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As exportações de abacate do Peru atingem seu ponto mais alto na Europa em meio a pressões sobre preços e logística.

Entre as semanas 25 e 28 do ano, os embarques de abacate Hass do Peru para a Europa atingiram seu pico de intensidade na temporada de 2025. Essa fase concentrou a maior parte dos embarques do país sul-americano para seu principal mercado de destino, com volumes semanais superiores a 700 contêineres, segundo dados de relatórios especializados da Avobook.

Esse aumento ocorre em meio a uma recuperação parcial no volume de exportações em comparação com 2014, quando as condições climáticas reduziram a produção. Este ano, a previsão é de que sejam exportadas aproximadamente 630.000 toneladas, com mais de 6.500 embarques esperados somente em julho e 19.000 toneladas acumuladas até a 26ª semana.

Durante este período de intensa atividade exportadora, o aumento do volume gerou um descompasso entre a oferta e a capacidade de absorção do mercado europeu. Segundo Carlos Ocaña, Gerente de Produto de Abacate do Grupo Fernández López (Espanha), os estoques estiveram sob controle até o final de junho, mas o ritmo de vendas começou a desacelerar com a chegada do verão.

“Junho costuma ser um mês difícil para as vendas porque grande parte da população está de férias, o que causa uma queda no ritmo das compras. Embora o consumo tenha aumentado, não é suficiente para impedir que os preços sejam afetados excessivamente”, indicou Ocaña.

O especialista também destacou que a chegada simultânea de quase 1.000 contêineres por semana gerou um ajuste imediato nos preços, especialmente para os calibres maiores, o que apresentou maior dificuldade para sua colocação em mercados tradicionais como Alemanha, França e Itália.

Um declínio mais gradual do que em 2024.

Em termos de projeções, a expectativa é de que as remessas para a Europa comecem a diminuir gradualmente a partir da segunda quinzena de julho. Tomás de la Cuadra, analista da Avobook, destaca que, embora a queda no volume de exportações esteja ocorrendo aproximadamente na mesma época que em 2024, o padrão deste ano mostra uma tendência mais gradual.

“No ano passado, as remessas para a Europa caíram de cerca de 600 contêineres na semana 30 para cerca de 450 na semana seguinte, e esse número se manteve até a semana 35. Para 2025, projeta-se um declínio mais linear, sem quebras abruptas, o que pode favorecer uma melhor gestão de estoque no destino”, afirmou De la Cuadra.

Essa desaceleração também se deve à melhoria da logística e à experiência prévia do setor no gerenciamento de situações de excesso de oferta. Tanto exportadores quanto importadores optaram por rotacionar rapidamente seus estoques de frutas, antecipando as vendas e evitando o acúmulo em câmaras frigoríficas.

“No passado, os preços despencavam com mais facilidade devido à especulação no setor”, lembrou Carlos Ocaña. “Este ano, estávamos todos preparados para dar à fruta o maior retorno possível, entendendo que uma venda hoje era melhor do que uma venda amanhã.”

Durante essa fase, os principais pontos de entrada para o abacate peruano na Europa foram a Holanda, a Espanha e o norte do continente, embora, segundo Ocaña, a fruta tenda a ser redistribuída internamente.

“Este ano estamos a registar um número ligeiramente maior de chegadas no norte da Europa do que no sul, mas essa fruta acaba por circular por toda a Europa, dado que o consumo no norte tem um limite”, comentou o responsável executivo.

O Porto de Málaga, com infraestrutura especializada em produtos perecíveis, continua sendo um ponto logístico fundamental para a entrada na região do Mediterrâneo, enquanto a entrada em operação do Porto de Chancay, no Peru, inaugurada no final de 2024, começou a oferecer rotas mais eficientes para a Europa.

Este período de alta atividade marcou a parte mais exigente da temporada para o setor de abacate peruano. Embora o volume total projetado mostre uma recuperação, o mercado europeu revelou os limites de absorção diante de uma superoferta temporária.

As próximas semanas serão marcadas por um ajuste natural nos fluxos de exportação. Como destaca Tomás de la Cuadra, “o foco para o segundo semestre deve ser a manutenção da rotatividade de estoques, a exploração de outros mercados e o aprimoramento contínuo da estratégia logística para evitar gargalos como os que vimos entre junho e julho”.

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