Itália e Alemanha estão impulsionando o crescimento do consumo de abacate na Europa.
Este é o alerta de Alfredo Lira, diretor e fundador da AgroLeal, que acredita que os preços baixos representam uma oportunidade para aumentar o consumo.
Os relatórios da Avobook das últimas duas semanas mostram o Peru como um importante ator no mercado europeu de abacate. Atualmente, é o principal fornecedor, embora a fruta seja menor do que o normal e os preços estejam mais baixos.
Enquanto aguarda a virada da produção da região costeira, com tamanhos maiores e, além disso, melhores preços, o Diretor e Fundador da AgroLeal, Alfredo Lira Chirif, compartilha com a Avobook sua visão sobre os mercados que mais impulsionam o crescimento do consumo no velho continente, pedindo calma em relação aos preços, pois acredita que a situação atual é uma oportunidade de conquista.
Em relação à produção peruana, Lira explica que, nos últimos três anos, foi preciso enfrentar problemas devido aos efeitos dos fenômenos climáticos.
“Inicialmente, devido aos invernos muito frios, e depois no ano passado, após um inverno muito quente em 2023, a árvore não teve o descanso necessário, o que causou uma diminuição na produção. Estimo uma queda de 30% este ano. Diria que 50% se deve à quantidade de frutos e outros 50% à diminuição do peso total”, afirma.
Como alertou o Avobook Report, Alfredo Lira destaca que esse fenômeno significa que hoje existem preços muito altos para calibres médios e grandes, mas preços muito baixos para calibres pequenos provenientes de seu país.
“Os últimos dois ou três anos têm sido desafiadores para o setor, que vem enfrentando o aumento dos custos de contêineres e suprimentos. As exportações sofreram uma redução nas margens a que estávamos acostumados”, explica ele.
O engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Nacional Agrária La Molina, no Peru, e com pós-graduação pela Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile, dirigiu diversas empresas de destaque no setor do agronegócio. Com base nessa experiência, ele explica quais países são fundamentais para o crescimento do consumo de abacate na Europa.
“Os consumidores naturais eram a França e a Espanha. Não considero os Países Baixos, porque eles importam a fruta, mas não são necessariamente consumidores. Quem está impulsionando essa tendência são a Itália e a Alemanha, que costumavam consumir a fruta verde e agora consomem a variedade Hass, ou estão consumindo cada vez mais”, observa ele.
São mercados muito interessantes, mas exigentes: “A Inglaterra, a Itália e a Alemanha são países capazes de pagar preços bons e mais homogêneos, mas os consumidores são exigentes em termos de qualidade, e o desafio reside em responder a essa característica.”
"Em geral, o resto da Europa está crescendo a taxas razoáveis, entre 5% e 7% do consumo por ano. A oferta também cresceu muito rapidamente, e o impacto é visível. Precisamos ajudar a promover as frutas para que haja mais consumo", afirma.
Em relação aos preços atualmente praticados no mercado, ele prefere encará-los de forma otimista, afirmando que, segundo sua experiência, "quando o preço está baixo, devemos considerá-lo um investimento, porque quando o preço cai, isso facilita um maior consumo, as pessoas começam a gostar e então esse preço se autorregulará um pouco mais e todos ficaremos mais felizes".