O CEO da HAB explica as oportunidades para fornecedores de abacate nos Estados Unidos.
Sabendo que o México continuará sendo o principal fornecedor para o mercado norte-americano, Emiliano Escobedo prevê que "a diferença nos tamanhos determinará a oportunidade para diferentes origens participarem do mercado".
O mercado de abacate dos EUA continua apresentando crescimento sustentado, impulsionado pela demanda constante, apesar dos preços elevados. O México é, de longe, o principal exportador. Nesta temporada, espera-se uma recuperação no volume de exportações em comparação com a temporada anterior, que foi caracterizada por frutos de tamanho menor que o habitual.
Portanto, vale a pena perguntar quanto espaço resta para outras origens que planejam aumentar os embarques para o mercado de abacate mais importante do mundo. Entre elas está a Colômbia, que manifestou a intenção de redistribuir seus volumes, dadas as complexidades do mercado europeu e a força projetada para as exportações peruanas neste ano.
A Avonews conversou com Emiliano Escobedo, diretor executivo do Hass Avocado Board, a principal organização que promove o consumo de abacate nos Estados Unidos. Ele argumenta que a força do México impede que outras origens o ultrapassem no mercado americano. No entanto, ainda existem oportunidades, dado o investimento significativo em promoção, a forte demanda e as diferenças de tamanho.
“Um mercado muito forte”
Escobedo descreve que, no início de 2025, "o mercado estava muito forte".
“O ano começou com um volume incrível e preços excelentes. Mas existe uma diferença de preço significativa entre frutas pequenas e grandes”, explica. Isso o leva a crer que “a diferença de tamanho determinará a oportunidade para diferentes origens participarem do mercado”.
O México ainda produz frutas pequenas. Portanto, ele destaca que uma maneira de identificar oportunidades para outros fornecedores é oferecer tamanhos que os exportadores mexicanos não têm conseguido fornecer. É por isso que o Peru e a Colômbia estão encontrando um nicho nos tamanhos médio e grande.
“Atualmente, o mercado para calibres 48 e maiores é muito mais forte do que o mercado para calibres 60 e menores”, afirma Emiliano Escobedo. No entanto, ele alerta que essa dinâmica pode mudar rapidamente, dependendo das decisões dos supermercados.
"Um supermercado pode decidir alterar o tamanho e os preços se ajustam imediatamente", alerta ele, razão pela qual o abastecimento de diferentes origens deve ser flexível e monitorar constantemente os movimentos dos grandes compradores.
Campanha antecipada da Califórnia
Não apenas o desempenho do México deve ser considerado nas decisões de outros fornecedores, mas também a produção local da Califórnia. O ano começou com a situação incomum de um início antecipado da safra, após um problema ocorrido nas primeiras semanas do ano, marcado pela escassez de frutas antes do Super Bowl. Naquela época, houve uma falta temporária de produtos, o que fez com que os preços disparassem. Isso levou a Califórnia a disponibilizar suas frutas imediatamente.
“Uma vez iniciada a temporada na Califórnia, é difícil pará-la porque, ao contrário do Chile, as fábricas de embalagem abrem exclusivamente para abacates e as máquinas não podem ser desativadas. É por isso que se espera uma temporada antecipada em comparação com anos anteriores. No entanto, esse é o período tradicional de início da temporada na Califórnia, de 10 anos atrás. O que aconteceu nos últimos anos é que o México teve tanta fruta que a Califórnia espera e normalmente não inicia a safra até março ou abril. O mercado criou essa oportunidade. Eles não haviam planejado dessa forma, mas, por exemplo, na semana de 26 de janeiro, eles enviaram 6 milhões de libras, ou 3.000 toneladas. E esse volume geralmente não é visto até março ou abril”, explica ele.
É devido a essas circunstâncias que se prevê que a campanha na Califórnia termine mais cedo.
Os números para 2024
O consumo de abacate nos EUA não só se mantém estável, como continua a crescer. "Em 2024, quase atingimos 3 bilhões de libras em vendas", revela Escobedo.
De fato, o ano terminou com números superiores aos de 2023. Segundo dados do Hass Avocado Board, foram comercializadas 2,872 bilhões de libras em 2024, o que representa um aumento no volume em comparação com as 2,837 bilhões de libras comercializadas em 2023.
Em termos de participação de mercado, no ano passado a produção local da Califórnia atingiu 338 milhões de libras, enquanto as importações totalizaram 2,534 bilhões de libras. Dessas importações, o México contribuiu com 2,296 bilhões de libras, seguido pelo Peru com 137 milhões de libras, Colômbia com 74 milhões de libras e Chile com 12 milhões de libras. As importações de outros países, em conjunto, totalizaram 15 milhões de libras.
Esses números correspondem à produção convencional. No caso da produção orgânica, a taxa de crescimento é maior, com 86,6 milhões de libras importadas em 2023 e 110,4 milhões de libras em 2024.
O crescimento significativo da Colômbia
Escobedo alerta que os limites são definidos pela oferta, não pela demanda.
"O mercado ainda tem muito espaço para crescer, mas se não houver oferta, ele não crescerá. Os Estados Unidos têm capacidade para consumir mais, mas se a produção nos países exportadores não aumentar, o consumo também não aumentará", explica ele.
Um dos motivos que explica a força da demanda é o grande investimento em promoção.
“Em média, investimos US$ 2 milhões em promoção a cada semana”, destaca Escobedo, o que representa uma diferença significativa em comparação com outros mercados, como a Europa ou a Ásia. Essa estratégia de marketing consolidou com sucesso o abacate como um produto de consumo que não depende do preço.
Dentre os países fornecedores, além do México, a Colômbia apresentou o crescimento mais expressivo.
"Em 2022, eles exportaram 42 milhões de libras, em 2023 esse número caiu para 30 milhões, mas no ano passado exportaram 74 milhões. Isso representa um crescimento significativo", destaca Escobedo. Além disso, a perspectiva para 2025 indica que a Colômbia continuará a aumentar sua presença no mercado norte-americano, graças à certificação de mais áreas de produção e à expansão das lavouras.