A ascensão do abacate Hass guatemalteco e sua projeção nos mercados internacionais.
A Guatemala começou a conquistar um nicho no competitivo mercado global de abacate, com uma indústria em crescimento que busca diversificar seus destinos de exportação e fortalecer sua presença internacional. Embora o país seja historicamente reconhecido por sua diversidade agrícola, nos últimos anos tem apresentado um crescimento significativo na produção de abacate, particularmente da variedade Hass, com esforços focados na abertura de novos mercados e no aumento da competitividade.
O crescimento da indústria de abacate na Guatemala tem sido impulsionado principalmente pela demanda interna e pelas exportações para países da América Central e da Europa. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação (MAGA), o abacate está entre as culturas de crescimento mais rápido, com áreas cultivadas superiores a 5.000 hectares em diversas regiões do país, como Chimaltenango e Sacatepéquez. A principal época de colheita concentra-se entre setembro e fevereiro, coincidindo com o pico da demanda internacional nos mercados europeus.
O potencial dos abacates guatemaltecos, devido tanto às suas condições geográficas favoráveis quanto à qualidade de seus frutos, tem despertado crescente interesse na expansão da produção e na busca por novos mercados de exportação. Segundo dados oficiais, em 2023, a Guatemala exportou aproximadamente 320 contêineres para a Europa, e espera-se que esse número aumente este ano graças à expansão da produção e à melhoria dos processos de colheita.
Em uma entrevista recente com Gabriela Ríos, diretora executiva da Associação Nacional de Abacate da Guatemala (Anaguacate), foram discutidos os desafios e as oportunidades que a indústria guatemalteca de abacate enfrenta. Ríos enfatizou a importância de posicionar a Guatemala como uma nova origem para o abacate Hass, afirmando que o país tem uma história singular com essa fruta.

"O abacate na Guatemala tem uma história muito interessante em relação à origem do abacate Hass, que se diz ter sido criado por Rudolph Hass. É por isso que chamamos o evento que realizamos em 29 de setembro de Convenção de Origem da Guatemala 2024. Queremos posicionar nosso país como uma nova origem para o abacate Hass e apresentá-lo ao mundo e aos nossos principais compradores", compartilhou.
Um dos objetivos do setor é fortalecer os protocolos fitossanitários, um aspecto fundamental para o acesso a mercados mais exigentes, como o dos Estados Unidos. "A Guatemala possui protocolos para diferentes tipos de frutas, mas ainda não existe um protocolo definido para abacates. Aguardamos a aprovação para o acesso ao mercado americano, que trará consigo um protocolo fitossanitário específico", explicou Ríos. Esse progresso permitirá que os produtores locais se preparem para atender tanto às exigências fitossanitárias quanto às do mercado americano, abrindo novas oportunidades.
Projeções e sustentabilidade
O futuro da indústria de abacate na Guatemala parece promissor, com fortes expectativas de crescimento nos próximos anos. Além das exportações para a Europa, a abertura do mercado americano deverá impulsionar significativamente o setor.

"Ter a oportunidade de abrir o mercado americano, aproveitando nossa proximidade geográfica, será muito importante", comentou Ríos, que também observou que a Anaguacate realiza constantemente treinamentos e eventos para preparar os produtores para as demandas desses novos mercados.
Além disso, Rios acrescenta que a Guatemala tem a vantagem de possuir grandes extensões de terra com significativo potencial para o cultivo de abacate. No entanto, um dos principais desafios está relacionado às mudanças climáticas e às variações climáticas extremas. "Ultimamente, temos vivenciado variações climáticas muito severas, com estações chuvosas que, em muitos casos, terminam em granizo e fortes aguaceiros que causam inundações, afetando as plantações", acrescentou Rios.
Apesar desses desafios, a Anaguacate está comprometida com uma política de sustentabilidade baseada em quatro pilares fundamentais: uso responsável da água, desmatamento zero, cumprimento das normas trabalhistas e proteção dos polinizadores. Esses princípios visam garantir a produção sustentável e promover a conscientização ambiental entre os produtores.
Por fim, o mercado de abacate na Guatemala está em plena expansão e consolidação. Com uma história rica e um futuro promissor, o país possui todas as ferramentas para se posicionar como um importante concorrente no cenário global do abacate. O acesso ao mercado dos Estados Unidos, juntamente com melhorias nos protocolos fitossanitários e nas práticas de sustentabilidade, serão fatores decisivos para o sucesso dessa indústria emergente. Enquanto isso, a Guatemala continua trabalhando para ser reconhecida como uma fonte de abacates de qualidade, onde o sabor e o compromisso com a sustentabilidade fazem toda a diferença.