A associação de produtores de abacate do Peru prevê uma queda de 16% no volume total de remessas em 2024.
A Avobook conversou com Juan Carlos Paredes, presidente da ProHass no Peru, que explicou os fatores meteorológicos e agronômicos que interromperam a tendência de alta dos anos anteriores. No entanto, ele previu que a recuperação ocorrerá em 2025.
É fato que o volume total de abacates exportados pelo Peru para o mercado global será menor do que em 2023, quando esta safra se encerra. Essa queda representa uma mudança em relação à tendência de alta observada nos anos anteriores, mas espera-se que a recuperação comece na safra de 2025.
Quem afirma isso é Juan Carlos Paredes, que está em seu quarto ano como presidente da ProHass, associação que reúne os 75 principais exportadores de abacate do país e que tem plena consciência das condições que a fruta peruana tem enfrentado, cujo principal destino é o mercado europeu.
Em relação à queda projetada no volume para o final deste ano, Paredes afirma que a projeção do setor é de uma redução de 16%.
“A safra renderá um total de 550.000 a 560.000 toneladas em embarques para todos os mercados. Mas estávamos partindo de uma curva de crescimento de 15%, à medida que a área plantada aumentava”, explica ele.
A principal razão para esse declínio reside principalmente em fatores climáticos e, em menor grau, em alguns aspectos agronômicos associados à maturação das árvores.
Segundo Paredes, “houve áreas com 4 graus de temperatura acima do normal, em momentos em que os frutos deveriam estar se formando e a árvore deveria estar forte, com açúcares e energia, mas acabou produzindo menos frutos e não foi o suficiente para dar o impulso necessário”, explica ele.
Em relação aos fatores agronômicos, o presidente da ProHass alerta que o comportamento e o desempenho das árvores estão sendo observados atualmente, seis ou sete anos após o plantio, momento em que a experiência mostra que "a árvore demonstra os sucessos, mas também os erros cometidos nos primeiros anos".
No entanto, a associação de exportadores peruanos prevê que a próxima produção deverá recuperar parte do terreno perdido, considerando que as condições climáticas têm sido mais favoráveis.
“Este ano o clima está normal. Mas estamos percebendo que algumas coisas não são mais as mesmas: o fenômeno El Niño, que costumava ocorrer a cada 14 anos e que até considerávamos em nossas projeções de fluxo de caixa, agora ocorre a cada dois ou três anos. Às vezes, até mesmo todos os anos”, afirma Juan Carlos Paredes.
Por essa razão, as empresas agroexportadoras aprenderam a monitorar a safra "como se fosse um paciente na UTI".
“Se a árvore não quer comer, não a alimentamos. Estamos nos afastando cada vez mais da gestão florestal tradicional e caminhando para um manejo mais específico das árvores”, explica o presidente da associação de produtores de abacate do Peru.
Produtividade agrícola em áreas costeiras e de altitude
Em relação à produtividade das áreas de cultivo para a próxima temporada, a projeção para o altiplano peruano é de um volume maior, pois, segundo Paredes, “as plantas tiveram mais descanso. Também será um bom ano para o litoral peruano, então vemos uma perspectiva muito promissora.”
Em 2024, o Peru contava com mais de 200 exportadores de abacate atuando no mercado global. Alguns combinavam seus embarques de abacate com pimentas ou gengibre, e a diversidade de volumes era grande, com empresas enviando apenas dois contêineres e outras chegando a 4.000.
A Prohass possui 75 membros. A associação está trabalhando para criar sua própria marca, que oferecerá aos destinatários alguma garantia em relação aos produtos comercializados pelos membros da organização.
“Mais do que uma garantia de qualidade, é uma condição que permitirá aos compradores saber que nossas frutas provêm de produtores e instalações de embalagem que cumprem as normas e possuem uma base técnica sólida. Isso nos diferencia dos exportadores que enviam frutas com baixíssimo teor de matéria seca, por exemplo”, explica o líder da associação comercial.
A Espanha tornou-se um bom mercado para o Peru, fornecendo a fruta para atender à demanda em março e abril, meses em que o país não possui produção própria.
Tanto no Peru quanto na França, os produtos peruanos são muito apreciados. Paredes destaca que “nossas frutas conquistaram uma ótima reputação em termos de qualidade. Elas amadurecem bem e agradam aos consumidores”.
