresas compartilham essa posição no Brasil?

“No ano passado, produzimos 12.000 toneladas, de um total de 25.000. Este ano, a produção foi menor devido às condições climáticas. As principais empresas exportadoras são Jaguacy, Carlini, Bonella, Tsuge, Brasfruit, Norman, Andrade Sun Farms e Frutas Wolf.”

Paching de Jaguacy, que tem uma capacidade de produção de 30 contêineres por semana.

Paching de Jaguacy, que tem uma capacidade de produção de 30 contêineres por semana.

- Como você resumiria os principais desafios enfrentados pela indústria brasileira de abacate?

“O objetivo é elevar o padrão geral de qualidade e atingir níveis mais altos. As frutas sul-africanas alcançam preços melhores do que as frutas de outras origens porque sua qualidade melhorou. Há um trabalho em andamento com a Associação de Produtores e Exportadores, mas ainda está em seus estágios iniciais. O outro desafio é desenvolver o mercado local. Isso aliviará a pressão para vender a fruta. No nosso caso, existem alguns investimentos, como a fábrica de polpa e óleo, que nos permitem enviar frutas de Categoria 2 ou menores para a minha fábrica, reduzindo assim a pressão do mercado.”

- Quais são as expectativas para o final desta campanha?

“Esta campanha deveria terminar mais cedo. Já há muito pouca fruta no Brasil. Não vejo mais espaço para enviar frutas para a Europa, destino para o qual as vendas terminaram na semana passada. Ainda há alguns embarques para a Argentina e o Uruguai. O mercado local, que termina em setembro, terá pouca oferta em outubro, e haverá importações do Chile e do Peru.”

- Qual a porcentagem da receita da empresa que a produção de óleo e celulose representa?

“O mercado de óleo está apenas começando. Mas a polpa representa cerca de 8% do negócio. Tem um potencial enorme. Fornecemos para redes de restaurantes mexicanos no Brasil desde 2011 e, há dois anos, começamos a exportar para a Europa usando a receita e a marca do cliente. Já fizemos alguns envios para o Chile, aproveitando o setor de serviços de alimentação já consolidado no país .”

- O que se pode esperar do Brasil em um futuro próximo?

“A importância do Brasil para as próximas safras não está refletida nas estatísticas. Há muitos pequenos plantios de 20, 30 e 50 hectares, que são grandes para outros países, mas para o Brasil são um experimento que terá um impacto significativo. O desafio é certificar esses produtores para exportar para a Europa. Nós, como setor comprador, vemos essas safras como uma grande oportunidade. Isso terá um grande impacto na indústria. Muitos podem ser tentados a exportar sem certificação, e devemos tentar impedir isso para evitar danos significativos à nossa linha de produtos.”

Artigos relacionados

Perú celebra el Día Nacional de la Palta y reconoce a una industria de alcance global
Perú celebra el Día Nacional de la Palta y reconoce a una industria de alcance global

Este 21 de agosto, el país conmemora una fecha creada que reconoce el valor productivo y social de uno de sus principales productos agroexportadores.

Ver mais
Francisco Contardo y el arranque de la temporada de palta: “No esperamos un impacto en la oferta disponible para el mercado”
Francisco Contardo y el arranque de la temporada de palta: “No esperamos un impacto en la oferta disponible para el mercado”

Tras las lluvias, vientos y heladas de las últimas semanas, Paltas de Chile estima pérdidas acotadas de entre 4% y 7% sin prever cambios en la oferta ni en el calendario de la temporada 2026-2027.

Ver mais
Calibres pequeños abundantes y fruta grande escasa ¿Qué ocurre con los precios en EE. UU.?
Calibres pequeños abundantes y fruta grande escasa ¿Qué ocurre con los precios en EE. UU.?

La cosecha mexicana comenzó con alta presencia de fruta pequeña, mientras la menor oferta de calibres grandes amplió la brecha de precios.

Ver mais