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O Peru dita o ritmo da temporada de abacate na Europa, com um aumento de 37% nas suas exportações.

O notável crescimento no volume de abacate peruano já começa a impactar o mercado europeu. Especialistas alertam para pressões sobre os preços, riscos logísticos e a limitada capacidade de absorção de outros destinos.

O mercado europeu de abacate atravessa um período de grande tensão. Com a projeção de crescimento das exportações peruanas em 37% até 2025, o impacto sobre os preços e a logística do setor começa a ser sentido e se intensificará nas próximas semanas.

Segundo estimativas da ProHass e da PromPerú, a campanha de exportação de abacate peruano deste ano será significativamente maior do que a de 2024, após vários ciclos marcados por eventos climáticos adversos. O Peru também deverá exportar aproximadamente 750 mil toneladas para todo o mundo em 2025, tendo a Europa como principal destino.

Na 18ª semana, já foram registradas 3.788 remessas para a Europa, um número quase idêntico ao do mesmo período do ano passado (3.810). No entanto, a taxa de crescimento tem sido constante e sustentada. "O volume semanal só ultrapassou o do ano anterior na 16ª semana e tem aumentado continuamente, ao contrário de 2024, que apresentou algumas quedas", explica Tomás de la Cuadra, analista de dados da Avobook.

Segundo as suas projeções, espera-se que esta curva se mantenha até à semana 25, podendo atingir semanas com até 850 envios, o que irá pressionar a cadeia logística e comercial do continente.

Preços sob pressão

O aumento do volume impactará quase inevitavelmente os preços. Sebastián de la Cuadra, CEO da Avobook, prevê isso: “Com o aumento do volume, o preço deverá cair”. No entanto, ele esclarece que a magnitude dessa queda dependerá de fatores comerciais essenciais. “Dependerá da rapidez com que importadores e distribuidores conseguirem escoar a fruta comercialmente. Quando não houver aumento nos estoques em armazéns, os volumes poderão fluir com mais facilidade, sem a necessidade de vender a preços baixos por desespero”, destaca.

No entanto, De la Cuadra enfatiza que manter preços estáveis nesse contexto será difícil: “O que complicaria a situação seria se atrasos logísticos — como os que ocorreram no Panamá e em Rotterdam — fizessem com que duas semanas de frutas chegassem ao mesmo tempo. Isso tornaria o desequilíbrio mais perceptível.”

Esse fenômeno não é teórico. Já existem sinais de pressão no mercado. "Os efeitos já estão sendo sentidos, embora se intensifiquem a cada semana que passa. Isso deve continuar até setembro, com os embarques de agosto", acrescenta.

Campanha posterior, porém mais intensa.

Embora o início de 2025 tenha sido mais lento em comparação com 2024, o volume acumulado crescerá consideravelmente no segundo semestre da temporada. “O início foi mais lento do que no ano passado, com um volume semanal menor. A diferença é que, este ano, o Peru está entrando com um volume total 37% maior, então o que não foi embarcado nas semanas anteriores será embarcado nas próximas semanas, resultando em um total muito superior ao de outros anos”, explica Sebastián.

De fato, dois terços do volume embarcado pelo Peru até a 18ª semana foram destinados à Europa. Embora essa proporção seja semelhante à do ano anterior, os demais mercados apresentam variações significativas. “O Chile detinha uma participação de 14% em 2024 e hoje tem 4%. O oposto ocorre com os Estados Unidos, que passaram de 3% para 8%”, explica Tomás de la Cuadra.

Existem alternativas viáveis à Europa?

Com a Europa absorvendo a maior parte do volume, redirecionar a fruta para outros destinos não é uma solução simples. Sebastián de la Cuadra explica claramente: “Os outros mercados representam volumes menores para o Peru, então aumentar o volume para esses mercados também faria o preço cair. China, Chile, Argentina… todos têm seus limites.”

Os Estados Unidos parecem ser a única opção atraente do ponto de vista comercial. “A melhor alternativa são os EUA, onde os preços geralmente são melhores do que na Europa atualmente. Mas isso dependerá do volume que os importadores norte-americanos desejarem adquirir. Historicamente, as redes de supermercados são as que mais compram do Peru nos EUA”, conclui o CEO da Avobook.

Uma indústria em crescimento

Com esse crescimento, o Peru consolida sua posição como o segundo maior exportador mundial de abacates, atrás apenas do México. "A indústria peruana se tornou um ator internacional muito importante", afirmou recentemente o presidente da ProHass, José Antonio Castro.

A verdade é que a velocidade com que os diferentes mercados conseguirem absorver o volume crescente definirá se essa expansão será sinônimo de oportunidade ou instabilidade para o comércio global de abacate.

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