De nicho a tendência global: veja como o mercado de abacate congelado está crescendo.
O abacate processado deixou de ser um produto marginal para se tornar um ator cada vez mais importante na indústria global de abacate. Essa evolução é impulsionada por dois fatores principais: a consolidação do consumo de frutas frescas em mercados-chave e a demanda por soluções práticas que garantam qualidade consistente, segurança alimentar e logística ao longo do ano.
Segundo estimativas da Cognitive Market Research, o mercado global de abacate congelado atingiu US$ 145,9 milhões em 2024, com projeções de ultrapassar US$ 250 milhões até 2031, o que implica uma taxa de crescimento anual composta de 8,0% durante esse período (Cognitive Market Research, 2024). Um relatório da Verified Market Research oferece uma perspectiva ainda mais otimista, estimando o valor de mercado em US$ 1,2 bilhão em 2024 e prevendo que ele alcance US$ 2,97 bilhões em 2032, com uma taxa de crescimento anual composta de 12,02% entre 2026 e 2032 (Verified Market Research, 2024).
Essa perspectiva é corroborada pela experiência do setor. A equipe da Avocomex, juntamente com seu diretor executivo, Eduardo González, destaca que os Estados Unidos são atualmente o mercado mais importante para produtos de abacate congelado. A Europa, embora ainda em segundo lugar em termos de volume, demonstra maior dinamismo, com taxas de crescimento estimadas entre 10 e 15% ao ano nos últimos cinco anos.
Em comparação, o mercado americano cresce a uma taxa de 5% ao ano, o que, dado o seu tamanho, representa um volume considerável. Na Ásia, o desenvolvimento tem sido mais lento, principalmente porque o abacate ainda não está integrado aos hábitos de consumo culturais, o que exige um esforço de educação culinária. Enquanto isso, na América Latina, existe um potencial de crescimento que pode se concretizar à medida que os formatos se diversificam e são adaptados aos pratos tradicionais da região.
A ligação entre os mercados de abacates frescos e congelados é direta. Primeiro, os abacates frescos conquistam a aceitação, e depois a procura pela versão congelada se desenvolve, impulsionada pela conveniência e facilidade de distribuição. Segundo especialistas da Avocomex, a adaptação cultural será fundamental: quanto mais os abacates congelados forem integrados em receitas e no dia a dia de cada mercado, maior será sua penetração no mercado.
Em relação ao aproveitamento de frutas descartadas, os dados mostram diferenças entre os principais países produtores. No Peru, cerca de 10% das frutas são utilizadas para congelamento. Na Colômbia, essa proporção sobe para entre 20 e 30%. O México, com um mercado interno muito forte que absorve grande parte das frutas não exportadas, apresenta números mais difíceis de precisar, mas estima-se que entre 15 e 20% de sua produção total seja utilizada para processamento, seja na forma de óleo, produtos refrigerados ou congelados.
A participação do abacate congelado no mercado global de abacate ainda é limitada, mas está crescendo de forma constante. Nos Estados Unidos, representa cerca de 10% do mercado, enquanto na Europa fica em torno de 5%.
Globalmente, especialistas estimam que este segmento representa aproximadamente 10% do total da indústria de abacate, com uma tendência de crescimento impulsionada pela inovação de produtos e pela busca de maior eficiência no aproveitamento da fruta.
O futuro do abacate congelado depende de três variáveis-chave. Primeiro, o crescimento do consumo de abacate fresco, que continuará sendo a porta de entrada para a categoria. Segundo, a capacidade da indústria de utilizar produtos descartados e transformá-los em produtos de valor agregado. Por fim, a adaptação cultural, que permitirá a integração do abacate às tradições culinárias de cada região. Nessas condições, os Estados Unidos e a Europa consolidarão sua posição como centros de expansão, enquanto a América Latina e a Ásia oferecem um horizonte promissor para o desenvolvimento de novos consumidores.