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As exportações chilenas de abacate projetam uma temporada favorável.

Um dos fatores que influenciariam um bom desempenho comercial para os abacates chilenos é a abertura antecipada do mercado europeu e uma presença quase exclusiva durante três meses cruciais para as exportações.

A perspectiva para a temporada de exportação de abacate chileno de 2024 é promissora. Pelo menos essa é a projeção de Carmen Gloria Lüttges, gerente de vendas de abacate da Westfalia Chile, que explica que as condições atuais e as previsões apontam para uma temporada promissora para uma fruta com alta demanda em todos os mercados.

Isso apesar da redução na área cultivada que ocorreu nos últimos 13 anos, devido à seca que afetou a região centro-norte do Chile, que é o coração produtivo do abacate naquele país.

No entanto, isso não diminuiu a demanda pelas exportações chilenas, que nas próximas semanas chegarão principalmente à Europa, destino que absorve quase 75% dos abacates chilenos.

Como lembra Carmen Gloria Lüttges: “Nas últimas duas temporadas, exportamos quase 90 milhões de quilos de abacates do Chile. Alguns anos é mais, outros menos, mas a verdade é que lá fora sempre querem mais. A fruta chilena é a mais procurada durante os meses em que o Chile está presente.”

Ao contrário do que está acontecendo no Peru e na Colômbia, o fenômeno climático "El Niño" trouxe chuvas que são um alívio para os produtores, contribuindo para as condições produtivas, a qualidade e o tamanho da fruta, justamente quando se espera uma abertura antecipada do mercado europeu, o que poderá garantir preços favoráveis e menos concorrência por um período significativo.

Abertura antecipada do mercado europeu e decisões importantes em novembro.

De acordo com o executivo da Westfalia, uma das principais vantagens desta temporada será a abertura antecipada do mercado europeu, devido à saída precoce do Peru — um dos principais atores do continente. Isso criará uma janela de oportunidade para o Chile entrar no mercado a partir de agosto praticamente sem concorrência.

“A temporada de 2024 está se configurando como semelhante à do ano passado, com a diferença de que esperamos começar com um volume semanal maior desde o início. Isso porque o Peru está passando por uma queda significativa em suas exportações. Essa queda está atualmente em 10%, embora 70% da temporada já esteja em andamento”, explica ele.

Os dados sugerem que o último terço restante para o Peru terá um volume menor do que o estimado.

“Além disso, o tamanho menor da safra em comparação com outros anos resultará em um fim precoce da temporada, permitindo que o Chile entre na Europa mais cedo e aproveite a escassez de frutas nos meses de setembro, outubro e novembro, quando há poucas origens comercializando seus produtos”, comenta Lüttges.

O executivo explica que, “durante esses meses, as frutas chilenas estão presentes na Europa ao mesmo tempo que as colombianas, mas o produto colombiano é geralmente menor. As frutas chilenas são mais procuradas do que as colombianas quando ambas estão disponíveis. Portanto, o Chile poderia estar praticamente sozinho na Europa durante setembro, outubro e novembro, com perspectivas muito boas, especialmente para os tamanhos maiores.”

Com o fim de novembro e dezembro se aproximando, os "países locais", como Espanha, Israel, Portugal e Marrocos são chamados na Europa, começam a colheita.

“Nesse ponto, dependendo dos volumes provenientes desses países, o Chile precisa analisar se a exportação se justifica para garantir bons retornos aos produtores, pois, ao mesmo tempo, os preços no mercado interno podem começar a subir e se tornar mais atrativos”, explica Lüttges.

Fatores climáticos e seu impacto na estação do ano

O fenômeno El Niño trouxe chuvas abundantes que beneficiaram as regiões produtoras de abacate no Chile: Coquimbo e Valparaíso, em seus vales interiores. Isso não só melhora o tamanho dos frutos, como também reduz o estresse hídrico nas plantações, um problema recorrente nos últimos anos devido à seca prolongada.

“Agradecemos ao El Niño pelas chuvas abundantes que tivemos. Isso proporcionou um grande alívio para as regiões do norte do país nesta temporada, permitindo uma melhor colheita de frutas. As chuvas trouxeram apenas aspectos positivos para o setor”, explica Lüttges.

A situação é diferente com o fenômeno La Niña, previsto para os próximos meses, trazendo vantagens e desvantagens, pois pode provocar frio e afetar alguns produtores, principalmente nas áreas mais baixas das plantações, onde as temperaturas podem cair significativamente.

“Esse fenômeno pode gerar geadas que impactarão a produção deste ano e do próximo, dependendo da data. Apesar desses desafios, a expectativa é de que o menor calor do verão também seja benéfico, reduzindo a necessidade de irrigação e diminuindo o estresse hídrico nas plantas. Além disso, as temperaturas mais baixas ajudarão a minimizar o risco de incêndios, uma preocupação constante nas áreas agrícolas durante os meses de verão”, explica ele.

Concorrência e Mercados Internacionais

O gerente comercial de abacates da Westfalia Chile explica que o mercado europeu continuará sendo o principal destino dos abacates chilenos, com uma demanda crescente, que é atendida pela grande capacidade do país de possuir todos os tamanhos e certificações necessários.

“A Espanha e a Itália, por exemplo, preferem calibres grandes, enquanto os países escandinavos optam por calibres pequenos. Essa diversidade de preferências permite que o Chile adapte sua oferta e maximize suas oportunidades de exportação”, afirma.

“O consumo de abacate na Europa ainda tem muito espaço para crescer. Países como Espanha e Itália estão aumentando o consumo a taxas de crescimento de dois dígitos. A educação do consumidor sobre como consumir abacate ainda está em desenvolvimento, o que abre mais oportunidades para nós. No caso da China, o consumo aumentará quando a fruta começar a amadurecer, e já existem importadores instalando ou adaptando câmaras de maturação”, destaca Lüttges.

Distribuição percentual do abacate chileno nos mercados

Segundo dados fornecidos por Carmen Gloria Lüttges, o principal destino do abacate chileno é a Europa, para onde se destina cerca de 75% da produção exportada.

Apenas 5% são enviados para os Estados Unidos, enquanto aproximadamente 11% permanecem no mercado latino-americano (principalmente na Argentina). A Ásia representa 9% dos embarques.

A distribuição entre exportações e consumo local depende das características de cada safra, mas o mercado interno é reconhecidamente muito forte. Em média, o Chile exporta entre 50% e 55% de seus abacates e vende entre 45% e 50% no mercado interno, dependendo do ano.

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