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5 de maio nos Estados Unidos: uma celebração cultural com forte impacto econômico e comercial.

O Cinco de Mayo, feriado de origem mexicana, assumiu uma dimensão profundamente diferente nos Estados Unidos. Embora comemore a vitória do exército mexicano sobre as tropas francesas na Batalha de Puebla em 1862, suas raízes profundas na cultura americana derivam de outros processos históricos, sociais e comerciais. Nos últimos anos, tornou-se uma data importante para o consumo, particularmente para setores como a indústria alimentícia, bebidas alcoólicas e a comercialização de produtos agrícolas como o abacate.

Embora o Cinco de Mayo não seja um feriado nacional no México, sua comemoração nos Estados Unidos começou no século XIX entre as comunidades mexicanas da Califórnia. Essas celebrações ganharam força como símbolo de resistência durante a Guerra Civil Americana e, décadas depois, ativistas chicanos nas décadas de 1960 e 70 o adotaram como emblema de identidade cultural e orgulho étnico. Foi somente na década de 1980 que o Cinco de Mayo passou a ser promovido comercialmente por empresas — especialmente cervejarias — tornando-se um feriado amplamente difundido, com celebrações ocorrendo agora de Los Angeles a Nova York.

O impacto econômico deste feriado tem crescido de forma constante. De acordo com dados de 2024 publicados pela Trade Ideas em seu relatório “The Trader’s Guide to Cinco de Mayo” (Guia do Comerciante para o Cinco de Mayo), os consumidores nos Estados Unidos gastaram mais de US$ 2,3 bilhões em produtos e comemorações relacionados ao Cinco de Mayo, representando um aumento de 8,5% em relação ao ano anterior. Restaurantes e bares registraram um aumento de 12% nas transações em comparação com um fim de semana típico, enquanto as vendas de tequila premium cresceram 22%. Redes de restaurantes mexicanos também relataram um aumento de 15% no fluxo de clientes, consolidando esta data como um dos eventos comerciais mais lucrativos do calendário da primavera (Fonte: Trade Ideas , 2 de maio de 2024).

Um setor particularmente influenciado por essa celebração é o do abacate. Tradicionalmente associado a pratos icônicos como o guacamole, o abacate se tornou um produto estrela consumido durante esse feriado. De fato, o dia 5 de maio representa o segundo maior dia de consumo de abacate nos Estados Unidos, perdendo apenas para o Super Bowl. Estima-se que os americanos consumam mais de 81 milhões de libras dessa fruta nos dias que antecedem a celebração, segundo dados da indústria.

Como se comportou o mercado nas semanas anteriores?

Nesse contexto, o comportamento do mercado de abacate oferece uma visão reveladora de como o feriado impacta não apenas a demanda, mas também a dinâmica das exportações, a concorrência e os preços.

Segundo Sergio Paz Vega, gerente geral da Coliman Avocados, o México exportou 737 remessas de abacates para os Estados Unidos durante a 16ª semana do ano (a segunda semana de abril). Apesar de ter sido uma semana de trabalho curta devido à Páscoa, os volumes superaram as expectativas graças ao planejamento antecipado e ao aproveitamento do estoque acumulado da semana anterior.

“As frutas já estão disponíveis e só precisamos esperar que as promoções surtam efeito e que os estoques diminuam o suficiente para que, em poucos dias, os importadores precisem de frutas frescas para atender aos pedidos após o evento”, explicou Paz Vega. No entanto, o aumento esperado na demanda até o dia 5 de maio não se materializou com a intensidade prevista. A demanda durante os primeiros dias da 17ª semana foi classificada como “moderada a baixa”, sem sinais claros de recuperação, o que teve um efeito imediato no comportamento dos preços.

Os estoques nos Estados Unidos, que giravam em torno de 30.000 toneladas em 18 de abril, foram reforçados por uma colheita na Califórnia superior a 10.000 toneladas, números que surpreenderam alguns participantes da indústria mexicana. Isso foi agravado pelo início das colheitas em países como Peru e Colômbia, cujas frutas começam a competir nos mesmos mercados. O excesso de oferta, combinado com uma demanda menor do que a projetada, alimentou uma tendência de queda nos preços. “Os produtores mexicanos começaram a semana ainda otimistas quanto a um aumento na demanda que lhes permitisse, pelo menos, manter os preços pagos aos produtores. Isso também não aconteceu”, observou Paz Vega.

Antonio Villaseñor, diretor da Aztecavo, complementa essa visão destacando que, na mesma semana, o México colheu 21.270 toneladas de abacates, das quais 16.545 toneladas foram destinadas ao mercado americano, representando um rendimento de 78%. No entanto, ele alertou que “a demanda por frutas mexicanas começou a declinar devido à concorrência de outras origens, como a Califórnia, que já colhe cerca de 7.000 toneladas por semana”.

Villaseñor enfatizou que a oferta de hectares disponíveis para colheita no programa de exportação para os Estados Unidos diminuiu 8%, enquanto as condições de mercado apresentaram sinais mistos: redução nos estoques, mas com forte pressão para queda dos preços FOB (Free On Board). “O preço na fazenda está relativamente estável, mas o México terá que competir com mais países de origem, como Colômbia e Peru, nas próximas semanas”, acrescentou.

Além desses elementos, Tomás de la Cuadra, analista de dados da Avobook, apresenta uma análise dos padrões de exportação ano a ano. Segundo sua análise, nas últimas três temporadas, as semanas 16 e 17 normalmente registravam o pico de embarques para os Estados Unidos, coincidindo com os preparativos logísticos para o dia 5 de maio. “Mas esse não foi o caso em 2025. A semana 13 fechou com pouco mais de 1.900 embarques, mas caiu para 1.200 na semana 14, e as semanas que antecederam o dia 5 de maio não mostraram sinais de volume significativo em comparação com as outras semanas”, afirmou.

A análise também destaca que, embora a campanha do Peru já tivesse começado, ela não afetou significativamente os preços das frutas mexicanas no mercado americano.

E depois de 5 de maio, como ficou a situação?

Na semana 18, após as comemorações do Cinco de Mayo, o México exportou 850 contêineres de abacates para os Estados Unidos, um volume moderado que não alterou significativamente os estoques registrados no país de destino. Segundo Sergio Paz Vega, essa desaceleração nas exportações reflete uma queda na participação do México no mercado, tendência que deve continuar nas próximas semanas.

Embora a demanda interna no México não tenha sido particularmente alta, os preços pagos aos produtores não se ajustaram tão rapidamente quanto as demandas do mercado americano. "Não há dúvida de que alguém na cadeia de suprimentos está perdendo dinheiro, pelo menos em alguns tamanhos", alerta Paz. O tamanho 60, em particular, apresentou os maiores desafios, mas frutas maiores — como as de tamanho 40 — também sofreram uma queda considerável, apesar de sua menor disponibilidade em comparação com as temporadas anteriores. Os tamanhos menores (70), que haviam demonstrado maior estabilidade, também começaram a sentir a queda de preço no início da 19ª semana.

Até o momento na safra 2024-2025 (de julho até a presente data), o México exportou um volume aproximadamente 10% menor em comparação com a safra anterior. No entanto, o ano tem sido positivo para muitos produtores, já que o preço médio tem sido significativamente mais alto, beneficiando principalmente aqueles que conseguiram manter os níveis médios de produtividade.

O cenário imediato é marcado pela incerteza. A maior parte do volume restante terá que ser distribuída entre os mercados dos EUA e o mercado interno. No entanto, não se espera que os Estados Unidos absorvam o volume previsto pelos produtores, e a concorrência de fontes como o Peru — embora ainda incipiente em termos de volume — já está gerando especulação no mercado. “A verdade é que o mercado está em processo de adaptação”, observa Paz, que alerta que esse realinhamento parece ter sido acelerado, impulsionado mais pelas expectativas em torno da fruta peruana do que por sua presença real.

Diante dessa situação, alguns produtores mexicanos optaram por redirecionar suas colheitas para o mercado interno, onde certos tamanhos estão alcançando preços melhores do que nos Estados Unidos. Soma-se a isso o início da nova safra de frutas em Jalisco, que já começou a gerar atividade em mercados como o canadense. Essa confluência de fatores obrigará os produtores a tomar decisões importantes nas próximas sete ou oito semanas.

Em resumo, embora o dia 5 de maio continue sendo uma data de grande valor comercial e cultural nos Estados Unidos, o comportamento do mercado em 2025 mostra que seu impacto econômico nem sempre se traduz em benefícios lineares para os produtores agrícolas.

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