Avobook fortalece laços com produtores de abacate em Marrocos: um olhar sobre o potencial do setor marroquino.
Durante uma recente visita de cortesia, representantes da Avobook, juntamente com o produtor chileno Gonzalo Merino, gerente geral da Agrícola y Exportadora Los Molinos, percorreram diversas regiões produtoras de abacate em Marrocos. A viagem, que incluiu paradas em Larache, Kenitra e áreas próximas a Rabat, teve como objetivo obter conhecimento em primeira mão das condições agrícolas e estabelecer conexões com figuras-chave do setor marroquino, como Yassin Chaib, gerente da Mavoca, além de visitar um dos maiores produtores do país.

A visita confirmou o desenvolvimento contínuo da indústria do abacate em Marrocos, país que se consolidou como um dos principais fornecedores da Espanha desde o início de 2025. Segundo dados da Receita Federal Espanhola, entre janeiro e março deste ano, Marrocos exportou mais de 29 mil toneladas de abacate para a Espanha, no valor de € 72,8 milhões. Esse volume representa um aumento de 73% em comparação com o mesmo período de 2024, tendo o Peru temporariamente substituído o país como principal fornecedor.
Para Gonzalo Merino, a experiência foi reveladora. “Fiquei agradavelmente surpreso. Os pomares que vi estavam viçosos e carregados de frutos. É evidente que o solo fértil e o clima de Marrocos são ideais para o cultivo de abacates saudáveis”, comentou. Ele destacou especialmente a proximidade com o Oceano Atlântico como um fator que favorece o cultivo de abacate em comparação com outras regiões mediterrâneas, bem como a disponibilidade de água e a incorporação de tecnologia avançada nos sistemas de irrigação. “As plantações utilizam filtros de anel, emissores de gotejamento e estações de irrigação alimentadas por painéis solares, demonstrando um compromisso com a eficiência e a sustentabilidade”, acrescentou.

A produção de abacate em Marrocos concentra-se principalmente na faixa costeira entre Rabat e Larache, que responde por 90% do total. Essa área possui um microclima mais ameno em comparação com outras regiões do país, o que ajuda a atenuar os efeitos do calor extremo do verão, que pode ultrapassar os 40 graus Celsius.
Yassin Chaib também afirmou que a visita foi uma oportunidade para trocar informações e experiências: “Foi uma visita muito proveitosa, pois aprendemos muito sobre o cultivo de abacate, graças à experiência de Sebastian e Gonzalo.”
Sebastián de la Cuadra, CEO da Avobook, destacou o valor estratégico dos abacates marroquinos para o mercado europeu: “Uma das vantagens dos abacates marroquinos é a sua proximidade com o mercado europeu, o que significa que a fruta não precisa viajar tanto, reduzindo os danos e permitindo que chegue em melhores condições”. De la Cuadra prevê um crescimento significativo para o país como um fornecedor chave entre dezembro e abril, não só para a Espanha, mas para todo o continente europeu. “Marrocos será um dos principais fornecedores em volume para a Europa durante o período de baixa produção europeia”, afirmou.

No entanto, ele alerta que o sucesso dependerá da manutenção de altos padrões de qualidade. "A chave será evitar a colheita de frutos com baixo teor de matéria seca", enfatizou, destacando a necessidade de os produtores marroquinos continuarem priorizando a qualidade para consolidar sua posição nos exigentes mercados europeus.
Com a produção nacional atingindo 130 mil toneladas na safra 2024/25 — das quais aproximadamente 100 mil toneladas foram exportadas, segundo dados da Associação Marroquina de Abacate (MAVA) — Marrocos está se consolidando como um concorrente de peso para os gigantes latino-americanos. Apesar dos desafios enfrentados pelo país, como a escassez hídrica e as restrições governamentais à irrigação, o setor se adaptou e mantém o otimismo.
A visita da Avobook, juntamente com produtores chilenos, reflete o crescente interesse internacional no modelo de produção de abacate do Marrocos, que combina vantagens logísticas, condições climáticas favoráveis e um compromisso com a tecnologia. Em um cenário global competitivo, o Marrocos parece estar preparado para se consolidar como um parceiro fundamental nas cadeias de suprimentos europeias nos próximos anos.
