Clique aqui para ir diretamente ao conteúdo

As exportações chilenas de abacate para a Argentina crescem 25% sem promoção.

O diretor executivo do Comité do Abacate, Francisco Contardo-Sfeir, analisa a atual atratividade das exportações para a Argentina: regista-se um aumento de 25% de uma campanha para a outra.

A Argentina está a tornar-se um mercado atrativo para o abacate, especialmente para a fruta chilena, que só precisa de atravessar a fronteira para chegar aos consumidores finais. Embora os números estejam a ser analisados com cautela, a curva de crescimento sugere um cenário promissor.

Francisco Contardo-Sfeir, presidente do Comité Chileno de Abacate Hass, disse à Avobook que "se compararmos a época de 2024-25 com a de 2023-24, o crescimento das exportações para a Argentina foi de cerca de 25%".

Há outro facto que mantém o ânimo elevado: este crescimento foi cem por cento orgânico. Ou seja, sem qualquer promoção para incentivar o consumo.

“Ninguém está a fazer campanha na Argentina. Nem no Chile, nem em qualquer outro país. Tivemos algumas conversas com profissionais da ProChile (a instituição responsável pela promoção internacional das exportações chilenas) na Argentina e com alguns beneficiários, para perceber o que está a acontecer e como aproveitar esta oportunidade”, comentou Contardo nesta conversa com a Avobook.

– E que circunstâncias contribuíram para esse crescimento?

“Por um lado, há a questão do rendimento disponível e, por outro, os argentinos estão a dar maior ênfase ao bem-estar . Isso chamou-me a atenção. A Argentina já se vinha envolvendo com estes temas, mas agora também se virou para a alimentação, e o abacate está a integrar-se cada vez mais na dieta diária, com diferentes formas de o consumir. Antes, era difícil encontrar abacate num restaurante. Agora vai-se e encontra-se no menu.”

– Portanto, uma compreensão mais universal do abacate como um superalimento ajudou

“Discutimos isto no Congresso Latino-Americano do Abacate, no Peru: ninguém fez campanha na Argentina, por isso tem sido mais um fenómeno internacional, por assim dizer, porque também não houve qualquer promoção nas plataformas digitais. A única coisa que existiu foi algo que fizemos no Chile, há 5 ou 6 anos, através de uma conta nas redes sociais, onde basicamente falámos sobre aspetos nutricionais, tentando gerar este amor por este superalimento. Como setor, deixámos de nos focar apenas na Argentina e alargámos o nosso alcance. Mas nada como uma campanha, ninguém fez parecido.”

– O que significa este crescimento de 25% em volume? Quanto está a ser exportado para a Argentina hoje?

“Há um dado muito interessante: desde o início da época, na semana 28, até à semana 50, a comparação entre a época 2025-2026 e a época 2024-2025 mostra um aumento de 48,1% nas exportações. E, se compararmos a época 2025-2026 com a época 2023-2024, o aumento é de 262%. O crescimento tem sido enorme, sobretudo tendo em tem uma janela de exportação mais longa, basicamente por ser nosso vizinho.”

– Além disso, o trabalho no campo pode ser gerido de forma a garantir que a fruta chega em boas condições a um mercado em crescimento.

“Exatamente. De certa forma, a Argentina é para nós o que os Estados Unidos são para o México.”

Poderá isto significar que o volume de remessas para um mercado específico, como os Estados Unidos ou a Europa, terá de ser reduzido?

“Hoje, neste momento, isso não pode ser previsto. O que é claro é que, até agora, não houve substituição, dado que este crescimento significativo na Argentina está a acontecer agora. Além disso, como é um mercado para o qual a fruta pode ser enviada de um dia para o outro, não há substituição, nem há menos fruta no mercado interno. A Europa também está a ser abastecida normalmente, assim como os Estados Unidos e todos os outros mercados. Não sabemos se isto terá impacto noutros mercados no futuro, porque só agora estamos a viver este fenómeno.”

– Qual é o volume, em toneladas, das exportações para a Argentina?

“Até à data, exportámos cerca de 20.000 toneladas. E na época 2024-2025, durante o mesmo período, exportámos 13.500 toneladas.” Há progressos significativos, mas é um processo lento. Os volumes exportados para outros mercados são muito superiores.

– E quanto aos preços? Como garantir que o entusiasmo pelo envio de fruta para a Argentina não afeta o preço, enviando mais do que o mercado pode absorver?

“Atualmente, mesmo que um mercado tenha uma procura mais elevada, isso não se traduz automaticamente em preços mais elevados. O nosso setor é bastante organizado, formal e estruturado. Obviamente, pode haver algumas exceções, mas esta não é a regra geral. Falei com alguns compradores que me disseram: ‘Vocês são tão organizados que tratam todos da mesma forma’. E isto é verdade: tratamos todos de forma igual, independentemente do volume que compram. Vemos isto como uma oportunidade para um crescimento ordenado, aproveitando a nossa excelente reputação como produtores de frutas e abacates chilenos, onde seguimos programas e não somos oportunistas em termos de criação de volatilidade de preços.”

– Embora não haja nenhuma campanha em curso neste momento, tendo em conta os resultados, planeiam tomar alguma medida para estimular conscientemente este crescimento mais rapidamente?

“Sim, estamos a analisar. Aliás, estamos em contacto com a ProChile aqui e na Argentina para reunir todas as informações que nos ajudarão a decidir se vamos lançar uma campanha. Acreditamos que isso poderá ser muito positivo para o nosso mercado e para a Argentina.”

Tags

Artigos relacionados

Perú celebra el Día Nacional de la Palta y reconoce a una industria de alcance global
Perú celebra el Día Nacional de la Palta y reconoce a una industria de alcance global

Este 21 de agosto, el país conmemora una fecha creada que reconoce el valor productivo y social de uno de sus principales productos agroexportadores.

Ver mais
Francisco Contardo y el arranque de la temporada de palta: “No esperamos un impacto en la oferta disponible para el mercado”
Francisco Contardo y el arranque de la temporada de palta: “No esperamos un impacto en la oferta disponible para el mercado”

Tras las lluvias, vientos y heladas de las últimas semanas, Paltas de Chile estima pérdidas acotadas de entre 4% y 7% sin prever cambios en la oferta ni en el calendario de la temporada 2026-2027.

Ver mais
Calibres pequeños abundantes y fruta grande escasa ¿Qué ocurre con los precios en EE. UU.?
Calibres pequeños abundantes y fruta grande escasa ¿Qué ocurre con los precios en EE. UU.?

La cosecha mexicana comenzó con alta presencia de fruta pequeña, mientras la menor oferta de calibres grandes amplió la brecha de precios.

Ver mais