A colheita de abacate cai até 50% durante a Semana Santa no Peru, México e Colômbia.
A Semana Santa trouxe mais uma vez uma pausa significativa para as atividades agrícolas na América Latina, impactando principalmente a colheita e as exportações de abacate. Embora cada país tenha sentido esse efeito de forma diferente, o denominador comum foi a redução nos volumes da colheita e uma estratégia logística focada em mitigar o impacto nos mercados internacionais.
Redução da colheita: entre 25% e 50%
No Peru, Alfredo Lira, um executivo de destaque no setor do agronegócio, observou que o feriado religioso reduziu a atividade em 25% a 30% em comparação com uma semana normal. “A prática usual é trabalhar meio período na quinta-feira e não trabalhar na sexta-feira, retornando no sábado para mais meio período. Portanto, a redução é entre 25% e 30% da colheita estimada”, explicou. No entanto, ele enfatizou que essa queda foi menor do que no ano anterior, já que “o teor de matéria seca é mais lento e há menos frutos maduros”.Entretanto, o México sofreu uma contração ainda mais acentuada. Antonio Villaseñor, diretor da Aztecavo, relatou que a colheita foi limitada a três dias, resultando em uma queda de 50% nos volumes colhidos. Mesmo assim, “os embarques caíram apenas 25% porque havia estoques colhidos na semana anterior à Páscoa”, comentou.

Na Colômbia, o padrão foi semelhante. Ricardo Mejías, gerente geral da Fruty Green, indicou que as operações são interrompidas às quintas e sextas-feiras, o que naturalmente reduz os volumes. “Comparado ao ano passado, no caso da Fruty Green, ficamos um pouco acima do volume esperado porque recebemos um pouco mais de fruta, mas, em termos gerais, sei que a fruta na Colômbia está um pouco atrasada em termos de secura”, explicou.
Diante da diminuição da disponibilidade de frutas, os exportadores ajustaram suas estratégias para priorizar os mercados mais lucrativos e estáveis. Do Peru, Lira explicou que optaram por enviar frutas para a Europa: “A UE foi priorizada porque os preços continuam altos, principalmente para os tamanhos maiores, que são os primeiros a serem vendidos. Além disso, dada a incerteza em torno das tarifas americanas, é melhor ser cauteloso.”
Em contraste, o México manteve seu foco principal nos Estados Unidos. Villaseñor foi enfático: “O mercado mais importante é sempre os EUA; os outros não são realmente significativos para o México”. Este ano, entre 13 e 19 de abril, foram colhidas 12.958 toneladas, em comparação com quase 19.000 toneladas no mesmo período de 2023.
Sergio Paz, gerente geral da Coliman Avocados, acrescentou que o México conseguiu exportar 737 remessas para os EUA durante a 16ª semana, graças a uma gestão proativa de estoques. "Os exportadores colheram volumes moderados ao longo dos três dias, sem qualquer demanda frenética para atender aos pedidos", afirmou. Paz também observou que os planos logísticos foram executados sem problemas, embora tenha alertado que a demanda na semana seguinte seria "de moderada a baixa" e que "os preços estão em tendência de queda e essa tendência não deve mudar até que os exportadores recebam novos pedidos".

Na Colômbia, Mejías indicou que, embora os destinos possam variar, a tendência atual aponta para uma forte concentração no mercado dos EUA. "O setor passará, nas próximas semanas, a ter 70-80% de exportações para os EUA", afirmou.
A Semana Santa representa um desafio previsível, porém significativo, para a indústria do abacate todos os anos. As decisões relativas à colheita, ao armazenamento e à distribuição exigem um planejamento preciso para evitar perdas e manter a estabilidade dos preços nos principais mercados. Enquanto alguns países conseguem compensar a queda na demanda com estoques pré-existentes ou remessas estratégicas, outros ainda estão ajustando sua logística em resposta aos ciclos de maturação e à demanda global.