“Para consolidar ainda mais o posicionamento do abacate equatoriano, é necessário melhorar a produtividade por hectare e a certificação das fazendas.”
O Equador está se consolidando como um importante produtor de abacate, tomando uma decisão crucial: sua estratégia se baseia na qualidade, e não no volume. Atualmente, existem aproximadamente 6.000 hectares dedicados ao cultivo de abacate, dos quais 2.000 hectares são da variedade Hass e 4.000 da variedade Fuerte.
Elas são cultivadas nas terras altas, a altitudes entre 1.500 e 2.500 metros, o que confere ao produto características especiais. Isso permitiu ao Equador preencher nichos de mercado durante períodos de baixa oferta em outros países.
Jorge Salvador Jaramillo é o Gerente de Produção e Operações da Durexporta Global, uma fábrica que embala 90% dos abacates exportados do Equador. A experiência que acumulou ao longo de anos comercializando mangas no exterior permitiu-lhe transmitir conhecimentos importantes a produtores e exportadores, possibilitando-lhes o desenvolvimento de um setor com significativo potencial de crescimento.
Além disso, o Equador está em processo de abertura de novos mercados para explorar sua temporada, que começa em setembro e se estende até junho do ano seguinte.
Salvador conversou com a Avobook sobre as qualidades dessa origem, observando que as empresas equatorianas identificaram a Europa, a Rússia e o Oriente Médio como os mercados mais importantes, sendo a Europa o principal destino graças aos acordos comerciais que eliminam as barreiras tarifárias.

“No Equador, a produção de abacate Hass ocorre praticamente o ano todo devido às condições climáticas favoráveis, permitindo a colheita durante 10 meses do ano. O período de produção se estende principalmente entre outubro e dezembro, e de janeiro a março, coincidindo com períodos de menor oferta nos mercados internacionais, o que representa uma vantagem competitiva”, explica ele à Avobook.
Qual é a situação atual do Equador na exportação de abacates Hass e de outras variedades?
“O Equador vem expandindo sua produção de abacate, especialmente da variedade Hass, a mais comercializada internacionalmente. Tradicionalmente, o Equador se concentrava na variedade Fuerte para o mercado interno, mas desde 2015 vem desenvolvendo o cultivo de abacates Hass para exportação. Em 2021, a produção de abacate Hass tornou-se parte fundamental do portfólio agrícola do país, contribuindo para a diversificação dos produtos exportáveis. Atualmente, existem aproximadamente 2.000 hectares plantados com abacates Hass no Equador, e um crescimento significativo é esperado nos próximos anos.”
- Como você projeta o crescimento em volume e hectares plantados no Equador?
“O crescimento da área plantada e do volume de produção de abacates Hass no Equador é promissor. Em 2022, a produção inicial de abacate Hass foi de 8 a 9 toneladas por hectare, com uma projeção de rendimento de até 30 toneladas por hectare no décimo ano de produção. Espera-se que, até 2025, a área plantada atinja 5.000 hectares, com uma projeção de até 15.000 a 20.000 hectares até 2030. Esse crescimento permitirá que o Equador aumente sua participação no mercado internacional, com um volume anual de exportação previsto que poderá ultrapassar US$ 1,084 bilhão nos próximos 10 anos.”
- Quais são os problemas ou dificuldades que a empresa enfrenta atualmente?
“Um dos principais desafios enfrentados pela produção de abacate no Equador é o nível relativamente baixo de conhecimento técnico em manejo da cultura, especialmente em comparação com outros países produtores como Peru e Colômbia. A produtividade no Equador é menor, com uma média de 8 toneladas por hectare, enquanto em países vizinhos esse número ultrapassa 25 toneladas por hectare. Além disso, a certificação de qualidade e as práticas fitossanitárias são áreas em que ainda há necessidade de avanços, com poucas fazendas certificadas segundo padrões internacionais como o Global GAP.”

- Qual é a situação logística interna atual e como o Equador se conecta logisticamente com o resto do mundo?
“Embora o Equador possua diversos portos marítimos e uma ampla gama de serviços de transporte de carga marítima, atualmente enfrenta sérios desafios em sua logística interna. Esses problemas estão principalmente relacionados à crescente insegurança no país, o que obrigou a implementação de medidas de segurança adicionais para garantir que as remessas sejam concluídas com sucesso.”
- Que complicações esse problema causou?
“Essa situação complicou os processos logísticos, aumentou os custos e os tempos de operação, e exige atenção constante para garantir que os produtos cheguem em segurança aos seus destinos internacionais.”
- Quão atrativo pode ser o negócio do abacate para produtores, embaladores e empresas de serviços no Equador?
“O setor de abacates é extremamente atrativo para produtores, embaladores e empresas de serviços no Equador. O clima e a qualidade do produto oferecem uma vantagem competitiva nos mercados internacionais. Além disso, o potencial de crescimento tanto em hectares plantados quanto na demanda internacional torna esse setor promissor. Os abacates Hass, em particular, têm um mercado em expansão e capacidade de gerar empregos e valor agregado nas comunidades produtoras.”
- Na sua experiência, o que precisa ser melhorado no Equador para continuar posicionando essa fruta nos mercados?
Para consolidar ainda mais a posição do abacate nos mercados internacionais, o Equador precisa melhorar a produtividade por hectare, elevando o nível técnico do manejo da cultura. É fundamental também aumentar o número de fazendas certificadas por padrões internacionais, como o Global GAP, para atender aos requisitos de qualidade e segurança alimentar dos mercados mais exigentes. Além disso, seria benéfico continuar desenvolvendo a infraestrutura logística e aprimorando a eficiência da cadeia de valor para reduzir custos e prazos de entrega.

- Em relação à empresa Durexporta, como ela está se preparando para continuar sendo uma empresa líder em embalagens no Equador?
“A Durexporta está investindo significativamente em infraestrutura, implementando novas linhas de processamento que abrangem tudo, desde o recebimento até a embalagem e o armazenamento refrigerado, com o objetivo de garantir o processo mais eficiente possível. Essas melhorias asseguram que os abacates sejam manuseados da maneira mais eficiente, preservando sua qualidade durante todo o processo e garantindo a segurança alimentar do produto.”
- Como vocês ajudam os exportadores com a rastreabilidade dos produtos?
Além disso, a empresa está desenvolvendo tecnologias de informação avançadas para aprimorar a rastreabilidade das frutas, permitindo um acompanhamento detalhado desde a produção nas fazendas até a chegada aos mercados internacionais. Isso não só fortalece a confiança do consumidor na qualidade e segurança dos abacates equatorianos, como também possibilita a inovação na estrutura de custos. Ao otimizar esses processos, a Durexporta busca aumentar a competitividade dos abacates equatorianos nos mercados globais, reduzindo custos e garantindo que a fruta chegue em perfeitas condições.