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Fatores climáticos afetarão o volume anual de abacates mexicanos nos Estados Unidos.

Segundo Antonio Villaseñor, proprietário da Aztecavo e colunista da Avobook, os abacates mexicanos recuperarão sua posição no mercado norte-americano a partir de agosto.

Há várias semanas, o Relatório Avobook vem mostrando uma queda na participação do abacate mexicano no mercado americano. Essa tendência se repete esta semana, embora o relatório esclareça que se trata mais de uma pequena flutuação no desempenho da fruta proveniente daquele país.

Isso porque os números mostrarão uma recuperação gradual à medida que a colheita da "flor louca", característica deste período, começar a ganhar força, após o esgotamento das colheitas anteriores em Jalisco e Michoacán.

Essa ideia é reforçada por Antonio Villaseñor, que conhece esse estado mexicano como a palma da mão, como presidente da empresa exportadora Aztecavo. Ele também é colunista frequente da Avobook.

Conforme ele declarou à Avonews, "de fato, os abacates mexicanos vêm perdendo participação de mercado e agora estão em torno de 55%".

“Em fevereiro, março e parte de abril, tínhamos 80% do mercado. Depois, entraram a Califórnia e o Peru, o que sempre acontece quando o México tem menos frutas. Isso ocorre entre maio e julho”, explica ele.

No entanto, como se pode ver nos registros do Relatório Avobook, trata-se de um fenômeno breve, pois – como descreve Villaseñor – "O México tem o curioso fato de haver um período em que as duas colheitas podem se sobrepor. Às vezes, em junho, julho e agosto, podemos ter frutos novos e frutos velhos ao mesmo tempo."

“Talvez nas próximas semanas cheguemos a 50% e nos mantenhamos nesse patamar durante junho e julho. Mas, a partir de agosto, o México aumentará gradualmente sua presença nos Estados Unidos, atingindo 85%, 90% e 95%, o que coincidirá com a saída do Peru e da Califórnia, os dois principais produtores”, explica Antonio Villaseñor.

Volume de abacates provenientes do México inferior ao de 2023.

No entanto, em termos globais, a produção de frutas desse país acabará tendo um volume menor em comparação com o desempenho de 2023.

“Esta colheita que estamos terminando é praticamente uma colheita baixa. Isso significa que há menos do que no ano passado. Acreditamos que haverá muito mais no próximo ano, mas também temos que levar em consideração as condições climáticas e, principalmente, a precipitação, que normalmente ocorre aqui em Michoacán entre junho e outubro”, alerta Antonio Villaseñor.

Um dos fatores por trás desse declínio é justamente o clima, já que "o ano passado foi uma das temporadas mais secas da história e, obviamente, isso afetou a produção".

“Já deveríamos estar entrando na estação chuvosa, embora em algumas áreas ainda não tenha chovido, ou tenha chovido muito pouco. Portanto, esse fator será definitivamente importante para avaliarmos se na próxima temporada teremos uma colheita muito maior do que a desta”, afirma.

Escassez de chuvas: um fator que a indústria de abacate do México precisa enfrentar.

A falta de chuvas é um fator a ser considerado, já que em outras origens – como no Chile – ela tem sido um fator determinante na redução da produção.

No caso do México, isso é particularmente importante, considerando que a maioria de seus campos essenciais para a indústria depende da chuva para irrigação.

“Na minha opinião, o clima é algo que já precisamos abordar no México. O aquecimento global está afetando diferentes áreas. Por exemplo, antes havia lugares onde o plantio era impossível por ser muito frio, e agora parece que é. E há áreas que costumavam ser temperadas e agora estão ficando um pouco mais quentes, e a questão da escassez de água é algo que precisamos considerar. Ter sistemas de irrigação mais eficientes nos permitirá lidar com essa variável”, alerta o colunista da Avobook.

E ele é categórico quanto à seriedade com que o assunto deve ser encarado: "O que eu vejo é que não se trata de algo passageiro e que pode nos afetar de maneiras diferentes a cada ano."

Produção de abacate em Michoacán depende das chuvas

Ciente do que está acontecendo em sua região, Antonio Villaseñor destaca que o controle das variáveis climáticas é muito relevante para Michoacán, pois grande parte da produção depende das chuvas.

“O problema no México é que possivelmente 60% a 65% dos pomares estão em Michoacán, e aqui, as plantações dependem da água da chuva. Alguns estados têm sistemas de irrigação, principalmente por aspersão, e alguns produtores são mais avançados tecnologicamente do que outros. Mas definitivamente precisamos analisar como tornar a irrigação mais eficiente. Se devemos mudar para irrigação por gotejamento ou outro sistema são questões que terão que ser analisadas”, diz o proprietário da Aztecavo.

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