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“O mercado de abacate na Guatemala é pequeno, mas muito competitivo.”

Rodolfo Anleu, gerente geral do Grupo Hass, relata sua trajetória de mais de uma década como exportador de abacate na Guatemala. Desde seus primórdios no comércio local até se consolidar como líder em exportações para a Europa e América Central, Anleu revela os desafios do setor, a curva de aprendizado e as oportunidades que se apresentam para a Guatemala no mercado global, com foco especial na abertura do mercado americano.

Nos últimos anos, a Guatemala experimentou um crescimento notável em sua capacidade de produção e exportação de abacates Hass, tornando-se uma concorrente emergente no cenário global. Apesar da crescente demanda por esse "ouro verde" em mercados internacionais como a Europa e a América Central, o país enfrenta desafios significativos, desde a qualidade e quantidade da produção até a infraestrutura logística necessária para competir com grandes players como México e Peru. Nesta entrevista, Rodolfo Anleu, gerente geral do Grupo Hass, compartilha sua experiência no setor e suas reflexões sobre as oportunidades e dificuldades que os exportadores guatemaltecos enfrentam em seu processo de consolidação de posição no mercado internacional.

Rodolfo Anleu iniciou sua incursão no mercado de exportação de abacate com uma visão clara: levar os abacates guatemaltecos a novos horizontes. “O mercado de abacate na Guatemala é pequeno, mas muito competitivo”, explica Anleu, relembrando seus primórdios. “Enfrentamos uma curva de aprendizado íngreme, especialmente nos primeiros anos. Não tínhamos um ponto de referência claro para a qualidade que os europeus buscavam e, além disso, o volume de produção não atendia às suas demandas.”

O ano de 2017 marcou um marco significativo com a abertura das exportações para a Europa, um mercado que exigia altos padrões em termos de qualidade e certificações fitossanitárias. “Tivemos que nos adaptar rapidamente às expectativas dos consumidores europeus, que valorizam fatores como a concentração de óleo e o teor de matéria seca dos abacates. Não foi fácil, mas conseguimos aprimorar nossos processos e, com o tempo, consolidamos nossa posição no mercado”, acrescenta.

Grupo Hass: De concorrente local a referência internacional

Sob a liderança de Anleu, o Grupo Hass iniciou suas exportações em 2019, justamente quando os abacates guatemaltecos começavam a ganhar espaço no exterior. “Inicialmente, focamos em mercados mais próximos, como a América Central. Aos poucos, fomos explorando oportunidades na Europa, um mercado que apresenta grandes desafios, mas também recompensas”, afirma. Desde então, o crescimento da empresa tem sido constante, especialmente na Europa, onde a demanda por abacates Hass aumentou significativamente.

“Nos últimos dois anos, alcançamos um sucesso notável na Europa. Passamos de exportar apenas alguns contêineres para enviar três contêineres por semana durante a alta temporada. No ano passado, finalizamos o ano com 50 contêineres enviados para a Europa e, para este ano, projetamos cerca de 60 contêineres”, afirma Anleu com satisfação.

Segundo o gerente geral do Grupo Hass, a competitividade dos abacates guatemaltecos reside nas condições climáticas e genéticas das variedades locais. “A Guatemala possui uma qualidade excepcional para competir. A concentração de óleo, o teor de matéria seca e o bom manejo genético nos permitem oferecer um produto de alta qualidade. No entanto, a chave está na responsabilidade do exportador: compreender as necessidades do mercado, garantir uma cadeia de suprimentos eficiente e assegurar que os abacates cheguem ao seu destino em ótimas condições.”

Um dos objetivos mais ambiciosos do Grupo Hass é a abertura do mercado americano, meta que Anleu considera crucial para o futuro da indústria de abacate na Guatemala. “Acredito que o acesso ao mercado americano será uma excelente oportunidade de crescimento. Este é um mercado natural para nós, não só pela proximidade geográfica, mas também porque nos permitiria competir com prazos de entrega muito mais curtos em comparação com a Europa, onde o transporte marítimo pode levar até três semanas”, afirma.

A abertura do mercado americano representaria um avanço significativo para a Guatemala, um país que, apesar de seu tamanho, demonstrou grande potencial agrícola. Segundo Anleu, a capacidade de reduzir os custos de transporte e melhorar a frescura do produto ao chegar ao consumidor final são fatores-chave para maximizar essa oportunidade. “Os Estados Unidos são um mercado grande com demanda crescente por abacates Hass. Se conseguirmos abrir esse mercado, poderemos aumentar significativamente nossa capacidade de exportação.”

Além dos Estados Unidos, Anleu também vê potencial em mercados como o Chile e a Ásia, embora com cautela devido aos maiores tempos de trânsito envolvidos. “A Ásia é um mercado interessante, mas os prazos de entrega são um desafio. Por enquanto, acho que nossa melhor opção é consolidar nossa presença na Europa e expandir para os Estados Unidos”, reflete ele.

A importância da qualidade e o futuro do setor na Guatemala

Para Anleu, a chave para o sucesso nos mercados internacionais não é apenas o volume, mas a qualidade. “Os produtores guatemaltecos entenderam que a competitividade não se resume à quantidade, mas sim a oferecer um produto que atenda aos padrões mais exigentes”, afirma. A indústria do abacate na Guatemala passou por uma mudança de foco, deixando de priorizar a produção em massa e priorizando a qualidade em todas as etapas do processo, desde a seleção dos produtores até o controle de qualidade e a logística.

“No Grupo Hass, implementamos práticas que garantem a qualidade do nosso produto. Sabemos que os abacates precisam chegar em ótimas condições a mercados exigentes como o europeu, e isso requer um esforço constante para aprimorar a cadeia de suprimentos”, acrescenta. Segundo Anleu, o maior desafio da Guatemala é garantir uma cadeia de produção eficiente com os mais altos padrões de qualidade.

Com a abertura de novos mercados e o aumento da demanda global por abacates Hass, Rodolfo Anleu está otimista quanto ao futuro do setor na Guatemala. “Estamos vendo um aumento na disponibilidade da fruta, com plantações mais maduras e outras mais jovens começando a produzir. Isso, aliado à melhoria da qualidade, nos dá uma oportunidade única de consolidar nossa posição como um ator-chave no mercado internacional de abacates”, conclui.

As projeções do Grupo Hass para 2025 são ambiciosas, com expectativas de aumento significativo da sua capacidade de exportação e expansão da sua presença em mercados-chave. À medida que a Guatemala continua a consolidar a sua posição no mapa global do abacate, empresas como o Grupo Hass estão na vanguarda, abrindo caminho para um futuro repleto de oportunidades e crescimento.

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