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O boom do abacate de Jalisco: como se tornou um concorrente global

Jalisco consolidou sua presença no mercado global de abacate graças ao seu foco em qualidade, avanços tecnológicos e diversificação de mercado. Diferentemente de outras regiões produtoras, alcançou uma coordenação eficiente entre produtores, associações e entidades governamentais, possibilitando um crescimento sustentável.

Dos campos férteis de Jalisco aos supermercados do mundo todo, os abacates de Jalisco conquistaram seu espaço no comércio global. Seu sucesso não é por acaso, mas sim resultado de um compromisso estratégico com a qualidade, a inovação e a diversificação de mercado.

Apesar de não ter a produção em massa de Michoacán, seu foco na qualidade, na tecnologia e na expansão de mercado permitiu que suas exportações crescessem de forma constante.

Principais fatores para o crescimento das exportações

De acordo com Jesús Michel Espinoza Rosales, diretor da APEAJAL, o sucesso de Jalisco nas exportações de abacate se deve a diversos fatores. Entre eles, ele destaca a organização do setor, com uma coordenação eficaz entre produtores, associações e órgãos governamentais como a SADER e a SENASICA. Além disso, os investimentos em infraestrutura, a obtenção de certificações internacionais como Global GAP e FSMA e a adoção de tecnologias avançadas têm sido fundamentais para esse crescimento.

Além disso, a diversificação de mercado permitiu que as exportações se expandissem para além dos Estados Unidos, alcançando países da Ásia, Europa e América Latina. "A colaboração entre produtores, governos locais e empresas do setor agroalimentar tem sido fundamental para fortalecer a competitividade do setor", afirmou Espinoza Rosales.

O avanço tecnológico como chave para o sucesso.

Para Eleazar Oseguera Aguayo, presidente da Associação de Produtores e Exportadores de Abacate de Jalisco (APEAJAL), a modernização das técnicas de cultivo tem sido um fator determinante para o crescimento da indústria de abacate em Jalisco. “A principal qualidade que diferencia nossa produção é a modernização e as práticas de manejo que implementamos para as árvores e os frutos, incluindo irrigação, fumigação e trabalho diário”, afirmou em entrevista à Avobook.

Em 2024, Jalisco encerrou o ano com uma produção de abacate de aproximadamente 350 mil toneladas, embora o tamanho da fruta tenha sido afetado pelas condições climáticas. "O que impulsionou o mercado em 2024 foi o tamanho, não o volume ou a qualidade", explicou Oseguera. As temperaturas extremas impactaram o desenvolvimento do abacate, resultando em frutos menores e reduzindo o volume total colhido.

Em 2022, Jalisco obteve a certificação para exportar abacates para os Estados Unidos, um marco que marcou o início de um crescimento exponencial no setor. Na primeira janela de certificação, foram aprovados 8.422 hectares de cultivo, número que chegou a 20.532,6 hectares no último ciclo, representando um aumento de 144%.

Atualmente, Jalisco responde por entre 10% e 12% das exportações de abacate para os EUA, consolidando sua posição como um fornecedor chave nesse mercado. Desde então, o estado exporta entre 120.000 e 140.000 toneladas anualmente para esse mercado. "O objetivo é que toda essa fruta seja destinada aos Estados Unidos, mas também exportamos para o Japão, Canadá, Europa e América Central", afirmou Oseguera.

O crescimento tem sido notável em mercados como o Japão e o Canadá, onde a demanda aumentou entre 10% e 15% durante 2024. Além disso, Jalisco está em processo de abertura de novos destinos, como o Brasil, a Malásia e o Chile, embora este último exija a modificação de protocolos comerciais para permitir a entrada de abacates de Jalisco.

Sustentabilidade e expansão para novos mercados

A indústria de abacate em Jalisco adotou diversas iniciativas para garantir uma produção responsável e sustentável. "Uma das principais ações é o programa de reflorestamento com espécies nativas e florestais, no qual são produzidas mais de 50.000 mudas anualmente", destacou Jesús Michel Espinoza Rosales, diretor da APEAJAL.

Além disso, Jalisco faz parte do comitê do corredor biológico e está comprometido com a conservação dos polinizadores, que são fundamentais para a saúde dos ecossistemas agrícolas. "Também temos uma brigada florestal que realiza trabalhos de prevenção e erradicação de incêndios florestais, além de apoiar os produtores no reflorestamento de suas terras", acrescentou Espinoza Rosales.

Por outro lado, o uso eficiente da água está sendo promovido por meio de treinamentos especializados voltados para a otimização de sistemas de irrigação. "A implementação de sensores de umidade permite uma irrigação mais precisa, o que ajuda a conservar os recursos hídricos e aumentar a eficiência em seu uso", concluiu o diretor da APEAJAL.

Os esforços de Jalisco também estão focados na abertura de novos mercados. Além dos EUA, o Japão e o Canadá têm apresentado um crescimento significativo na demanda, impulsionado pela promoção em feiras internacionais como a CPMA e a FODEX. Estão sendo buscadas certificações para acesso ao Brasil e ao Chile, mercados com grande potencial para o consumo de abacate.

Projeções e desafios para o futuro

As projeções de crescimento para as exportações de abacate de Jalisco nos próximos anos são bastante positivas, embora sejam fortemente influenciadas por fatores como as mudanças climáticas, que representam um dos maiores desafios para qualquer cultura, incluindo a produção de abacate. "A produtividade da safra será amplamente determinada pela forma como essas mudanças forem gerenciadas e adaptadas", afirmou Jesús Michel Espinoza Rosales, diretor da APEAJAL.

Em Jalisco, estão em curso esforços para aumentar o número de municípios livres de pragas regulamentadas, visto que atualmente apenas 15 dos 79 municípios produtores estão livres dessas pragas. "Com esse esforço, Jalisco tem potencial para expandir em até 32.000 hectares adicionais, o que poderia representar um aumento de 20% a 25% nas exportações de abacate para os Estados Unidos", observou Espinoza Rosales. Esse crescimento, aliado a investimentos em infraestrutura e à adoção de tecnologias mais sustentáveis, poderá consolidar ainda mais a presença de Jalisco nos mercados internacionais.

Até 2025, a APEAJAL prevê que a produção ultrapassará 400 mil toneladas, com um aumento nas exportações para os Estados Unidos. "Vamos atingir 200 mil ou 220 mil toneladas exportadas para os EUA, graças à abertura de novos municípios e ao crescimento dos pomares", afirmou Oseguera.

Os abacates de Jalisco também ganharam destaque em eventos como o Super Bowl, onde se espera que 17.000 toneladas sejam enviadas nos 20 dias que antecedem o evento esportivo.

No entanto, o crescimento do setor também enfrenta desafios ambientais, como o uso intensivo de água e o desmatamento. Os produtores de Jalisco implementaram sistemas de irrigação avançados para reduzir o impacto e melhorar a eficiência hídrica.

O crescimento das exportações de abacate em Jalisco exemplifica como a inovação e o acesso ao mercado podem impulsionar um setor. Apesar dos desafios climáticos e comerciais, o setor de abacate de Jalisco continua a crescer, consolidando sua posição como líder global na produção e exportação dessa fruta.

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