O Peru bate recordes de exportação de abacate para a Europa e aumenta os embarques para os Estados Unidos.
Em 2025, as exportações de abacate atingiram níveis históricos na Europa, com mais de 1.000 remessas semanais durante dez semanas consecutivas, entre a 15ª e a 30ª semana, uma frequência sem precedentes nos últimos anos.
Segundo Tomás de la Cuadra, analista da Avobook, esse comportamento contrasta com as temporadas anteriores: em 2024 houve apenas duas semanas com mais de mil remessas e, em 2023, esse limite não foi ultrapassado, embora tenha havido várias semanas com volumes superiores a 950. Antes de 2022, números semelhantes não haviam sido alcançados.
O papel do Peru foi crucial para esse marco. Segundo Víctor Ruete, consultor da Tropical Millennium, durante a 31ª semana o país exportou pouco mais de 20 milhões de quilos de abacates Hass, dos quais 12,5 milhões foram destinados à Europa. Embora se espere uma queda entre as semanas 34 e 35, Ruete alerta que será necessário aguardar até a 33ª ou 34ª semana para confirmar o início de uma redução sustentada nos embarques. Em setembro, espera-se uma maior proporção de abacates de tamanhos maiores e uma menor disponibilidade de abacates de tamanhos menores.
Em relação à qualidade, Ruete observa que a fruta está chegando com níveis adequados de matéria seca, garantindo boas condições e capacidade de armazenamento, desde que a cadeia de frio e o manuseio pós-colheita sejam mantidos. Segundo a Associação Peruana de Produtores e Exportadores de Abacate Hass (ProHass), 375 mil toneladas já haviam sido exportadas até a 25ª semana, o equivalente a 60% da projeção da temporada. A organização revisou sua estimativa anual para baixo, para 655 mil toneladas — 20% a menos do que o número calculado em março —, embora isso represente um aumento de aproximadamente 30% em comparação com 2024.
Enquanto isso, no mercado americano, os embarques peruanos também apresentaram crescimento significativo durante a transição entre a temporada mexicana e a chegada das exportações peruanas. Segundo dados da Avobook, mais de 3.600 contêineres foram enviados para os Estados Unidos até a 30ª semana, superando os números de 2020, 2021, 2023 e 2024, embora ainda abaixo dos 3.900 contêineres enviados em 2022 e dos níveis de 2019.
De la Cuadra explica que esse padrão se deve ao comportamento sazonal: ao final da temporada mexicana, as exportações peruanas aumentam rapidamente, atingindo um pico antes de se estabilizarem quando o México retoma sua produção. Esse posicionamento estratégico permite que o Peru aproveite o período de menor oferta mexicana e mantenha sua relevância em um mercado altamente competitivo.
O desempenho simultâneo em ambos os destinos confirma a capacidade do setor peruano de responder à demanda internacional, consolidando seu papel como um dos principais atores globais nas exportações de abacate.