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Os preços do abacate nos Estados Unidos atingiram o nível mais baixo em 7 anos: Será que vão se recuperar com a alta dos preços no México?

Os preços do abacate nos Estados Unidos atingiram o nível mais baixo em sete anos, em um mercado marcado por altos estoques e pela crescente importância do México. Para entender as causas e as perspectivas dessa tendência, reunimos as opiniões de Gary Clevenger, da Freska Produce International; Antonio Villaseñor, diretor da Aztecavo; Sergio Paz Vega, gerente geral da Coliman Avocados; e a análise da equipe de dados da Avobook, juntamente com as projeções do Hass Avocado Board.

O mercado de abacate atravessa um período singular. Os preços caíram para níveis não vistos em quase uma década, em meio à abundante disponibilidade da fruta e a uma demanda que, embora estável, não consegue absorver toda a oferta. O paradoxo é evidente: enquanto os preços no atacado demonstram uma fraqueza persistente, o consumidor final nem sempre percebe a mesma tendência no ponto de venda.

Gary Clevenger, da Freska Produce International, descreve essa desconexão: “Os preços do abacate no varejo estão atualmente nos níveis mais baixos que vimos em algum tempo, mas a adesão do varejo tem sido lenta. Apesar da fraqueza nos preços de atacado, muitos varejistas estão mantendo preços relativamente altos, provavelmente receosos de reduzi-los apenas para vê-los subir novamente”, explica ele.

Os níveis de estoque ajudam a entender a situação. Em 23 de setembro, o setor detinha 55 milhões de libras, com o México como principal fornecedor, respondendo por 75% do mercado, seguido pela Califórnia com 16% e pelo Peru com 9%. Tanto a Califórnia quanto o Peru estão atualmente se retirando do mercado, deixando o México como o principal ator no cenário para o outono.

Essa proeminência se reflete nos volumes. Segundo Antonio Villaseñor, diretor da Aztecavo, o México colheu 21.745 toneladas na semana passada, das quais 18.370 toneladas foram enviadas para os Estados Unidos, representando uma taxa de colheita de 84%. Um aumento considerável é projetado para esta semana, com cerca de 30.000 toneladas colhidas, em um cenário em que os preços permaneçam abaixo dos níveis recentes. Apesar desse crescimento, a oferta de hectares disponíveis diminuiu 2%, chegando a 32.400, indicando um esforço para ajustar a produção.

Da mesma forma, Sergio Paz Vega, gerente geral da Coliman Avocados, confirma a força da oferta mexicana. Durante a semana 39, o México exportou 1.288 remessas para o mercado americano, pouco mais de 25.000 toneladas, representando um aumento de 37% em comparação com a semana anterior e um aumento de 19% no total da temporada em comparação com o ano passado.

“Os volumes exportados na semana passada são um claro indicador de que o México terá frutas suficientes a preços competitivos nesta temporada”, destaca ele. Segundo o executivo, este terceiro trimestre de 2025 fechou com o maior volume desde o início das exportações mexicanas para os Estados Unidos, com mais de 246 mil toneladas embarcadas entre julho e setembro.

Paz Vega alerta, no entanto, que o desafio reside não apenas no volume, mas também na manutenção da ordem no mercado. “As últimas semanas testemunharam um ajuste brusco, com queda nos preços e cotações com diferenças muito acentuadas, dependendo de quem fornece a fruta ou entre aqueles que têm encomendas com as cadeias de supermercados”, explica.

A isso se soma a sobreposição usual entre as frutas do início da temporada e as frutas do início da nova temporada, historicamente um período desfavorável para a manutenção de preços estáveis. Além disso, as mudanças no tamanho das frutas também estão afetando os preços, com semanas em que os tamanhos menores — 60, 70 e 84 — chegaram a ser precificados mais altos do que os tradicionais 48.

Os dados históricos oferecem outra perspectiva. A equipe de dados da Avobook analisou o preço de armas de calibre .48 nos últimos cinco anos e descobriu que o primeiro trimestre de 2025 registrou os preços mais altos do período, mas desde então foi observada uma tendência de queda, que se tornou mais acentuada no segundo e terceiro trimestres.

Nos anos anteriores, os preços tenderam a cair em vez de se recuperar durante o último trimestre, quando o Peru e a Califórnia já não participam ativamente. "Não é possível determinar se os preços se comportarão de forma semelhante aos anos anteriores durante este último trimestre", esclarece a equipe, embora ressalte que, historicamente, os maiores aumentos ocorrem no início da temporada mexicana, por volta da metade do ano.

Nesse cenário, surge mais um ator: a Colômbia. Segundo projeções do Hass Avocado Board, o país sul-americano aumentará sua participação no mercado dos Estados Unidos no último trimestre de 2025, com uma presença maior do que nos anos anteriores. Embora seus volumes não concorram com os do México, representam uma oferta adicional que pode limitar a velocidade da recuperação dos preços.

Mas a questão principal já não é apenas quem fornece os abacates, mas sim quais tamanhos chegam ao consumidor. Nesse sentido, o Hass Avocado Board detecta uma mudança estrutural nas tendências de consumo. Emiliano Escobedo, diretor executivo da organização, explica que, durante anos, o mercado americano foi baseado no código PLU 4225, correspondente aos tamanhos 48 e 40, que se tornaram o padrão em supermercados e restaurantes. Hoje, porém, o código PLU 4046, associado a tamanhos menores, como o 60 e menores, está ganhando espaço.

“Durante vários anos, o PLU mais popular nos supermercados foi o 4225, equivalente aos tamanhos 48 e 40. No entanto, com a mudança na curva de tamanhos e a maior disponibilidade de tamanhos 60 e menores, surgiu a oportunidade de oferecer ao mercado o que está sendo produzido atualmente”, destaca Escobedo.

Essa mudança se deve tanto à disponibilidade de frutas menores quanto aos novos hábitos de consumo, que consideram o abacate uma fruta ideal para lanches e porções diárias. A mudança se reflete claramente no crescimento das vendas de abacate embalado, que agora são um importante impulsionador da categoria. Segundo dados da HAB, embalagens com 4 e 5 unidades pequenas representam mais de 54% das vendas de abacate embalado, enquanto a embalagem com 7 unidades cresceu 1.214% em um ano. “Esse formato é ideal para quem busca uma porção individual para cada dia da semana”, acrescenta Escobedo.

O executivo também esclarece que os tamanhos grandes não estão desaparecendo. As variedades Jumbo (PLU 4770) continuam a ocupar um espaço estratégico em reuniões familiares, restaurantes e pratos produzidos em massa, como guacamole, especialmente durante os períodos de pico de consumo. No entanto, o aumento de embalagens menores está redefinindo o mercado e criando um novo cenário competitivo, onde simplesmente garantir volume não é mais suficiente; o tamanho certo para cada canal de distribuição também é crucial.

Em conclusão, o mercado de abacate dos EUA está em um ponto de inflexão. O México lidera com uma força sem precedentes, apoiado por volumes recordes e uma participação esmagadora na oferta. No entanto, a pressão sobre os estoques, o aumento da concorrência da Colômbia e as novas tendências de tamanhos menores estão criando um cenário em que a recuperação dos preços pode ser mais lenta do que o esperado.

A questão é se a hegemonia mexicana e a adaptação às novas preferências do consumidor serão suficientes para restaurar o dinamismo do mercado ou se, pelo contrário, a indústria deverá se preparar para coexistir com valores moderados por mais tempo.

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