A indústria do abacate na América do Sul e seus desafios
O pesquisador e especialista em pós-colheita Bruno Defilippi, que ocupa o cargo de diretor do INIA La Platina, ofereceu uma análise abrangente da produção atual de abacate no Chile, Peru e Colômbia durante sua participação no evento denominado Territorio Aguacate.
Em entrevista, Defilippi destacou os principais desafios enfrentados pelos países do Hemisfério Sul na produção de abacate Hass. Ele enfatizou a importância do manejo agronômico adequado desde o campo, abordando aspectos como nutrição, irrigação e controle de pragas para alcançar a qualidade ideal da fruta. Nas palavras dele, "o primeiro passo é começar com um manejo agronômico adequado no campo".
Ele enfatizou a importância de determinar o momento preciso da colheita para garantir a qualidade organoléptica e a resistência ao transporte, bem como a necessidade de implementar tecnologias pós-colheita para prolongar a vida útil do produto. Segundo ele, é crucial "evitar a venda de frutas 'velhas' em termos do número de dias entre a colheita e o consumo".
Defilippi destacou que o teor de óleo é o principal atributo de qualidade dos abacates Hass, seguido por atributos visuais como tamanho, cor e ausência de danos. Ele também enfatizou que os mercados exigem uma qualidade geral que equilibre todos esses aspectos para garantir a recompra pelos consumidores: "Qualidade significa entregar um abacate que tenha um equilíbrio entre todos os atributos."
Em relação à importação de abacates peruanos pelo Chile, ele indicou que essa prática continuará sendo comum, já que o Chile precisa de outros fornecedores durante os períodos de baixa produção.
Em relação aos desafios climáticos, ele mencionou a seca prolongada no Chile e outros eventos extremos, como as fortes chuvas na Colômbia, que impactam significativamente a qualidade e a vida útil dos abacates.
Em relação às tecnologias na indústria, ele destacou a necessidade de otimizar as já existentes, como o controle de temperatura, e mencionou que há espaço para melhorias no saneamento e no uso de fungicidas.
Referindo-se ao Territorio Aguacate, Defilippi elogiou a abrangência dos temas abordados no evento e sua relevância para todos os países produtores, tratando de aspectos como mudanças climáticas, responsabilidade social e economia circular. Segundo ele, "o Territorio Aguacate reuniu mais de 130 empresas e 3.000 participantes, tornando-se, sem dúvida, um dos maiores eventos técnicos e comerciais da América Latina para essa fruta".
Fonte: Portal das Frutas