“Os abacates brasileiros já conseguiram consolidar uma clientela fiel.”
“Os abacates brasileiros já conseguiram consolidar uma clientela fiel.”
Segundo Cecilia Whately, vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Abacate, o trabalho visa consolidar a posição do setor como fornecedor na Europa e abrir novos mercados, como Chile, Argentina, Japão e Índia.
O Brasil está conquistando espaço no mercado global de abacate, com foco na Europa, mas também de olho em seus vizinhos sul-americanos. Entre eles está o Chile, que possui uma indústria altamente desenvolvida, mas encontra oportunidades durante períodos de baixa produção, em um contexto de consumo interno muito elevado.
Em entrevista à AvoMagazine, Cecilia Whately, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Abacate (ABPA), detalha como se encerrou a safra de 2024, que não foi isenta dos mesmos desafios logísticos enfrentados por outros países exportadores para a Europa. Ao mesmo tempo, a ABPA reconhece que oportunidades significativas podem ser geradas pela promoção do consumo no próprio Brasil.
A Ásia também está incluída no plano de 2025, onde essa região espera consolidar seus números e ganhar terreno importante.
- Como encerrou o ano de 2024 no setor de exportação em termos de volume e tamanho?
“A campanha de 2024 foi distribuída em todos os mercados abertos e já conta com uma clientela fiel. Como temos um grande volume de produção jovem, os tamanhos tendem a ser maiores. No entanto, devido ao calor extremo em algumas regiões, o volume de tamanhos menores aumentou, atendendo principalmente aos consumidores argentinos.”
- Qual é o estado atual das suas exportações e quais são as projeções de volume e tamanho para 2025?
“Este ano, as regiões de São Paulo e Paraná sofreram uma queda na colheita de mais de 50% devido às condições climáticas adversas durante o período de floração. No entanto, o estado de Minas Gerais não teve problemas e deverá ter uma colheita maior do que a do ano passado. Acreditamos que o volume deste ano deverá se manter semelhante ao de 2024, com o embarque de cerca de 1.000 contêineres. Os tamanhos deverão continuar sendo grandes e médios. Nas regiões onde houve queda na produção, as frutas tenderão a crescer mais.”

Como vocês estão lidando com os desafios logísticos da exportação de abacates para a Europa? São necessárias melhorias para garantir a continuidade dos embarques?
“No ano passado, enfrentamos um congestionamento significativo no porto de Santos. Outro desafio foi a obtenção de geradores, devido à forte concorrência de grandes exportadores de carne que também necessitam desses equipamentos para o monitoramento da cadeia de frio em seus contêineres. Infelizmente, as melhorias dependem de ações governamentais e corporativas que estão além do nosso controle como produtores e exportadores.”
- E como vocês estão lidando com eles para atender aos requisitos de entrega dentro do prazo e com qualidade?
“O que fazemos é gerenciar melhor nossa programação de embarque, para que as reservas sejam feitas com antecedência.”
- Em uma entrevista anterior à Avobook, você mencionou planos de entrar em dois mercados próximos: Chile e Argentina. Qual é o status atual desses esforços?
“Já estamos bem estabelecidos no mercado argentino e, este ano, começaremos a exportar para o mercado chileno. Produtores e exportadores cadastrados no protocolo desenvolvido por órgãos governamentais já estão negociando acordos comerciais com importadores chilenos.”
- Há planos de expansão para mercados além da Europa, Chile e Argentina?
“Sim. Já temos os mercados indiano e japonês abertos e estamos trabalhando para abrir o mercado norte-americano.”
- Tem havido um aumento no consumo de abacate Hass no mercado interno brasileiro, considerando que não é uma variedade tradicional na dieta local?
A Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Abacate está investindo em marketing para incentivar o consumo da fruta no Brasil, tanto da variedade Hass quanto das variedades tropicais, que são excelentes para todos os tipos de receitas. De fato, houve um aumento no consumo da variedade Hass devido à maior disponibilidade nos mercados das grandes e médias cidades brasileiras, como resultado do aumento da produção.