Galiza estuda o cultivo de abacate para reduzir a dependência das importações.
Os produtores galegos estão começando a investir nessa fruta com o objetivo de oferecer uma alternativa local, mais fresca e mais sustentável a um mercado quase inteiramente dominado pela América Latina.
O consumo de abacate na Espanha cresceu rapidamente nos últimos anos, mas 99% da fruta é importada, principalmente da América Latina. Essa dependência gera desafios de sustentabilidade, que vão desde o impacto ambiental e o uso intensivo de água até as condições de trabalho nos países produtores. Diante dessa situação, alguns agricultores galegos começam a enxergar uma oportunidade no cultivo local, especialmente em áreas com microclimas favoráveis, como as Rías Baixas, a bacia do rio Minho e Betanzos.
Atualmente, a Galiza possui entre 30 e 50 hectares dedicados ao cultivo de abacate, distribuídos por menos de uma dezena de propriedades. No entanto, o crescimento do setor será gradual, visto que a árvore leva entre cinco e oito anos para atingir a plena produção. Esse cenário é agravado pelo terreno fragmentado característico da região, que dificulta o desenvolvimento de plantações em larga escala. Os defensores do produto local enfatizam seu frescor e qualidade, destacando que os abacates galegos oferecem sabor e textura superiores graças ao clima e à disponibilidade de água da região.
Um dos pioneiros no cultivo dessa fruta é Juan Carlos Pérez, que produz até 5.000 quilos por ano em um hectare na região de Arousa. Sua colheita é vendida por cerca de três euros o quilo através de uma cooperativa, aproveitando a janela de mercado entre dezembro e março, quando a oferta internacional diminui. Pérez enfatiza a importância da qualidade em detrimento da expansão: “Menos cuidado, porém melhor, do que mais cuidado, porém negligente”, afirma, destacando que sua fruta possui maior teor de gordura vegetal e matéria seca, fatores que lhe conferem um sabor superior em comparação aos abacates importados.
Fonte: freshplaza.es