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Argentina: O boom das importações de abacate que a torna o mercado mais atraente da América Latina.

A Argentina vive um momento singular no mercado de abacates. Nos últimos três anos, as importações têm apresentado crescimento constante, consolidando o país como um destino cada vez mais atrativo para exportadores latino-americanos. Segundo dados da Avobook, 1.125 contêineres entraram no país em 2023, 1.271 em 2024, e a projeção para 2025 chega a 1.346.

O salto mais expressivo ocorreu nos primeiros sete meses de 2025, quando o volume já ultrapassou o de todos os anos anteriores. “De janeiro a julho deste ano, as exportações superaram as de todos os anos de 2024 e 2023 juntos. O Peru exportou mais que o dobro do volume do ano passado, e o Chile ainda nem começou a temporada 2025-2026. O Brasil também ultrapassou as exportações da Argentina em comparação com o ano passado”, observaram os analistas da Avobook.

O crescimento da Argentina se explica não apenas pelo volume, mas também pelas mudanças na participação de mercado dos países exportadores. O Chile permanece como o principal fornecedor, com 817 contêineres em 2024 e 649 em 2025, embora essa queda tenha aberto espaço para outros participantes. O Peru apresentou um salto significativo, dobrando suas exportações em 2025 para 374 contêineres, em comparação com 182 no ano anterior. O Brasil também consolidou sua posição, aumentando de 239 para 288 contêineres.

Em contrapartida, a Colômbia registrou um declínio acentuado, passando de três contêineres em 2024 para apenas um em 2025. O México, por sua vez, mantém uma participação reduzida, com 34 contêineres este ano, um volume pequeno em comparação com os líderes regionais.

A demanda está concentrada em áreas urbanas.

O aumento no consumo de abacate na Argentina não passou despercebido por importadores e distribuidores. Miguel Bauza, da empresa Don Jaime, analisou que “o aumento no consumo de abacate na Argentina não está sendo projetado nem medido com precisão. Acho que os chilenos estão mais entusiasmados com a Argentina do que a própria Argentina. Isso não significa que a Argentina não vá consumir a quantidade de abacates exportada do Chile, mas se o Chile precisar exportar todos os abacates que projeta, os preços terão que cair consideravelmente.”

Segundo Bauza, o consumo está fortemente concentrado nas províncias mais urbanizadas e populosas do país: “A Argentina é dominada por Buenos Aires, sem dúvida. Mas também existem mercados como Santa Fé, Rosário, Córdoba e até Mendoza. E de Mendoza para o sul, até Neuquén, Río Negro e Chubut, o abacate também é consumido.”

Um aspecto notável é que a expansão do consumo de abacate na Argentina não foi resultado de campanhas de marketing ou estratégias de posicionamento. Bauza enfatiza que “o consumo de abacate não é promovido de nenhuma forma especial. Não há publicidade, nada disso, simplesmente porque é uma época do ano para alimentação saudável e, bem, por causa de todos os benefícios que oferece.”

O distribuidor também destaca o papel dos nutricionistas e das redes sociais em tornar o abacate parte da alimentação diária: “Os próprios nutricionistas estão recomendando. E, bem, já existe um alto nível de conscientização de que é um alimento com muitas propriedades benéficas e que é saudável.”

Com o rápido crescimento das importações, uma base de fornecedores mais diversificada e a crescente inclusão do abacate na dieta dos consumidores argentinos, o país se posiciona como um mercado em expansão. O desafio, segundo distribuidores e analistas da Avobook, será encontrar o equilíbrio entre a oferta e a capacidade real de consumo local, em um contexto no qual os preços podem ditar os rumos do mercado.

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