A China está recebendo mais frutas peruanas e mantendo os preços em alta, mas prevê-se uma forte pressão nas próximas semanas.
O mercado chinês de abacate registrou uma semana de crescimento em volume e um leve aumento de preço, embora alguns sinais de alerta estejam no horizonte. Na semana passada, chegaram 99 contêineres do Peru, representando um aumento de 29% em comparação com a semana anterior e 14% acima do volume registrado no mesmo período do ano passado. Esse aumento marca uma clara aceleração nos embarques do país andino, que está consolidando sua presença no mercado asiático.
Apesar do aumento da oferta, os preços continuaram sua tendência de alta, embora de forma mais moderada do que na semana anterior, que registrou um aumento significativo. Desta vez, o aumento ficou entre 10% e 11% para os tamanhos mais comprados pelos varejistas chineses, do 18 ao 24. Isso reflete um mercado que, pelo menos até o momento, conseguiu absorver o aumento do volume sem impactar negativamente os preços.
No entanto, nem tudo indica estabilidade. André Vargas, analista do setor, alertou para uma possível queda recorde nos preços nas próximas semanas — particularmente a partir da 20ª semana — devido à chegada simultânea de vários carregamentos. Estima-se que diversas embarcações estejam adiantadas em relação ao cronograma, o que poderia desencadear uma entrada maciça de frutas em um curto período.
A isso se soma um fator estratégico: ainda existem grandes operadores que não começaram a posicionar agressivamente seus volumes no mercado. Segundo Vargas, quando essas empresas entrarem de vez no mercado, a concorrência poderá se intensificar consideravelmente, pressionando ainda mais os preços. Esse cenário sugere uma correção potencialmente acentuada, especialmente se a demanda não crescer na mesma proporção que a oferta.
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