Irubiterra: Adicionando o Equador ao mapa mundial do abacate
Em entrevista exclusiva para a Avobook, Diana e María José Freile, líderes da Irubiterra, compartilham os desafios e as estratégias que enfrentaram para posicionar o Equador no competitivo mercado global de abacate.
O boom do abacate Hass transformou os mercados globais nos últimos anos, e o Equador, embora seja um participante relativamente novo, está capitalizando seu potencial para se posicionar entre os principais exportadores. Com um clima favorável e uma janela de produção que rivaliza com a de países como o Peru, o Equador tem uma oportunidade única. No entanto, os desafios são numerosos, desde a fragmentação da terra até a falta de infraestrutura adequada.
Sob a liderança de Diana e María José Freile, a Irubiterra se consolidou como uma das empresas pioneiras a inserir o Equador no cenário global do abacate. Como uma empresa familiar na vanguarda das exportações de abacate Hass, as irmãs Freile combinaram alta expertise técnica com uma visão estratégica do mercado internacional, enfrentando e superando desafios cruciais. Graças à sua liderança, a Irubiterra se posicionou como referência no setor, impulsionando o reconhecimento do Equador no mercado global.
O crescimento da Irubiterra tem sido uma lição de paciência, já que o abacate é uma fruta que exige tempo, do plantio à colheita; é um processo que pode levar até cinco anos. Diana e María José aprenderam a ser consistentes e a planejar meticulosamente cada etapa.
“Compreender o ritmo natural do abacateiro permitiu-nos alinharmo-nos com o ciclo da planta, o que é essencial num setor que depende tanto da qualidade do produto”, explicam. Esta abordagem centra-se não só no plantio, mas em fazê-lo na altura certa e utilizando as melhores práticas possíveis.
Estratégias-chave para o sucesso na exportação
Uma das principais estratégias implementadas para alcançar o sucesso nas exportações de abacate é a assistência técnica. “No início, consultamos vários técnicos, mas foi quando encontramos um especialista chileno que fizemos progressos significativos. Sua experiência nos permitiu elevar nossos padrões e otimizar a produtividade de nossas plantações”, explicou Diana. Essa assistência tem sido fundamental para maximizar o potencial de suas colheitas.

Em relação aos mercados internacionais, a Irubiterra expandiu suas exportações para países como Espanha, Alemanha, França, Holanda e Reino Unido. "Cada um desses mercados tem suas próprias demandas e desafios, mas também nos ensinaram muito sobre como nos adaptar e melhorar continuamente", afirmam. Atualmente, a empresa possui 35 hectares plantados e planos ambiciosos de expansão. A curto prazo, planejam plantar mais 80 hectares e, a médio prazo, chegar a 150 hectares. Este ano, exportaram 600 mil quilos de abacate e, até 2025, esperam aumentar esse número para 700 mil quilos, com uma produtividade de 20 mil quilos por hectare.
Equador: vantagens competitivas e principais desafios
O Equador emergiu recentemente no mercado global de abacate, com a produção da variedade Hass ganhando impulso, embora ainda esteja atrás de gigantes como Peru e Colômbia. Segundo dados da Associação de Produtores de Abacate (ASOPA), as exportações equatorianas atingiram 5.000 toneladas em 2023, um aumento notável em comparação com os anos anteriores. No entanto, apesar do seu potencial, o país enfrenta desafios significativos, como a fragmentação de terras e a falta de infraestrutura adequada para competir em larga escala nos mercados internacionais.
Diana e María José exploram o estado atual do mercado de abacate no Equador. Elas explicam que o país está em uma fase emergente no mercado global de abacate. Ao contrário de países como Peru e Colômbia, onde a indústria é mais desenvolvida, o Equador está apenas começando a perceber o potencial de exportação dessa fruta.
“Embora o abacate seja cultivado desde a antiguidade, só agora estamos começando a consolidá-lo nos mercados internacionais. Por isso, nosso objetivo é liderar esse processo, tanto como empresa quanto como parte do setor, para garantir que o Equador seja reconhecido no mapa mundial do abacate. Temos uma vantagem competitiva única com nossa janela de produção, que nos permite oferecer abacates quando outros países ainda não os comercializaram”, destacou Diana.
Assim, o objetivo da Irubiterra é liderar esse processo, tanto como empresa quanto como parte do setor, para garantir que o Equador seja reconhecido no mapa mundial do abacate. Entre os desafios que o país enfrenta, María José destacou que o tamanho das parcelas de cultivo é um obstáculo significativo.
“Em primeiro lugar, o tamanho das propriedades é um desafio significativo. A reforma agrária da década de 1970 no Equador fragmentou as fazendas em pequenos lotes, dificultando a produção em larga escala necessária para a exportação. Unificar esses pequenos produtores sob um padrão de qualidade e cumprir as regulamentações e certificações de exportação é um desafio complexo. Além disso, enfrentamos desafios logísticos, como o fornecimento de insumos, embalagens e outros materiais essenciais para a exportação. No entanto, o maior desafio é conscientizar o mundo sobre a qualidade dos abacates equatorianos e garantir que os clientes valorizem e prefiram nosso produto”, explicaram detalhadamente as irmãs Freile.
Da mesma forma, a demanda por abacates equatorianos nos mercados internacionais está crescendo, mas é um processo gradual. Segundo as irmãs Freile, os clientes estão começando a reconhecer e valorizar a origem equatoriana, o que é fundamental para posicionar o país no mercado global. “É um trabalho de paciência e perseverança. Quando nossos clientes visitam nossos campos e veem a qualidade de nossas frutas, eles se convencem de que os abacates equatorianos têm um lugar nos principais mercados”, afirmam.
Para fortalecer a marca do país, a Irubiterra concentra-se em unificar a associação de produtores e em colaborar estreitamente com órgãos reguladores como a Agrocalidad. Rastreabilidade e qualidade do abacate são aspectos que gerenciam com cuidado, estabelecendo padrões e parâmetros rigorosos para garantir que suas exportações atendam aos requisitos mais exigentes. "A chave é fazer com que o Equador se destaque pela consistência e qualidade do nosso produto", enfatizam.

Em relação às vantagens competitivas do Equador, mencionam que a janela de produção é um fator chave. "Podemos abastecer o mercado entre setembro e abril, quando outros países não estão produzindo, o que nos permite obter margens melhores e atender à demanda contínua do consumidor", explicam. Além disso, as terras altas do norte do Equador oferecem condições climáticas excepcionais para o cultivo de abacate, com temperaturas ideais e luz solar constante graças à sua proximidade com a linha do Equador. Essas condições resultam em frutos maiores e de maior qualidade, com menor suscetibilidade a pragas e doenças.
Um futuro promissor para a indústria do abacate no Equador.
O futuro da indústria de abacate no Equador parece promissor. Com uma janela de produção estratégica e um compromisso com a qualidade, Diana e María José estão convencidas de que o Equador pode se tornar um ator-chave no mercado internacional de abacate. "Se continuarmos fazendo as coisas da maneira correta, inovando e unindo os produtores, o Equador consolidará sua posição como um dos principais atores no mercado global de abacate. As condições são favoráveis; agora é a nossa vez de aproveitá-las ao máximo", concluem.
Em resumo, a história da Irubiterra é um testemunho de perseverança, inovação e amor pela terra. Diana e María José Freile demonstraram que, com paciência, assessoria técnica adequada e uma visão clara, é possível levar um produto local para mercados internacionais e se posicionar como líder do setor. A Avobook tem orgulho de compartilhar essa história inspiradora.