O crescimento imparável do abacate peruano: projeções e desafios até 2030
O Peru está consolidando sua posição como o segundo maior produtor mundial de abacates Hass e projeta atingir um bilhão de quilos até 2030. A Europa continua liderando as exportações, enquanto o país enfrenta desafios relacionados à qualidade e à diversificação de mercado.
Durante o webinar “Agroexportações Peruanas 2024”, organizado pela Fluctuante, o Gerente Geral da ProHass, Arturo Medina, analisou o presente e o futuro da indústria de abacate no Peru. Com 77.000 hectares cultivados, o país ocupa a segunda posição entre os maiores produtores mundiais, atrás apenas do México. Embora o crescimento da área cultivada tenha sido moderado nos últimos anos, a produção continua a aumentar, impulsionada por novas áreas de produção nas terras altas e por 10.000 hectares ainda não explorados.
Em 2024, o Peru exportou 503 mil toneladas de abacate Hass, com uma produtividade média de 10 toneladas por hectare, embora algumas empresas cheguem a atingir 37 toneladas. As projeções são otimistas: o setor espera um crescimento de 20% este ano e estima alcançar um bilhão de quilos até 2030. No entanto, Medina alerta que o país precisa se preparar para gerenciar esse volume com estratégias de mercado bem definidas.
Exportações e principais mercados
A Europa continua sendo o principal destino dos abacates peruanos, representando 62% das exportações nos últimos três anos. Em 2024, os preços favoráveis na Europa levaram os exportadores a priorizar esse mercado, reduzindo os embarques para a Ásia (-29%) e os Estados Unidos (-11%). A China, em particular, registrou uma queda de 28% devido a problemas de qualidade relacionados ao teor de matéria seca.
Os Estados Unidos representam um desafio, com o México dominando 80% do mercado e o Peru detendo apenas 5% de participação. No entanto, o país está trabalhando para melhorar a qualidade a fim de ganhar terreno. Enquanto isso, mercados como Japão, Tailândia e Índia estão surgindo como oportunidades estratégicas para diversificar as exportações.
Desafios e futuro do setor
O crescimento do setor exige foco na qualidade e na diferenciação. Medina enfatiza que a chave para competir em mercados exigentes é garantir altos padrões de matéria seca. Além disso, o novo Porto de Chancay poderá reduzir os tempos de transporte marítimo, impulsionando a competitividade peruana.
Com acesso a 67 mercados e planos de expansão para Taiwan, Vietnã, Filipinas, Austrália e Nova Zelândia, a indústria peruana de abacate está preparada para um crescimento sustentado. No entanto, seu sucesso dependerá de estratégias inteligentes para equilibrar produção, qualidade e diversificação dos destinos de exportação.
Fonte: portalfruticola.com