A abertura de Puerto Antioquia sem dúvida abre novas oportunidades para a agroindústria do abacate Hass.
Com o início da nova safra principal, a Colômbia projeta exportar 182 mil toneladas de abacate Hass até o final do ano, consolidando sua posição como uma das principais fontes mundiais da fruta. Em entrevista à Avobook, Katheryn Mejía Vergel, presidente da Corpohass, analisa as projeções do setor, os desafios de qualidade e logística e a estratégia para equilibrar os mercados europeu e americano.
A Colômbia inicia sua principal temporada de abacate Hass com o impulso de um ano recorde. O país espera fechar 2025 com 182 mil toneladas exportadas, um volume que consolidaria a maturidade de uma indústria que, em menos de uma década, passou de emergente a referência no comércio global dessa fruta.
“Entre janeiro e setembro, já exportamos quase 147 mil toneladas, atingindo 80% da nossa meta”, explicou Katheryn Mejía Vergel, CEO da Corpohass, em conversa com a Avobook . “Esperamos que as condições climáticas e de mercado nos ajudem a fechar o ano com uma meta próxima de 100% de cumprimento.”
Os números corroboram esse otimismo. Segundo a Corpohass, as exportações cresceram mais de 40% entre janeiro e setembro em comparação com o ano anterior. Somente em setembro, foram exportadas 14.611 toneladas, 32,9% a mais que em 2014. Isso consolida a posição do país como o terceiro maior exportador de frutas da Colômbia, atrás de bananas e flores.
Além do aumento no volume, o país enfrenta uma temporada com um calendário mais longo. “Nossa projeção é para o final de 2025, mas se a tendência continuar, a Colômbia terá uma safra principal até o final de fevereiro de 2026”, afirmou Mejía Vergel.
Essa janela de produção ampliada, possibilitada pelo clima diversificado e pela distribuição geográfica das safras — principalmente em Antioquia, Risaralda, Caldas, Quindío e Tolima — oferece uma vantagem estratégica em relação a outras origens no Hemisfério Sul. “Nosso objetivo é consolidar a Colômbia como uma fonte que possa garantir qualidade, volume e entrega pontual durante todo o ano”, acrescentou o executivo.
Essa estabilidade, cada vez mais valorizada pelos compradores, permite que os exportadores colombianos mantenham uma presença contínua nos mercados internacionais, mesmo quando outros fornecedores reduzem sua oferta.
O principal marco logístico desta campanha é a inauguração de Puerto Antioquia, no Golfo de Urabá, que promete transformar a dinâmica das exportações de abacate Hass da Colômbia.
“A abertura de Puerto Antioquia sem dúvida abre novas oportunidades para a agroindústria do abacate Hass”, enfatizou Mejía Vergel. “Espera-se que haja muitas melhorias logísticas, resultando em economia em toda a cadeia de suprimentos e melhor desempenho da fruta devido à redução do tempo de transporte.”
A presidente da Corpohass também destacou o progresso do Programa de Qualidade de Abacates da Colômbia, uma iniciativa que busca melhorar a qualidade e prolongar a vida útil da fruta após a colheita. “Temos desenvolvido projetos com parceiros logísticos e outros elos da cadeia de suprimentos para aumentar a qualidade e a vida útil dos nossos abacates Hass”, explicou.
O objetivo é que as frutas colombianas mantenham seu frescor durante o transporte de longa distância para a Europa, América do Norte e Ásia, reafirmando sua reputação como um produto de alta qualidade.

O desafio 50-50: equilibrar a Europa e os Estados Unidos
A diversificação de mercado é outro pilar da estratégia colombiana. “Nosso compromisso permanece o de manter nossa presença nesses dois mercados internacionais”, observou Mejía Vergel. “As estratégias estão em andamento e monitoramos constantemente a situação dos mercados para atingir nossas metas estabelecidas. Sem dúvida, as questões políticas desempenham um papel significativo nas decisões de negócios atualmente.”
Atualmente, a Europa recebe a maior parte das remessas, sendo a Holanda o principal ponto de entrada. Os Estados Unidos, que abriram seu mercado para os abacates colombianos em 2022, estão apresentando um crescimento rápido e já se consolidam como um importante contrapeso à demanda europeia. A meta de atingir uma divisão de 50-50 é ambiciosa, mas o setor está confiante de que o fornecimento consistente e as melhorias logísticas permitirão que isso seja alcançado nos próximos anos.
Além da fruta fresca, o processamento industrial está ganhando destaque como parte da estratégia de agregação de valor. “A Colômbia conta atualmente com 13 empresas dedicadas ao processamento do abacate Hass, principalmente na produção de óleo, polpa, guacamole e abacates congelados”, explica Mejía Vergel. “Dezessete por cento da produção total está sendo destinada a esse elo da cadeia, que esperamos que continue a se fortalecer, especialmente nos mercados asiáticos, onde é difícil chegar com a fruta fresca.”
O desenvolvimento deste segmento permite-nos aproveitar frutos que não cumprem as normas de exportação de fruta fresca e abrir novas oportunidades em mercados de maior valor agregado, onde o consumo de produtos processados à base de abacate cresce ano após ano.
Para Mejía Vergel, o sucesso do setor colombiano se baseia em uma cadeia de suprimentos cada vez mais profissionalizada e no comprometimento de seus produtores. “Cada tonelada exportada representa o esforço de centenas de produtores que fazem da Colômbia uma terra de qualidade. Hoje, o mundo valoriza não apenas o nosso sabor, mas também a nossa capacidade de produzir o ano todo com responsabilidade social, ambiental e técnica.”
A principal campanha de 2025-2026 é, portanto, projetada como um ponto de virada para um setor que já está deixando de lado o volume para se concentrar na excelência e na sustentabilidade. Com uma visão de longo prazo e uma estratégia coletiva liderada pela Corpohass, os abacates Hass colombianos buscam consolidar seu selo de qualidade nos mercados mais exigentes do mundo.