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O Peru enfrenta desafios climáticos na produção de abacate.

A indústria do abacate no Peru experimentou um crescimento notável nas últimas décadas, impulsionada por uma combinação de políticas favoráveis e acordos comerciais internacionais. No entanto, a recente safra de abacate foi uma das mais desafiadoras da história do país, segundo Juan Carlos Paredes, presidente da Prohass Peru.

Em entrevista à Avobook, Juan Carlos Paredes explicou que, embora o contexto legislativo e econômico tenha sido fundamental para o desenvolvimento do setor, mudanças climáticas inesperadas impactaram negativamente a produção de abacate no Peru. "O clima nos últimos meses tem sido completamente imprevisível", observou Paredes, indicando que a variabilidade climática prejudicou o planejamento agronômico, especialmente na região norte do país, onde foram registradas quedas de produção de até 70% em algumas áreas.

Apesar desses contratempos, o setor permanece resiliente, com crescimento contínuo das plantações nas terras altas peruanas. Essas novas áreas, localizadas entre 2.500 e 3.500 metros acima do nível do mar, começaram a contribuir significativamente para a produção nacional, compensando parcialmente as perdas em outras regiões.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação (MIDAGRI), o Peru é atualmente o segundo maior exportador mundial de abacates Hass, atrás apenas do México. Em 2023, o país exportou mais de 560 mil toneladas de abacates, gerando uma receita superior a US$ 950 milhões. Os principais mercados de exportação incluem a Europa (especialmente Espanha e Holanda), os Estados Unidos e, mais recentemente, a China, que vem adquirindo um volume crescente dessa fruta.

Paredes observou que a expansão dos pomares de abacate no Peru parece estar atingindo seu limite, com estabilização prevista para o curto prazo. No entanto, o cultivo em pequenas propriedades continua a se expandir, especialmente nas terras altas, o que poderá sustentar o crescimento da oferta no futuro.

Em relação à diversificação de mercado, a Ásia está emergindo como uma região-chave para o abacate peruano. Paredes mencionou que a China e a Índia representam mercados com significativo potencial de crescimento, embora ainda não tenham se consolidado como grandes consumidores. Apesar dos desafios, como as restrições europeias ao cádmio, Paredes expressou otimismo quanto ao futuro do abacate peruano, destacando sua sustentabilidade como um fator crucial para a competitividade global.

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