Entre maio e julho, pode haver uma concentração de abacates peruanos no mercado.
Este é o cálculo de Mario Bazán Alburqueque, gerente geral da Phartec Produce, baseado nas condições climáticas que influenciarão as colheitas de Olmos.
Os abacates peruanos, um componente essencial da cadeia de abastecimento europeia, enfrentam uma temporada marcada por desafios climáticos e comerciais. O alerta vem de Mario Bazán, gerente geral da empresa exportadora Phartec Produce, que possui uma ampla rede de produtores. Ele prevê uma maior concentração da oferta entre maio e julho, o que poderá gerar desafios logísticos e de marketing no mercado internacional.
Com uma trajetória de quase dez anos no comércio internacional de produtos agrícolas, Bazán lidera uma empresa que trabalha com 150 produtores peruanos, desde pequenos agricultores a produtores de médio porte com extensões de 40 a 60 hectares.
A Phartec Produce, que opera exclusivamente com frutas de terceiros, planeja exportar cerca de 170 contêineres de abacates Hass nesta temporada, abastecendo principalmente o mercado europeu, continente que é fortemente influenciado pelas campanhas de abacate peruanas.
Condições climáticas díspares
As condições climáticas criaram uma situação atípica nos pomares de abacate. Segundo Bazán, algumas regiões, como as terras altas, o sul e partes do litoral, registraram redução na produção devido aos eventos climáticos adversos. Esse impacto é mais perceptível entre os pequenos produtores, embora alguns produtores de médio porte também tenham relatado dificuldades.
Em contrapartida, a maioria dos produtores associados à ProHass demonstrou estabilidade em seus volumes de produção, gerando incerteza quanto à verdadeira tendência nacional. "Uma tendência clara ainda não emergiu, o que impactará o planejamento da campanha", afirmou o executivo.
Projeções de produção e variações de calibres
As primeiras estimativas para a temporada de 2025, apresentadas na feira de Berlim, apontam para uma produção de aproximadamente 600.000 toneladas métricas, o que representaria um aumento de 10% em comparação com 2023 e cerca de 100.000 toneladas a mais do que em 2024.
No entanto, Bazán explica que, embora tenha sido observado um aumento no peso médio dos frutos, também houve uma redução na produção por árvore. "Estamos otimistas, mas é cedo demais para dizer se esse aumento no tamanho compensará a redução na quantidade", esclarece.
Concentração do fornecimento de abacate do Peru
Na sexta semana, os volumes de exportação foram menores, em parte porque o mercado europeu ainda conta com um bom abastecimento de frutas de bom tamanho provenientes de fontes locais e outras. No entanto, Bazán prevê uma maior concentração da oferta entre maio e julho, especialmente porque os pomares de Olmos, que sofreram atrasos devido à falta de água, coincidirão com a produção em La Libertad.
Este cenário representa um desafio para os exportadores, uma vez que um pico de oferta num curto período pode pressionar os preços e a logística. "Será um ano desafiador, em que a criatividade e a colaboração com parceiros estratégicos serão fundamentais", afirma o gerente da Phartec Produce.

Destinos dos abacates da Phartec Produce
O principal mercado da Phartec Produce é a Europa, onde abastece cadeias de supermercados na Espanha, França, Alemanha e Itália. "Desenvolvemos uma metodologia de trabalho que nos permite oferecer um produto consistente em termos de qualidade e um serviço confiável, o que nos possibilitou consolidar nossa posição nesses mercados exigentes", afirma Bazán.
Para atingir esse objetivo, a empresa trabalhou com os produtores para obter as certificações internacionais necessárias. "Isso nos posiciona como um fornecedor estratégico para nossos clientes", afirma o gerente geral da empresa peruana.