Do Norte da África à Europa: a ascensão de Marrocos no mercado de abacates
O mercado global de abacate tem visto novas regiões emergir como atores-chave na produção dessa fruta de alto valor. Entre elas, Marrocos vem se destacando cada vez mais, principalmente devido à sua capacidade de atender à crescente demanda na Europa.
Durante uma visita recente a Marrocos, Carlos Ocaña, colunista da Avobook e chefe da divisão de abacates da empresa espanhola Hermanos Fernández, teve a oportunidade de testemunhar em primeira mão o crescimento do setor no norte de Marrocos. Durante a viagem, Ocaña se encontrou com Yassin Chaib, gerente da Mavoca, uma das principais exportadoras marroquinas, de quem obteve informações valiosas sobre o mercado de abacates na região.
Qualidade e origem local
Marrocos possui condições excepcionais para o cultivo do abacate, graças à sua latitude semelhante à da Espanha, mas com uma vantagem adicional: maior capacidade de irrigação e qualidade superior do solo. De fato, muitas plantações de frutas, como morangos e mirtilos, no norte do país, foram substituídas por abacates, tornando esta fruta uma das mais importantes da região.A área de cultivo estende-se de Asilah a Rabat, passando por cidades importantes como Larache, uma das mais produtivas. Esta região costeira, juntamente com outras próximas, oferece um clima ideal para o abacate e condições de solo que favorecem o seu crescimento. Localizada a apenas 150 quilômetros do mar, a sua proximidade com a Europa, especialmente com a Espanha, facilita a exportação. Em apenas dois dias, um caminhão pode transportar a fruta do local da colheita até a fronteira espanhola, um fator crucial para garantir a frescura do produto.
Carlos Ocaña enfatizou que "a proximidade de Marrocos com a Europa, aliada à rapidez de suas exportações, é uma vantagem competitiva fundamental. Um caminhão carregado de abacates pode chegar à Espanha em questão de dias, garantindo que a fruta chegue fresca aos mercados — um desafio enfrentado por outras regiões produtoras mais distantes." Essa agilidade logística posiciona Marrocos como um forte concorrente de outros países produtores, como Chile e Peru.
Ocaña explica que um dos principais desafios para o setor no passado era a colheita de abacates em condições de alta umidade, o que causava manchas na fruta. No entanto, hoje o setor está muito mais profissionalizado.
Os grandes armazéns contam com tecnologia avançada, como calibradores automáticos e sistemas de raios X, para detectar qualquer dano estético nos abacates, garantindo assim que apenas os produtos da melhor qualidade cheguem ao mercado.
Empresas marroquinas, como a Mavoca, estão investindo na capacitação de seus trabalhadores e na implementação de melhores práticas agronômicas, o que permitiu que a produção de abacate se tornasse uma das mais competitivas da região.
“A qualidade dos abacates marroquinos melhorou enormemente nos últimos anos. A tecnologia e as boas práticas agrícolas estão permitindo uma produção cada vez mais eficiente e de maior qualidade”, explicou ele.
Pontos fortes e desafios do mercado
Marrocos, embora não seja um país com alto consumo interno de abacates, se posicionou como um importante exportador graças ao seu excelente clima, à disponibilidade de água proveniente de usinas de dessalinização no norte do país e à profissionalização de sua indústria. Além disso, a qualidade da fruta melhorou consideravelmente, permitindo que Marrocos exporte abacates com excelente sabor e textura, especialmente durante os meses de março, abril e maio, quando a fruta atinge seu pico de teor de óleo.Ocaña enfatizou que "o clima de Marrocos e as usinas de dessalinização são dois fatores essenciais que permitem a produção de abacates de alta qualidade durante toda a temporada. A colheita deste ano foi excelente, com frutos grandes e saborosos." Apesar desses avanços, um dos principais desafios continua sendo a pobreza que afeta parte da população, o que limita o consumo interno. No entanto, o mercado europeu, especialmente a Espanha, é o principal destino das exportações marroquinas.
Ocaña concluiu que "Marrocos está destinado a se tornar uma referência no mercado europeu de abacate. Com o aumento do investimento em infraestrutura e treinamento, sua capacidade de competir com outras origens será ainda maior." À medida que o setor continua a evoluir, o impacto de Marrocos no mercado europeu de abacate não só crescerá, como provavelmente mudará a dinâmica de oferta dessa fruta tão popular.

