Sustentabilidade, ciência e dados aplicados à produção de abacateiro.
Biodiversidade e carbono como eixo estratégico
A Baika e o Comité do Abacate estão a promover um projeto-piloto no Vale de Leyda para medir a biodiversidade e o carbono atmosférico, gerando dados essenciais para a sustentabilidade do setor.
Num mercado que exige cada vez mais consistência, rastreabilidade e padrões de qualidade, a agricultura familiar enfrenta o desafio de se integrar de forma sustentável em cadeias de abastecimento mais exigentes. No setor do abacate, a Agromercado tem vindo a consolidar um modelo de intervenção que procura colmatar esta lacuna, posicionando-se como um facilitador estratégico entre os pequenos e médios produtores e os mercados de alto desempenho.
Segundo Luis Llanos, director do Agromercado, a abordagem da instituição assenta numa premissa clara: o acesso ao mercado depende não só da produção, mas também da produção em condições que garantam volume, qualidade consistente, cumprimento das normas e continuidade do fornecimento. Seguindo esta lógica, a instituição atua como agente comercial, apoiando os produtores desde a avaliação inicial da produção até ao estabelecimento de relações comerciais alinhadas com os requisitos de exportação e processamento.
Da business intelligence à padronização do fornecimento
Um dos pilares do modelo é a inteligência de mercado aplicada à área local. Através da análise de mercado, da identificação de produtos prioritários e do desenvolvimento de perfis de mercado regionais, a Agromercado orienta a produção para oportunidades reais, tanto no mercado interno como no internacional. Este trabalho é complementado pelo reforço das capacidades organizacionais, produtivas, comerciais e financeiras, com o objetivo de transformar os produtores em fornecedores competitivos e de confiança.
A normalização da qualidade desempenha um papel central nesta estratégia. A assistência técnica em sistemas de gestão e certificações — como o GlobalG.AP, HACCP, biológico, BRC ou Comércio Justo — permite aos produtores cumprir os padrões exigidos pelo setor agroindustrial e pelos mercados internacionais. Segundo Llanos, este processo não só aumenta o valor do produto, como também reduz os riscos comerciais e sanitários, reforçando a confiança entre produtores e compradores.

Em 2025, a quota da Agromercado na cadeia de abastecimento do abacate beneficiou mais de 1.400 produtores em 14 regiões do país, com vendas superiores a 17,5 milhões de soles entre janeiro e outubro. A maior parte desta produção foi canalizada através de agro-exportadoras e intermediários, reflectindo um foco claro em mercados de maior valor acrescentado.
Além disso, uma componente fundamental do trabalho da Agromercado é a promoção de mecanismos de integração comercial baseados em operações conjuntas. Este modelo, apoiado por acordos de colaboração empresarial, permite aos produtores organizados aceder às exportações diretas, às economias de escala e aos retornos associados à liquidação final, bem como a benefícios fiscais como a recuperação e o drawback do IVA.
Este modelo contrasta com a abordagem tradicional, caracterizada pelas vendas locais, economias de escala individuais e menor poder de negociação. As operações conjuntas, por outro lado, melhoram a oferta exportável e reforçam a posição dos produtores na cadeia de abastecimento.
O modelo está também alinhado com o actual quadro regulamentar do sector agrícola, onde a formalização desempenha um papel fundamental. A obtenção de um número de identificação fiscal (RUC), a emissão de faturas eletrónicas e o registo em registos oficiais não só trazem benefícios para as empresas compradoras, como também permitem aos produtores aceder a crédito formal, programas de apoio à produção e contratos comerciais mais estáveis.
Para a Llanos, este processo é fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável da cadeia: produtores mais integrados no sistema, organizações mais fortes e relações comerciais de longo prazo que beneficiem todos os atores envolvidos.
Para além dos resultados a curto prazo, o trabalho da Agromercado reflete uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do setor do abacate no Peru. Ao integrar a inteligência de mercado, a gestão da qualidade, a coordenação da produção e as ferramentas financeiras, a instituição ajuda os agricultores familiares a consolidarem a sua posição como fornecedores de confiança para mercados cada vez mais competitivos, lançando as bases para um crescimento mais inclusivo, organizado e sustentável.