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Como os abacates processados estão a ganhar espaço nos mercados

Da produção à expansão internacional, a experiência de Miriam Martínez reflete a forma como os abacates processados estão a redefinir o consumo, a qualidade e o mercado.

O percurso profissional de Miriam Martínez na indústria do abacate não foi um plano pré-determinado, mas sim uma série de decisões que, ao longo do tempo, a levaram a uma especialização única e altamente estratégica: os abacates processados. Hoje, como Gestor de Operações e Qualidade da Avocomex, o seu percurso começou em 2008 no México, quando se juntou a uma empresa local no departamento de produção — uma experiência que moldaria definitivamente a sua perspetiva técnica e a sua compreensão abrangente do setor.

“Comecei na produção, e isso deu-me a oportunidade de aprender sobre todas as áreas, todo o processo”, recorda. Esta experiência inicial permitiu-lhe compreender a indústria desde os seus fundamentos operacionais e construir uma visão abrangente do negócio. Estes primeiros anos foram essenciais para compreender como cada decisão na origem impacta a qualidade do produto final e a eficiência da operação.

Após dois anos na produção, a sua carreira virou-se para o desenvolvimento de produtos. A partir de 2010, o seu trabalho centrou-se na investigação e desenvolvimento, aprofundando as propriedades do abacate, as suas aplicações e as inúmeras possibilidades de transformação oferecidas pelo processamento. “Sempre trabalhei com processamento; nunca trabalhei com abacate fresco. Desde o início que o meu foco tem sido a área de processamento, a compreensão de como os abacates são transformados e como cada etapa impacta diretamente a qualidade do produto final”, explica, revelando uma especialização que se tem consolidado ao longo do tempo.

Esta fase inicial lançou as bases para um salto internacional. Durante três anos, desempenhou funções de gestor de qualidade na Good Foods, uma empresa norte-americana com sede em Tacámbaro, no México, participando desde a construção da fábrica até ao início da produção. Foi um desafio que fortaleceu a sua compreensão do negócio, desde a engenharia às operações. "Estive lá desde o início, desde o início da construção até ao início da primeira produção", diz, sublinhando o valor de ter vivido todo o processo de arranque.

Após a conclusão deste ciclo, regressou à empresa onde tinha iniciado — a Freshcourt, localizada na cidade de Uruapan, no México —, onde permaneceu por mais cinco anos entre as áreas de produção e desenvolvimento, acumulando experiência em todo o ciclo de vida dos produtos processados de abacate e reforçando o seu perfil técnico e operacional.

O ponto de viragem aconteceu em 2021, quando se juntou à Avocomex. Quatro anos depois, descreve este período como o mais enriquecedor da sua carreira profissional. “Esta mudança foi a melhor. A aprendizagem, o contacto com outros países e culturas e a implementação de processos noutros países foram muito gratificantes. Cada fábrica, cada país e cada equipa ensinam-te algo diferente, e isso obriga-te a continuar a aprender todos os dias”, afirma. A sua função levou-a a participar na implantação de fábricas na Colômbia e no Peru, bem como a adquirir conhecimento em primeira mão das operações no Brasil, alargando a sua perspetiva sobre um setor cada vez mais globalizado.

O contexto da sua carreira está inserido num mercado global que atrai cada vez mais atenção. De acordo com as estimativas da Data Bridge Market Research, o mercado global de processamento de abacate foi avaliado em cerca de 2,6 a 2,7 mil milhões de dólares em 2024 e prevê-se que ultrapasse os 5 mil milhões de dólares até 2032-2035, com taxas de crescimento anual composto que variam entre 6,8% a 8,7% na próxima década. Este cenário, baseado na sua experiência, confirma a magnitude de uma indústria em expansão. “O mundo do abacate é enorme, continua a crescer e é um campo de conhecimento que nunca acaba”, afirma.

Do ponto de vista operacional, Martínez identifica diferenças estruturais entre os abacates frescos e processados, especialmente em termos de lógica comercial. “Enviar um contentor de abacates frescos não é o mesmo que enviar um de abacates processados. Com os abacates processados, já está tudo definido: receitas, rótulos e mercado-alvo. Se não for vendido, é melhor não o processar, porque não é um produto que se possa facilmente passar a outro cliente”, explica, destacando um dos principais desafios do setor.

A isto acresce a exigência sanitária. Como se tratam de produtos prontos a consumir, os padrões de qualidade são rigorosos e não admitem margem para erros. “Abre-se e come-se. Não há lavagem, higienização ou qualquer outro processamento antes do consumo. Portanto, se os padrões de qualidade não forem adequados, o risco é muito elevado e a responsabilidade recai inteiramente sobre o processador”, alerta.

No entanto, estas exigências abrem também um leque de oportunidades. A capacidade de adaptar as receitas aos gostos de cada mercado faz do processamento um terreno fértil para a inovação e diversificação do portefólio. “As variações que se podem desenvolver são tão numerosas que abrem realmente um mundo de oportunidades. Cada mercado tem gostos diferentes, e o processamento permite adaptar-se a essas preferências sem perder a qualidade ou a identidade do produto”, resume.

O aumento do consumo de abacates processados reflete também profundas alterações nos hábitos alimentares. A procura pela praticidade, a redução do desperdício e o consumo direto estão a redefinir a relação dos consumidores com a comida. “Hoje, procuramos a máxima praticidade em tudo. As nossas rotinas diárias nem sempre nos deixam tempo para a preparação, e é por isso que queremos produtos que simplesmente abrimos e comemos. Esta mudança nos hábitos de consumo está a acontecer em todo o mundo”, afirma.

Olhando para o futuro, Martínez vê uma tendência clara e sustentada de crescimento no processamento, impulsionada pela abertura de novas fábricas e pela expansão de mercados como a Europa, o Canadá e, mais recentemente, a China e o Médio Oriente. Neste contexto, a sua visão pessoal é de equilíbrio e crescimento futuro. “Estou muito feliz na Avocomex, vivenciando crescimento, aprendizagem, oportunidades e tranquilidade. É um local onde posso continuar a desenvolver-me profissionalmente sem perder o equilíbrio”, afirma.

Além dos desafios técnicos e operacionais, destaca um fator que considera um fator diferenciador no setor: "É uma empresa com qualidade humana, e isso faz toda a diferença."

Assim, a história de Miriam Martínez não reflete apenas a evolução de uma carreira profissional, mas também a transformação de uma indústria que caminha para a especialização, a globalização do consumo e a criação de valor acrescentado, tendo o abacate processado como um dos seus principais eixos de projeção.

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