Grace Ngungi: “Este é um ano excelente para os abacates quenianos”
A Avobook conversou com o CEO da Karakuta e membro da Associação de Exportadores de Abacate do Quênia, que detalhou os desafios enfrentados por essa região em termos de transporte, produção e reputação da fruta.
Nos últimos anos, o abacate queniano vem ganhando espaço no mercado global, com uma presença cada vez mais forte na Europa. Trata-se de uma origem promissora, que gera grande entusiasmo entre os principais importadores.A Avobook conversou com Grace Ngungi, CEO da Karakuta e membro da Associação de Exportadores de Abacate, que enfatiza que esse progresso foi resultado de um árduo esforço para melhorar a qualidade do produto exportado e a imagem do Quênia como país produtor.
Trata-se de uma tarefa levada a sério porque, inicialmente, a exportação de frutas de baixa qualidade prejudicou a reputação do país. Segundo o executivo, isso foi resolvido por meio de um trabalho intenso, que já está apresentando resultados positivos.
Grace Ngungi explica à Avobook que 2024 foi um ano particularmente desafiador para os exportadores quenianos.
“A implementação de uma janela de exportação controlada pelo governo, concebida para garantir a qualidade dos produtos exportados, teve consequências tanto positivas quanto negativas. Embora essa iniciativa vise aprimorar os padrões, neste ano prejudicou alguns exportadores devido às restrições impostas”, explica ele.

A guerra afeta as rotas de exportação.
Outro fator que tiveram de enfrentar foi a guerra entre a Palestina e Israel, que impactou negativamente as rotas de exportação.“As alterações necessárias nos portos de embarque aumentaram o tempo de trânsito em aproximadamente 15 dias, e a escassez de contêineres nos obrigou a optar por remessas aéreas mais caras”, afirma o CEO da Karakuta.
Apesar desses obstáculos, os exportadores quenianos exploraram novos mercados na China e no Oriente Médio, diversificando seus destinos e reduzindo sua dependência das rotas tradicionais.
Além disso, o Quênia é um país que soube aproveitar as oportunidades, inclusive algumas inesperadas, como a saída precoce do Peru do mercado e sua falta de mão de obra qualificada.
“Isso abriu uma janela de oportunidade para o Quênia, que se beneficiou de chuvas abundantes que permitiram que os abacates de tamanho grande (12-14) fossem comercializados, retomar suas exportações para a Europa, um mercado tradicionalmente importante para nossos abacates”, afirma um dos representantes mais reconhecidos dos produtores naquele país.
“2024 foi um ano excelente”
Segundo Grace Ngungi, 2024 foi um bom ano para o abacate queniano, em termos de produção e colheita.“Este ano foi excelente para o abacate queniano. Fatores externos apresentaram desafios comerciais significativos e, embora o resultado comercial ainda precise ser totalmente avaliado, as expectativas são otimistas”, afirma.
O futuro da produção de abacate no Quênia parece promissor. Espera-se que os volumes de produção continuem crescendo, assim como a área plantada.
“Há um consenso entre produtores, exportadores, centros de embalagem e a cadeia logística sobre a importância de proteger a qualidade e a reputação do Quênia como uma fonte confiável de abacates”, afirma Grace Ngungi.
No entanto, para que essa previsão se concretize, é essencial um compromisso coletivo com a melhoria e a manutenção de altos padrões de qualidade. Se isso acontecer, a posição do Quênia no mercado global poderá ser consolidada.
“À medida que o país supera os desafios atuais e explora novas oportunidades, a agricultura queniana, especialmente no setor de abacate, está bem posicionada para um crescimento sustentado nos próximos anos”, conclui o CEO de uma empresa membro da Associação de Exportadores de Abacate.
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