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O que fazer com os abacates "descartados" em países exportadores com baixo consumo interno?

Estima-se que o desperdício de abacate em instalações de embalagem possa chegar a 30% em algumas regiões. Nesse contexto, o Processamento por Alta Pressão (HPP) surge como uma alternativa altamente eficaz para o produto que não pode ser comercializado como fruta fresca, por meio de um método de industrialização sustentável já utilizado em pelo menos 50 países.

Em países com alta demanda interna, o descarte de abacates não representa um problema. A falta de uma apresentação ideal faz com que eles permaneçam em produção sem problemas, já que não cruzarão fronteiras e serão consumidos localmente. No entanto, poucos países conseguem conciliar com sucesso seu potencial de exportação com o consumo interno. Chile e México são exemplos que se destacam da grande maioria das regiões produtoras de abacate, onde a fruta é destinada quase exclusivamente ao abastecimento de mercados fora de suas fronteiras.

É o caso do Peru, que destina quase 95% de seus abacates ao comércio internacional, mas também o de fornecedores em rápido crescimento, como Colômbia, Quênia ou Brasil, que enfrentam o mercado com baixo consumo interno ou com unidades do produto que não encontram destino como fruta fresca.

“Para países com baixo consumo interno, a industrialização de frutas descartadas é fundamental para melhorar o resultado do produtor”, explica Sebastián de la Cuadra, CEO da Avobook, que dedicou três décadas à gestão comercial e operacional na indústria do abacate.

Segundo ele, a porcentagem de abacates descartados varia de país para país, embora existam algumas estimativas: “Alguns países, devido ao clima ou às condições fitossanitárias, têm taxas de descarte mais altas do que outros. Alguns lugares apresentam uma variação de 20% a 30%; e outros, entre 5% e 10%.”

“A fruta rejeitada é aquela que não atende aos requisitos durante o processo de seleção na unidade de embalagem. Não é uma fruta rejeitada por estar em más condições, mas sim por razões estéticas. Para essa fruta, cuja qualidade interna é boa e o problema é apenas estético, existem três tipos de uso: consumo como fruta fresca no mercado interno; processamento como polpa congelada ou IQF refrigerada por HPP; e como óleo de abacate”, explica ele.

O Processamento por Alta Pressão (HPP, na sigla em inglês) é uma tecnologia utilizada na indústria alimentícia para conservar alimentos sem o uso de calor ou produtos químicos. Um exemplo é o guacamole processado por esse método, que pode durar mais de 30 dias refrigerado, mantendo seu sabor e cor sem a necessidade de conservantes.

“Atualmente, o processamento por alta pressão (HPP) é essencial para alcançar os melhores mercados com um produto processado”, afirma Sebastián de la Cuadra.

Hiperbaric: a empresa onde a HPP "elimina o desperdício"

A Avobook conversou com a Hiperbaric, empresa especializada no projeto e fabricação de equipamentos de processamento de alta pressão. Sua expertise a tornou líder mundial nesse tipo de metodologia de industrialização, com mais de 400 sistemas instalados em 50 países, atendendo as Américas a partir de seus escritórios em Miami e no México.

Eles acreditam que a palavra "descartar" não é a mais apropriada para descrever frutas que não atendem aos padrões internacionais de comercialização.

“Preferimos falar em maximizar o aproveitamento da produção de um pomar. Lembre-se que as frutas que não atendem aos padrões de exportação geralmente apresentam defeitos estéticos. Portanto, seu valor é menor, pois se destinam ao mercado local. Há também as frutas rejeitadas, que não passam nem pelo mercado de exportação nem pelo mercado interno. No entanto, uma grande porcentagem dessas frutas tem potencial para processamento”, explica Roberto Peregrina, CEO da Hiperbaric USA.

Segundo ele, graças a essa tecnologia, essas frutas podem ser transformadas em produtos seguros e de alto valor agregado: "Dessa forma, resolvemos dois problemas: o desperdício de alimentos que, de outra forma, seriam desvalorizados e/ou descartados, e o retorno do investimento para as indústrias primárias."

Essa tecnologia não térmica permite a inativação de microrganismos patogênicos como Listeria, Salmonella e E. coli, prolongando a vida útil dos produtos sem a necessidade de conservantes.

Alternativas para dar novas oportunidades aos abacates descartados

Segundo Roberto Peregrina, existem diversas alternativas para os abacates descartados, incluindo o seu processamento em produtos prontos para consumo: purês, bebidas, molhos e lanches saudáveis.

“O processamento por alta pressão (HPP) nos permite aproveitar essa fruta, prolongando sua vida útil, mantendo seu sabor e nutrientes, sem a necessidade de conservantes. É uma forma de reciclagem que transforma um potencial desperdício em um produto lucrativo”, afirma.

Uma forma de abordar a utilização desta tecnologia é adaptar as soluções oferecidas pela Hiperbaric às necessidades dos produtores: “Compreendemos que cada produto e cada mercado são diferentes. É por isso que, através do nosso programa HPP Incubator, oferecemos apoio técnico totalmente personalizado e gratuito às empresas interessadas em explorar o potencial do processamento de alta pressão.”

Esse suporte inclui ações como testes de HPP em plantas-piloto equipadas com tecnologia de ponta; consultoria personalizada sobre formulação de produtos; orientação sobre os tipos de embalagem e projeto de processo de produção mais adequados; suporte no cumprimento das normas regulamentares do país de destino; bem como recomendações de fornecedores de materiais de embalagem compatíveis com HPP.

Além disso, a empresa oferece suporte na definição de estudos de validação, por meio da HPP Academia Network, com o objetivo de verificar a inativação microbiana e prolongar a vida útil do produto.

“Nosso objetivo é que os produtores possam avaliar de forma segura, eficiente e direta se a tecnologia HPP é viável para seus produtos e modelos de negócios. Afinal, reduzir o desperdício de alimentos não é apenas uma necessidade econômica, mas também ambiental e social”, declarou a empresa à Avobook.

Em termos simples, Roberto Peregrina, da Hiperbaric USA, afirma que "essa tecnologia nos permite transformar frutas 'descartadas' em alimentos nutritivos que poderiam alimentar milhões de pessoas".

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