Chile: a referência de sustentabilidade para a indústria global do abacate.
Há sete anos, o Comitê Chileno do Abacate iniciou um plano que hoje lhe permite apresentar resultados positivos em iniciativas para reduzir o consumo de água, melhorar a eficiência energética e fortalecer as relações entre empresas e comunidades, entre outros compromissos públicos assumidos por seus membros.
Há dez anos, a sustentabilidade não era uma prioridade para a indústria chilena de abacate. Sucessivos anos de seca deixaram os produtores sem água suficiente para manter o volume da safra nas áreas de cultivo tradicionais. Enquanto isso, grupos ambientalistas lançaram campanhas difamatórias em países importadores de abacates chilenos, alimentadas por desinformação generalizada.
A combinação dos impactos produtivos e reputacionais, além da mudança geográfica das áreas com potencial de cultivo em direção ao sul do Chile, evidenciou a necessidade de aprofundar e dar visibilidade ao desenvolvimento sustentável como elemento essencial nas práticas dos produtores e exportadores de abacate Hass.
A tarefa foi assumida ativamente há sete anos pelo Comitê Chileno do Abacate, com o objetivo de obter informações objetivas sobre o desempenho ambiental do setor e, com base nisso, tomar medidas para elaborar sistemas de gestão e sanar as lacunas existentes.
Assim recorda Francisco Contardo Sfeir, presidente executivo do comitê chileno, à Avobook, lembrando que em 2018 surgiu uma primeira análise útil para esses fins: um estudo realizado em conjunto com o Centro da UNESCO para a Água em Zonas Áridas e Semiáridas da América Latina e do Caribe (CAZALAC), cujo foco era a gestão dos recursos hídricos em áreas com essas características, onde se localizam as principais plantações de abacate no Chile.

“Este foi um estudo financiado por esta agência da UNESCO. Após um ano e meio, apresentou muitos resultados interessantes, derivados de uma análise bastante abrangente, com capítulos dedicados ao solo, à água, à biodiversidade, aos acordos ambientais internacionais, entre outros”, explica o presidente executivo do Comitê.
Em um de seus capítulos, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram discutidos em profundidade, e as Nações Unidas indicaram que o cultivo de abacate no Chile contribui para 14 dos 17 ODS.
“Foi um resultado positivo, que nos obrigou a decidir se nos contentaríamos com um diagnóstico já muito positivo ou se o tomaríamos como ponto de partida para melhorar ainda mais. Escolhemos a segunda opção”, recorda Contardo.
Autoavaliação especializada
O plano teve início em 2022, estabelecendo uma base de referência com o primeiro “Estudo sobre o Estado da Sustentabilidade na Indústria do Abacate no Chile”, realizado pela consultoria especializada “Sustenta +”.
“O objetivo era realizar uma autoavaliação, utilizando um questionário com cerca de 77 perguntas. Ele foi aplicado simultaneamente a representantes da empresa e a pessoas que trabalham em campo. Usamos os resultados como base de comparação, e eles foram bastante positivos”, explica Contardo Sfeir.
Com esses dados em mãos, o Comitê decidiu assinar e tornar públicos 14 compromissos essenciais em Sustentabilidade de seus parceiros, apresentando-os como um "ponto de partida" para trabalhar em cada um deles e aprimorá-los com métricas concretas.
“Estabelecemos como meta que, em 24 meses (de 2022 a 2024), haveria melhorias por meio da incorporação de práticas que moldariam um sistema de gestão da sustentabilidade. Em 2024, fizemos uma nova avaliação. No geral, melhoramos bastante os resultados”, explica Contardo Sfeir.
Durante esses dois anos, foram realizadas conversas, grupos de trabalho, transferência de tecnologia entre parceiros e outras ações.
Superando as metas de sustentabilidade
Entre as conquistas notáveis, a análise de 2024 mostra que houve uma melhoria média de 64% no total das práticas dos parceiros.
Embora o setor já possua altos níveis de tecnologia de irrigação, permitindo o uso eficiente da água, o progresso médio nos indicadores operacionais de gestão hídrica melhorou, atingindo 92%. Isso representa um aumento de quase 13 pontos percentuais em comparação com a medição de 2022.

“É importante destacar que já existem práticas em vigor para reduzir o volume de água utilizado na agricultura e que há compromissos para um uso mais eficiente desse recurso. Além disso, o número de pessoas que contribuem para o abastecimento de água das comunidades aumentou”, afirma Francisco Contardo Sfeir.
Em termos de práticas energéticas, houve uma melhoria significativa. De acordo com o relatório, a percentagem de explorações agrícolas que implementam medidas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis aumentou de 33% para 60%, e 67% (+20 pontos percentuais) estão a implementar práticas de transição para energias renováveis. Além disso, 86% estão a implementar iniciativas de eficiência energética.
Contardo Sfeir destaca ainda que “atualmente, cerca de 60% dos parceiros têm um plano formal de trabalho comunitário, que faz parte da governança das empresas”.
A associação reconhece que houve uma mudança cultural muito relevante para os intervenientes do setor representados pelos seus membros, incorporando a questão da sustentabilidade no seu ADN.
Chile: “a referência em sustentabilidade”
A experiência chilena está se tornando uma referência para outros países que ainda não enfrentam, ou estão apenas começando a enfrentar, desafios ambientais que representam riscos potenciais à continuidade operacional.
“Quando o décimo Congresso Mundial do Abacate foi realizado na Nova Zelândia em 2023, todos os líderes do setor se reuniram e nós, como Chile, fomos o único país de origem a apresentar um trabalho sobre sustentabilidade. Outro exemplo foi durante um painel aberto, com cerca de 400 pessoas na plateia, onde me ofereci para falar sobre sustentabilidade. Depois desses dois eventos, e depois que todos ouviram o que nós, chilenos, estávamos fazendo, ficou reconhecido que éramos os mais avançados em sustentabilidade”, comentou o presidente do Comitê Chileno do Abacate.

Segundo Contardo Sfeir, o Chile se tornou "a referência em sustentabilidade" no setor de abacate.
“Isso foi corroborado em 2024, em Territorio de Aguacate, onde fomos convidados para um painel chamado 'Casos de Inspiração', para contar à indústria colombiana o que estamos fazendo”, afirma.
“Nas empresas, a tomada de decisões é hierárquica. No mundo das associações comerciais, precisamos convencer e inspirar, e é isso que fazemos. Por isso, sempre reconheço de forma especial nossos membros, porque sem eles, sem sua disposição e disponibilidade, não teríamos conseguido. Eles realmente abraçaram a sustentabilidade”, conclui o representante da associação de produtores de abacate do Chile.
