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O crescimento das exportações de abacate da Colômbia aproximou-se de 30% entre 2023 e 2024.

O setor é capaz de manter remessas semanais de mais de 200 contêineres durante períodos mais longos do ano, e uma excelente safra está prevista.

A Colômbia está experimentando crescimento tanto na produção quanto na capacidade de exportação de abacate. Com o fim da safra principal se aproximando, a perspectiva é positiva, principalmente porque o setor está saudável, com as principais empresas registrando um aumento no número de contêineres enviados. Espera-se que esse aumento ultrapasse 30%, com capacidade de fornecimento durante todo o ano, mas com períodos de pico bem definidos: para a principal empresa, entre novembro e janeiro; e para a empresa secundária, entre maio e julho.

“Em 2024 , a colheita principal ocorreu mais cedo e a produção na Colômbia está cada vez maior, tornando quase impossível separar as duas safras (entressafra e safra principal)”, explica Ricardo Mejía, gerente geral da Fruity Green e grande conhecedor das condições do setor em seu país.

Ele conta a Avobook que este foi um ano em que recebeu grande ajuda do "rei sol" - como ele o chama - porque este é o fator essencial que influencia as colheitas.

“Em janeiro de 2024, tivemos um verão muito bom, com muito sol, a floração foi muito intensa, a frutificação foi excelente e é isso que estamos colhendo agora”, descreve ele, observando que a produção tem sido muito boa.

Ele explica que a mesma situação ocorrerá com as frutas de safra intermediária: "Também será um bom desempenho porque em maio, junho e julho tivemos condições interessantes em 2024, e essas são as frutas que vamos colher em dois ou três meses, também em bons volumes."

O setor está crescendo 30%.

Segundo Ricardo Mejía, o crescimento tem sido muito forte, representando uma etapa crucial na evolução do setor: "A Colômbia definitivamente passou de adolescente para adulta na indústria do abacate, porque os volumes são significativos."

“Conseguimos manter mais de 200 contêineres por semana durante seis, sete ou até dez semanas. Antes, chegávamos a 100, depois subíamos para 200, mas na semana seguinte o número caía. Mas, há várias semanas, a partir da semana 45, temos tido uma média entre 180 e 220 contêineres, com picos ainda maiores. Portanto, o crescimento tem sido definitivamente exponencial em todos os sentidos, tanto para as empresas individualmente quanto para o setor como um todo”, comenta Mejía.

De fato, o gerente da Fruity Green descreve a temporada que está prestes a terminar como um período de "surpresas interessantes em termos de volume".

“Para referência, o ano civil de 2024 (janeiro a dezembro) fechou com um aumento de quase 30% em relação a 2023, com cerca de 1.600 contêineres a mais exportados . Foi um crescimento muito significativo”, observa ele.

Desafios: Colheitadeiras e declínio na Europa

Mas nem tudo foi fácil. Um dos maiores desafios surgiu com os colhedores, já que a colheita das frutas coincidiu com uma excelente colheita de café, que emprega quase as mesmas empresas terceirizadas que fornecem mão de obra para as tarefas.

“A logística da colheita do abacate está intimamente ligada à do café, porque muitos cafeicultores também colhem abacates. E quando há tanto café, nossa colheita atrasa um pouco, tornando-se muito longa. Fazendas e produtores têm tido facilmente dois ou três meses de colheitas seguidas, porque a matéria seca continua aumentando”, diz Ricardo Mejía.

Outro desafio surgiu na esfera comercial, já que as frutas tiveram que ser redirecionadas da Europa para os Estados Unidos porque as condições comerciais deixaram repentinamente de ser favoráveis.

“A Europa registrou uma queda significativa em novembro e dezembro devido à diversidade de origens da fruta. Essencialmente, o que os importadores nos dizem é que o principal fator para esse declínio foi o grande volume de frutas exportadas do Marrocos, país que produz frutas de altíssima qualidade e está localizado muito próximo de nós, no Mediterrâneo. Obviamente, com Marrocos, Chile, Israel e Espanha disputando nossa atenção, a Colômbia deixou de ser uma das principais opções na Europa. Portanto, precisamos explorar outras alternativas, e é por isso que os Estados Unidos se tornaram um mercado crucial para nós nesta temporada”, explica o executivo.

Isso alterou as decisões nos escritórios: embora a campanha mais forte da Colômbia para os Estados Unidos seja a "traviesa" (um tipo de fruta), a partir da semana 50, aproximadamente, entre 60 e 70% da fruta começou a ser destinada aos Estados Unidos.

“A Europa está agora a registar uma ligeira recuperação, mas, no final da época, temos um elevado teor de matéria seca, o que torna os embarques para esse continente pouco viáveis. Por isso, continuamos a concentrar-nos nos Estados Unidos, que têm um tempo de trânsito muito mais curto e permitem-nos trabalhar com um teor de matéria seca ligeiramente superior”, explica Mejía.

As experiências positivas no setor também foram importantes para a Fruity Green, que superou esses desafios sem interromper o crescimento de suas remessas.

“No caso específico da Fruity Green, esta campanha é praticamente o dobro do que fizemos no ano passado, quando enviamos 230 contêineres. Ao final desta campanha, já chegamos a 430. E estamos em linha com o setor. Estávamos focados na Europa pelo menos até a semana 46-47, quando percebemos que o mercado havia caído tanto que começamos a direcionar nosso foco muito mais para os Estados Unidos”, explica ele.

Crescimento sustentável até 2025

Segundo o gerente geral da Fruity Green, em entrevista à Avobook, a quantidade de frutas colhida em novembro e dezembro desta campanha principal foi muito maior do que a colhida em 2023.

“O pico se concentrou realmente em janeiro e fevereiro, o que altera um pouco os números quando os analisamos em termos anuais. Mas acredito que o crescimento continuará. Não sei se atingirá novamente os níveis de 25-30%, mas pelo menos ficará entre 15 e 20% em 2025, considerando que teremos uma forte entressafra e que também estamos em algumas semanas de um verão muito bom. Portanto, a floração nas fazendas está boa, e esta flor que estamos colhendo agora será a principal safra que começará em setembro de 2025”, explica.

Além disso, há um fator relevante: o início das fases de maturação da produção: “Há projetos muito grandes que estão começando suas fases de pico de produção, chegando aos anos 4, 5 e 6, e isso é muito positivo. E o aspecto mais positivo do setor é que muitas das safras com mais de 8, 9 ou 10 anos, que estavam com dificuldades para se recuperar, se recuperaram muito bem e estão produzindo cada vez mais frutos. Portanto, acredito que 2025 continua sendo um ano muito promissor para o setor.”

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