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Níveis de estoque nos Estados Unidos antes do aumento das tarifas: os importadores estavam preparados para o "dia zero"?

Com a aproximação da data em que o presidente dos EUA, Donald Trump, planeja anunciar uma série de tarifas com o objetivo de reduzir a dependência de produtos estrangeiros e cumprir sua ambiciosa agenda econômica (huffingtonpost.es), a indústria do abacate se encontra em um estado de incerteza. Essas tarifas podem afetar uma variedade de produtos, incluindo automóveis, microchips, produtos farmacêuticos e produtos agrícolas como o abacate.

Em resposta à possível implementação de tarifas, os produtores mexicanos de abacate aumentaram suas exportações para os Estados Unidos nas semanas que antecederam o anúncio. Essa estratégia visa garantir uma presença maior no mercado americano antes que as novas tarifas entrem em vigor, permitindo que os importadores dos EUA acumulem estoques suficientes para mitigar possíveis interrupções no fornecimento.

A incerteza em torno da política comercial dos EUA também gerou preocupação na esfera econômica em geral. Segundo reportagens em jornais locais, o Ministro da Fazenda do México, Edgar Amador Zamora, enfrenta o desafio de ajustar as políticas econômicas em um contexto de desaceleração econômica e aumento das tarifas americanas. Além disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou diversos veículos de comunicação que a União Europeia tem capacidade para "revidar" e possui um "plano sólido" para responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O México dita o ritmo no mercado de abacates dos EUA.

Sergio Paz, gerente geral da Coliman Avocados de México, explicou que a demanda por abacates mexicanos se manteve estável e destacou que o acúmulo de estoques por parte dos importadores americanos foi fundamental para mitigar os efeitos da incerteza gerada pela ameaça de tarifas. Paz mencionou que, na semana 12, o México exportou 1.189 remessas de abacates para os Estados Unidos. Embora a demanda não tenha apresentado sinais de enfraquecimento, as exportações poderiam ter sido maiores se não fosse pelo feriado de segunda-feira, 17 de março. Apesar desse pequeno contratempo, não foram registradas fraquezas significativas no mercado, com exceção do tamanho 48, que apresentou algumas flutuações em sua movimentação, mas foi vendido com sucesso até o final de semana.

Paz também indicou que a demanda por tamanhos menores, como o tamanho 70, permaneceu forte, especialmente entre os varejistas que preferem embalar esses tamanhos em caixas plásticas reutilizáveis (RPCs), que são exibidas diretamente nas lojas. Segundo o gerente da Coliman, os preços na fazenda permaneceram estáveis e o fornecimento de frutas menores foi sustentado pela abundante produção no campo. Nesse sentido, ele destacou que, neste ano, diferentemente das temporadas anteriores, observa-se uma maior porcentagem de tamanhos menores, enquanto o tamanho 48, o mais comum em anos anteriores, teve uma presença relativamente menor.

Se a demanda por esses calibres menores continuar e os calibres maiores, como o 60, permanecerem bem abastecidos, o México não deverá ter problemas para suprir o mercado, o que contribuiria para uma maior estabilidade de preços. No entanto, com a aproximação do prazo para o anúncio das medidas, a incerteza quanto à implementação das tarifas permanece uma preocupação, embora Paz tenha enfatizado que tanto exportadores quanto importadores estão agora mais bem preparados para lidar com essas potenciais tarifas.

Por outro lado, o mercado interno registrou um aumento de preços, especialmente para tamanhos menores, que subiram até 70% nas últimas quatro semanas. Esse aumento reflete a tendência usual de preços mais altos antes da Páscoa, que este ano será celebrada entre 13 e 19 de abril.

Resiliência em tempos de incerteza

Antonio Villaseñor, diretor da Aztecavo, acrescentou que na semana passada o México colheu 29.733 toneladas de abacate, das quais 23.128 toneladas foram exportadas, representando uma produtividade de 77%. Embora os números sejam animadores, a temporada tem sido marcada por incertezas e desafios.

“Ontem, aproximadamente 3.500 toneladas que estavam em estoque da semana passada foram enviadas, demonstrando a eficiência do setor. Até a 12ª semana, foram colhidas 896.745 toneladas, com 767.523 toneladas exportadas, representando um rendimento de 86% para toda a temporada”, explicou Villaseñor.

Segundo Villaseñor, o setor está em suspense aguardando a decisão do presidente Trump sobre as tarifas de importação de abacate do México para os Estados Unidos. Por isso, espera-se uma safra expressiva de mais de 30 mil toneladas esta semana. A estratégia dos produtores é aumentar os estoques para lidar com a incerteza do anúncio. A área disponível para a colheita é de 42.793 hectares, praticamente a mesma da semana passada.

Por sua vez, Tomás de la Cuadra, analista de dados da Avobook, apresentou uma análise detalhada das tendências de exportação de abacate do México nas últimas semanas. Segundo sua análise, a décima semana registrou uma queda significativa nos embarques, atingindo apenas 35,5 milhões de libras. No entanto, a situação melhorou na semana seguinte, com uma recuperação para 50 milhões de libras, e na décima terceira semana, os embarques aumentaram em mais de 20%, chegando a 62 milhões de libras. Esse volume de exportação não era visto desde a quarta semana. Enquanto isso, a Califórnia também apresentou um aumento de 45%, contribuindo com 11 milhões de libras na décima terceira semana.

De la Cuadra enfatizou que esse aumento nas exportações mexicanas está em linha com as previsões dos analistas, que anteciparam essa forte alta para lidar com a incerteza gerada pelo possível anúncio de tarifas. Esse aumento nas exportações reflete a estratégia dos produtores de garantir uma presença mais forte no mercado americano antes da implementação das novas tarifas.

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