Clique aqui para ir diretamente ao conteúdo

Europa e a diversidade de atores: haverá o suficiente para todos?

Neste continente, a procura por abacates continua a crescer, e o grande número de países fornecedores continuará a disponibilizar uma variedade de tamanhos para satisfazer a procura. Mas até que ponto é que esta diversidade pode coexistir?

O mercado europeu de abacate tem duas características principais: primeiro, está em crescimento. Em ritmo lento, mas está crescendo. E segundo, é abastecido por múltiplas origens. O Peru lidera, respondendo por cerca de 40% da fruta comercializada no continente. Abaixo do Peru, os demais exportadores atravessam um período em que o crescimento de alguns influencia as decisões comerciais de outros.

Diante dessa situação, surgem diversas questões para entendermos o que está acontecendo nesse mercado: Existe um equilíbrio entre o crescimento do consumo e a oferta de abacates de diferentes origens na Europa? Tantas origens podem continuar coexistindo em um mercado consumidor que cresce a uma taxa não superior a 10% ao ano?

A revista “AvoMagazine” apresentou essas questões a dois especialistas no mercado de abacate na Europa: o experiente Víctor Ruete, consultor da Tropical Millenium, empresa pertencente à Baika; e Fabrice de Jonge, ex-executivo da empresa holandesa Groot Fresh Group, que agora é proprietário de sua própria importadora, a Exoticals.

Ambos concordam que o potencial de crescimento é muito grande e, portanto, existem condições para um cenário com múltiplos fornecedores.

“A Europa ainda apresenta um grande potencial de crescimento no consumo de abacate. Atualmente, o consumo anual per capita na região é estimado em pouco mais de 1 quilo, enquanto nos Estados Unidos chega a quase 4 quilos por ano. Além disso, é importante considerar que existem países com alto potencial de demanda que não fazem parte dos 27 membros da União Europeia ou do Reino Unido. Isso indica que a oferta pode continuar a se expandir para atender a uma demanda que ainda tem espaço para crescer”, comenta Víctor Ruete.

Víctor Ruete, diretor da Tropical Millenium, empresa pertencente à chilena Baika

Víctor Ruete, diretor da Tropical Millenium, empresa pertencente à chilena Baika

É claro que a dinâmica dessa evolução não é uniforme em todo o continente. Algumas regiões, como a Europa Oriental, estão impulsionando esse aumento. Fabrice de Jonge explica isso apontando que a curva ascendente não é tão acentuada quanto nos anos anteriores, quando girava em torno de 13% ao ano. Agora, esse número é menor, com uma média de 10%, mas com algumas áreas se destacando mais do que outras.

“Por exemplo, há uma demanda crescente na Polônia, que está experimentando um aumento em seu poder de compra. Observamos uma demanda considerável na Escandinávia, Espanha e França, devido ao consumo em quilogramas per capita. Também observamos uma demanda considerável no Reino Unido e na Alemanha, devido ao tamanho desses países”, explica ele.

O impacto dos fornecedores emergentes

Outra diferença crucial em relação aos Estados Unidos reside no número e tamanho dos países fornecedores. Nos EUA, aproximadamente 85% dos abacates vêm do México, enquanto na Europa, vários países são fornecedores.

“Muitos desses países exportadores compartilham as mesmas épocas de produção, o que os torna mais ou menos competitivos, dependendo da sazonalidade e da sua capacidade de diversificar o fornecimento. O Peru, por exemplo, representa cerca de 40% do mercado europeu, enquanto o restante se divide entre pelo menos dez origens diferentes. Nesse contexto, a estratégia de cada país para posicionar suas frutas é fundamental em um ambiente altamente competitivo”, alerta o consultor da Tropical Millennium.

É aí que se pode detectar a grande qualidade que é atualmente apreciada na Europa: movimentos dinâmicos na quota de mercado.

“A indústria do abacate é fortemente influenciada por fatores climáticos que impactam significativamente a produção, de modo que cada safra apresenta variações na oferta. No entanto, observa-se crescimento na produção e participação de novas origens. Um exemplo é a Colômbia, que conseguiu se posicionar como a terceira maior exportadora mundial de abacates Hass, seguida de perto por países emergentes como Marrocos e Quênia. Além disso, novos atores como Brasil, Tanzânia, Moçambique, Guatemala e Equador estão aumentando sua presença no mercado. Com a constante adição de novos hectares à produção, espera-se que a dinâmica da participação de mercado continue a evoluir nos próximos anos”, explica Víctor Ruete.

De fato, o final de 2024 mostrou alguns sinais dessa tendência. Um deles foi a entrada expressiva de Marrocos no mercado, com considerável força, tanto em volume quanto em qualidade, estendendo sua campanha — pelo menos — até o final de fevereiro.

A evolução das suas colheitas poderá influenciar as decisões comerciais de outras origens. De facto, Víctor Ruete afirma que “a entrada de Marrocos no mercado europeu tem sido significativa e impactou o fornecimento de outras origens, como a fruta de final de época do Chile, a produção precoce do Peru e, sobretudo, os fornecedores do Mediterrâneo. A maioria dos pomares marroquinos ainda é jovem, o que significa que muitos hectares se encontram em fase de desenvolvimento e ainda não atingiram a plena maturidade produtiva.”

Na opinião dele, a curto prazo, essa nova condição representa um desafio para outros produtores, como Israel, Espanha e Portugal, que terão de se adaptar a uma maior concorrência na temporada de inverno, tradicionalmente mais restrita em termos de oferta.

Fabrice de Jonge, proprietário da empresa importadora Exoticals.

Fabrice de Jonge, proprietário da empresa importadora Exoticals.

Fabrice de Jonge concorda com essa visão, pois Marrocos tem outra vantagem: o preço é mais baixo porque o país não possui um mercado interno tão forte quanto o do Chile, e este está crescendo significativamente. "Estimo que este ano eles tiveram um crescimento de quase 50% em comparação com o ano passado, passando de 60.000 toneladas para aproximadamente 90.000", explica de Jonge.

“Olhando para o futuro, o crescimento contínuo de Marrocos poderá alterar ainda mais a dinâmica do mercado”, afirma Ruete.

Calibres diversos como chaves estratégicas

Outra característica que o mercado europeu de abacate demonstra é a procura por diferentes tamanhos, dependendo do tipo de comprador e dos países de destino. Por esta razão, Fabrice de Jonge acredita firmemente que diferentes origens podem coexistir na região, pois um fator determinante para o sucesso de qualquer origem é ter o volume e os tamanhos adequados, dependendo da época do ano e do país que demanda a fruta.

“Voltando ao exemplo de Marrocos, é importante considerar que o crescimento deles se concentra em frutas de tamanho grande. Eles não têm frutas pequenas. É por isso que estamos atualmente (meados de fevereiro) sentindo uma pressão significativa no mercado para os tamanhos 12, 14 e 16. É por isso que precisamos buscar frutas de outras origens. Por exemplo, eu compro da Colômbia, que tem tamanhos de 20 a 32. Essa é a vantagem de ter múltiplas origens, porque cada mercado local demanda frutas diferentes”, explica ele.

De Jonge destaca que, de modo geral, os tamanhos mais procurados na Europa continuarão sendo entre 16 e 22. Mas, “embora um tamanho como 18-20 possa ser vendido em vários países, não é a mesma coisa em todos os lugares: aqui na Holanda, não comemos um tamanho grande como 12-14. Essa fruta é mais comum no sul da Europa, como Espanha e Itália. Tamanhos menores são mais procurados no norte da Europa, como na Escandinávia”, explica ele.

Desafios: logística e tempos de viagem

Os volumes de produção local (mediterrâneo e europeu) são insuficientes para atender à demanda. Portanto, o fornecimento do Peru, Colômbia, Chile e outras origens latino-americanas é essencial. Mas o mesmo se aplica à África do Sul, Quênia, Tanzânia e outras partes da África, que identificaram oportunidades, embora não sem desafios.

“A qualidade é um fator crucial no comércio de abacate, especialmente para frutas exportadas, que exigem um manuseio logístico rigoroso. Nos últimos anos, os problemas logísticos têm afetado significativamente o setor, com desafios como a falta de espaço nos navios, a escassez de contêineres, a congestão portuária e tempos de trânsito mais longos do que o habitual”, alerta Víctor Ruete.

Ele acrescenta: “Isso é agravado pelas dificuldades logísticas nos países de origem, bem como pelas limitações na capacidade local de processamento e transporte. Esses fatores não afetam apenas a qualidade do produto final, mas também impactam a demanda e, consequentemente, os preços de mercado. Nesse sentido, a eficiência logística continuará sendo um aspecto crítico para garantir a competitividade das diversas origens.”

Fatores como o clima podem continuar a influenciar a dinâmica da oferta. Portanto, o conselho de Víctor Ruete é tão importante: "O setor deve permanecer atento aos desenvolvimentos do mercado para ajustar as estratégias de marketing de acordo."

Tags

Artigos relacionados

Perú celebra el Día Nacional de la Palta y reconoce a una industria de alcance global
Perú celebra el Día Nacional de la Palta y reconoce a una industria de alcance global

Este 21 de agosto, el país conmemora una fecha creada que reconoce el valor productivo y social de uno de sus principales productos agroexportadores.

Ver mais
Francisco Contardo y el arranque de la temporada de palta: “No esperamos un impacto en la oferta disponible para el mercado”
Francisco Contardo y el arranque de la temporada de palta: “No esperamos un impacto en la oferta disponible para el mercado”

Tras las lluvias, vientos y heladas de las últimas semanas, Paltas de Chile estima pérdidas acotadas de entre 4% y 7% sin prever cambios en la oferta ni en el calendario de la temporada 2026-2027.

Ver mais
Calibres pequeños abundantes y fruta grande escasa ¿Qué ocurre con los precios en EE. UU.?
Calibres pequeños abundantes y fruta grande escasa ¿Qué ocurre con los precios en EE. UU.?

La cosecha mexicana comenzó con alta presencia de fruta pequeña, mientras la menor oferta de calibres grandes amplió la brecha de precios.

Ver mais