Previsões, clima e mercados marcam o início da campanha.
Brasil inicia campanha Hass com projecções de crescimento
A campanha brasileira de produção de Hass para 2026 está em curso, com uma projeção de cerca de 60.000 toneladas, envios para o Chile e América do Sul e um cronograma de exportação detalhado.
A colheita de abacate Hass de 2026 no Brasil não começa com anúncios, mas sim com projeções técnicas, variáveis climáticas e sinais concretos dos mercados regionais. Como origem ainda emergente no comércio internacional de Hass, o foco desta estação está na consolidação do crescimento da produção, na organização da oferta para exportação e na melhoria da qualidade, em vez de uma rápida expansão do volume.
Segundo Adilson Luis Penariol, presidente da Associação Brasileira de Abacates (AAB) e sócio e diretor da AvoPrime Frutas SA, o início da colheita é determinado por critérios técnicos de maturação que definem o ritmo de lançamento no mercado. “A partir da 7ª semana, iniciam-se as primeiras colheitas de abacate Hass nas regiões mais quentes, quando o fruto atinge um teor de matéria seca acima dos 21%. Os volumes ganham impulso a partir da 12ª semana e crescem de forma constante até atingirem o pico entre a 16ª e a 28ª semana”, explica.
Um dos principais fatores por detrás destas projeções são os padrões climáticos. Penariol salienta que, ao contrário da campanha anterior, a primavera de 2025 apresentou condições mais favoráveis para o desenvolvimento da cultura. “Tivemos temperaturas mais amenas e chuvas regulares, o que resultou numa maior produção e numa qualidade significativamente melhor do que a campanha anterior”, explica. A colheita de 2025 foi marcada por uma quebra na produção devido a eventos climáticos adversos, enquanto para 2026, a produção projetada é de 55.000 a 60.000 toneladas, em comparação com aproximadamente 35.000 toneladas no ciclo anterior.
No entanto, o impacto do clima não foi uniforme em todo o país. Algumas regiões específicas sofreram com tempestades de granizo que afectaram a qualidade da fruta, limitando a sua adequação para exportação e redireccionando parte da produção para o mercado interno ou para o processamento industrial. Apesar disso, as regiões mais baixas e quentes — como o Paraná, a região centro-norte do estado de São Paulo e as terras baixas de Minas Gerais — estão a apresentar a maior atividade nesta temporada. “Estas áreas não só vão contribuir com um volume muito maior, como também com fruta de qualidade significativamente superior à do ano passado”, afirma Penariol. Em contrapartida, espera-se que as áreas de cultivo tradicionais, como o Alto Paranaíba e o sul de Minas Gerais, apresentem aumentos mais moderados.
Do ponto de vista comercial, a colheita de 2025 terminou com os envios a manterem-se praticamente inalterados em volume, mas com um crescimento significativo em valor. O Brasil exportou 24.983 toneladas de abacate, em comparação com 24.622 toneladas em 2024, enquanto o valor das exportações aumentou de 36,2 milhões de dólares para 48,6 milhões de dólares, um aumento de mais de 34%. “Foi uma campanha com défice de produção, mas com uma valorização muito positiva da fruta brasileira”, destaca Penariol.
O Chile foi um dos mercados que recebeu os primeiros lotes de exploração de abacates Hass brasileiros durante o pico da última colheita. Em 2025, foram realizados quatro envios, cujo principal objetivo era testar a aceitação do produto. “Recebemos um feedback muito positivo do Chile. A fruta correspondeu às expectativas em termos de qualidade e condição, e vemos espaço para trabalhar com volumes mais significativos em 2026, quando teremos mais fruta de melhor qualidade”, afirma o executivo, destacando ainda a proximidade logística e a complementaridade sazonal como fatores favoráveis.
A análise do comportamento do mercado é complementada pelo artigo de opinião da 3ª semana, assinado por Tiago Falanghe Carvalho, Diretor Comercial da Avocado Jaguacy Agroindustria LTDA., onde examina a transição entre o final da campanha de 2025 e o início da nova campanha. Na sua análise, Carvalho observa que dezembro apresentou um ligeiro aumento do volume negociado no mercado grossista da CEAGESP, acompanhado por uma descida de preço face a novembro. A 9 de janeiro de 2026, os preços do abacate Hass variavam entre os 2,20 e os 2,85 dólares por quilo, com uma presença muito limitada de fruta importada do Chile e uma oferta ainda sustentada pela produção nacional.
Em termos de exportações, o Brasil manteve remessas regulares para a Argentina e o Uruguai até ao final de 2025, para além de duas remessas pontuais para o Chile. Os preços FOB rondaram os 1,97 dólares/kg para a Argentina, 1,80 dólares/kg para o Uruguai e 1,74 dólares/kg para o Chile. “A época de exportação de 2025 já terminou e o Brasil retomará as remessas para a nova época no final de janeiro de 2026”, observa Carvalho na sua coluna.
Do ponto de vista comercial, o executivo prevê que a colheita de 2026 atinja um volume de aproximadamente 60.000 toneladas. Deste total, mais de 45.500 toneladas seriam destinadas à exportação, o equivalente a cerca de 1.900 carroças ou contentores, enquanto o mercado interno absorveria cerca de 4.800 toneladas.
O restante volume, próximo das 12.500 toneladas, seria destinado à disposição final e ao processamento industrial, como o petróleo e a pasta de papel. O maior fluxo de exportações concentrar-se-ia entre Março e Abril, com volumes semanais superiores a um milhão de quilogramas, antes de diminuir gradualmente no segundo semestre do ano.
Este cenário de expansão da produção apresenta também desafios nas infraestruturas e na logística. Penariol destaca os investimentos realizados em novas unidades de enchimento e na ampliação das instalações existentes, como parte de uma estratégia para sustentar o crescimento. “O aumento dos volumes pode tornar-se um estrangulamento se o investimento não se mantiver. Nos próximos anos, será necessário adicionar novas unidades de enchimento para manter este ritmo”, alerta.
Com uma base de produção em expansão, um calendário de exportações em desenvolvimento e uma receção positiva nos mercados próximos, como o Chile, o Brasil inicia a campanha do abacate Hass de 2026 com um roteiro claro, focado em consolidar o seu crescimento e avançar gradualmente para volumes maiores a médio prazo.