Os desafios de produção e logística da Colômbia e do Quênia nas exportações de abacate.
O trabalho nutricional, a certificação dos pomares e a logística estão entre as tarefas que estão sendo desenvolvidas por essas duas origens, que participam cada vez mais do mercado global de abacate.
Nas últimas semanas, temos acompanhado o aumento das exportações de abacate para a Europa, com o Peru desempenhando um papel fundamental. No entanto, outras origens também estão ganhando espaço no mercado europeu, que impõe menos restrições à importação de abacate do que os Estados Unidos.
Nesse cenário, existem países que estão vivenciando um desenvolvimento interessante, mas cujos produtos apresentam desafios de melhoria que eles conhecem e aos quais dedicam atenção constante, tanto no campo quanto por parte das empresas exportadoras.
É o caso da Colômbia e do Quênia, cuja evolução, segundo o mercado, deverá gerar melhores expectativas, principalmente em termos de tamanho e número de participantes, impactando o preço das transações.
Sebastián de la Cuadra Infante, CEO da Avobook, explica que “há países que enfrentam desafios significativos para levar suas frutas ao mercado em condições ideais, tanto em termos de manuseio pós-colheita quanto de transporte”.
“É um fato que quanto mais a fruta viaja, mais problemas ela apresenta; e que a fruta que viaja menos é a melhor, porque tem menos fatores associados ao transporte e ao frio”, explica ele.
Exportações de abacate da Colômbia para os Estados Unidos
Os desafios da Colômbia estão principalmente ligados ao que acontece com as frutas em termos de nutrição e à certificação de seus campos.
Segundo De La Cuadra, “no caso da Colômbia, o trabalho continua para garantir que os campos tenham um bom sistema de nutrição para as árvores e que as práticas pós-colheita sejam aprimoradas”.
“Isso é importante para definir o mercado deles, porque esse país deveria se concentrar em enviar volumes cada vez maiores para os Estados Unidos, já que é um destino de viagem muito curta. De Cartagena a Miami são três dias de barco. Para Nova York, são cinco, contra as duas semanas que leva para chegar à Europa. Se a origem de um produto tiver alguma sensibilidade nutricional, é aconselhável que a fruta não viaje por uma distância muito longa”, explica o especialista em SEO da Avobook.
Para atender a essa premissa, a Colômbia deve concentrar parte de seus esforços na certificação de mais pomares de acordo com o protocolo fitossanitário norte-americano.
“O monitoramento e a amostragem que verificam a ausência de pragas levam tempo, de um ano para o outro. Portanto, à medida que isso progride e o manejo fitossanitário é aprimorado, áreas serão liberadas. Dos 32.000 hectares que a Colômbia possui para abastecer o mundo com seu produto, 11.000 estão autorizados a entrar nos Estados Unidos, segundo dados até dezembro de 2023. Mas esse número pode ser muito maior se essas liberações continuarem, reduzindo sua presença na Europa, onde a viagem é mais longa, para concentrar mais volume na América do Norte”, explica Sebastián de la Cuadra.
O NEGÓCIO DO ABACATE NO QUÊNIA
O Quênia também está passando por um período de crescimento e aprendizado, onde todos os campos são diferentes.
“Esse processo de aprendizagem não se trata simplesmente de copiar e colar o que é feito em outras regiões. O Peru tem dunas de areia, o Chile tem um clima mediterrâneo, a Colômbia tem um clima tropical em altitudes elevadas. O Quênia também possui certas condições que o diferenciam de qualquer outro país. Portanto, à medida que o Quênia continua a expandir seus pomares e a atrair investidores e empresas, mais profissionais chegarão e poderão aprimorar as condições de produção”, explica o CEO da Avobook.
É claro que se trata de um processo lento, pois o que é melhorado em um determinado momento só demonstra seus resultados a médio prazo.
“É importante lembrar que, com as frutas, primeiro você planta e só começa a produzir no terceiro ano. Então, não há feedback sobre o que você fez certo ou errado até cinco ou seis anos depois. É por isso que Kenia está passando por todo esse aprendizado agora”, destaca De La Cuadra.
Mas, sem dúvida, um dos maiores desafios para os abacates quenianos é o impacto do transporte em sua chegada à Europa, que é seu principal mercado.
“O que nos afetou muito este ano foi a complexidade do transporte pelo Canal de Suez, que, por vários motivos, está fazendo com que as companhias de navegação evitem passar por lá. Elas estão contornando o sul da África, passando pela África do Sul, para chegar à Europa, e isso está prolongando a viagem da fruta, que antes levava duas semanas e agora leva quatro”, explica De la Cuadra.
Segundo a análise deles, “ao adicionar essas duas semanas de transporte, a fruta chega em um estado mais comprometido. Portanto, para enviar frutas que precisam percorrer longas distâncias, é preciso fazer um bom trabalho no campo, em termos de nutrição, e também com o material vegetal, ou seja, o aspecto genético, para garantir que seja uma boa árvore. Além disso, é necessário gerenciar cuidadosamente a embalagem e as temperaturas nos contêineres. E, claro, a logística final precisa ser otimizada.”
Essa é uma preocupação constante dos produtores e exportadores quenianos, que estão se esforçando significativamente para aplicar as lições aprendidas.
“Por exemplo, existem instalações muito boas e profissionais cada vez melhores estão chegando”, diz Sebastián de la Cuadra, CEO da Avobook.