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Annabel Könst, da Vestfália: "A única maneira de aumentar os negócios na Europa é com abacates de boa qualidade."

O chefe de compras da Westfalia Fruit na Europa Central conversou com a Avobook, da Holanda, explicando que o mercado naquele continente continua a demandar mais frutas, mesmo quando os preços estão altos, como aconteceu em 2024.

Annabel Könst tem mais de 17 anos de experiência no mercado europeu de frutas. Ela é especialista na compra de abacates de diversas origens e é uma das profissionais mais experientes nessa área, tendo trabalhado para importantes fornecedores do setor alimentício. Trabalhou por sete anos na Nature's Pride e, antes disso, por quase uma década na Levarht. Atualmente, é Diretora de Compras da Westfalia Fruit na Europa Central, atuando a partir de sua terra natal, a Holanda.

Ao longo de sua carreira, ela acumulou sete anos dedicados à aquisição de abacates para venda em diversos países europeus. Em sua nova função, trabalha com frutas de 13 origens diferentes: Chile, Peru, Colômbia, México, África do Sul, Espanha, Marrocos, Israel, Quênia, Tanzânia, Moçambique, República Dominicana e Brasil.

Os destinos desta fruta abrangem toda a Europa Central, incluindo países como Holanda, Alemanha, Suécia, Noruega, Dinamarca, Polônia, norte da França e leste da Inglaterra.

Nesta conversa com a Avobook, Annabel Könst explica que este ano tem sido mais desafiador para a comercialização de abacate na Europa, devido à menor disponibilidade da fruta em comparação com a temporada anterior. No entanto, os preços estão atrativos.

“Foi um ano difícil, com menor volume disponível do Peru em abril, maio e junho. Este ano não foi muito espetacular em termos de vendas, mas o mercado continua ativo. Portanto, vimos uma queda no consumo na Europa durante esses meses, mas os preços estiveram mais altos do que no ano passado. Os preços estão melhorando em geral. O aumento de preço, no mínimo, foi de 25% em comparação com 2023, e em alguns meses foi ainda maior, chegando a 50%”, explica ele.

- Qual é a perspectiva para as vendas de abacate na Europa no final de 2024?

“Agora, estamos vendo os preços caírem porque há mais frutas no mercado vindas de diversas fontes. As vendas não estão muito expressivas porque a Europa tende a ser mais frugal com os gastos nesta época do ano devido às despesas de dezembro. As vendas geralmente aumentam por volta do Natal, mas janeiro é um mês excepcional tanto para as vendas quanto para os preços.”

- Como você vê o comportamento das diferentes origens que exportam abacates para a Europa e suas projeções para o futuro?

“Para o Chile, a Europa já não é tão atrativa neste momento. Mesmo com os preços altos, eles estão conseguindo preços melhores no mercado chileno. É difícil competir com isso. Estamos vendo mais frutas ficando no mercado interno. Na Colômbia, existem muitas fazendas novas e pomares jovens, e eles poderão receber mais quilos nos próximos anos. Esperamos volumes de exportação máximos desse país nos próximos anos. O Peru continua sendo o mais importante, mas eles estão distribuindo frutas em mais direções, abastecendo a Ásia, os Estados Unidos e o Chile. Suas exportações serão mais controladas, para não concentrar tudo em um único destino. Marrocos é um dos países fornecedores mais importantes na Europa e é muito atrativo em termos de preços, ainda mais do que as frutas espanholas. Com as frutas marroquinas, temos mais opções para oferecer ao mercado. O Quênia é muito difícil devido aos longos tempos de trânsito, o que torna a importação de suas frutas para este continente muito complexa. Este não é o caso da África do Sul, que é sempre muito importante, e existem muitos pomares jovens, o que dará continuidade e crescimento nos próximos anos. O México é muito pequeno para o Mercado europeu. Nos últimos anos, têm surgido problemas de qualidade, e os importadores não estão a tirar proveito disso.

Será que ainda será um bom negócio para os agricultores e exportadores se esforçarem para enviar suas frutas para a Europa?

“Sim. Sempre haverá oportunidades de vendas na Europa. Existem muitas possibilidades no continente em geral. Nesse sentido, será muito importante elaborar ações e realizar promoções para aumentar o consumo.”

- Qual é o crescimento do consumo de abacate na Europa e quais países apresentam o maior crescimento?

“O crescimento em países como a França e a Noruega é significativo. Embora todos os países estejam aumentando gradualmente o consumo. Por exemplo, nos mercados dinamarquês e sueco, temos uma taxa de penetração superior a 60%. Na Holanda e na Alemanha, estamos um pouco abaixo de 40%. Mas estamos crescendo. Quanto? Depende de cada país. Mas temos certeza de que precisamos crescer pelo menos 10% em média para consolidar ainda mais nossa posição no mercado europeu.”

- Qual o tamanho de fruta com as melhores projeções de crescimento na Europa?

“Atualmente, estamos vendendo diferentes tamanhos: 12 a 16; 18 a 22 (médio) e 24 a 26; e tamanhos pequenos de 28 a 32. No momento, os tamanhos menores são os que vendem melhor. Em janeiro e fevereiro, focaremos em outros mercados, e isso mudará. Nosso objetivo é aumentar as vendas dos tamanhos 12 a 16 durante o verão europeu, de junho a agosto; e estamos observando um aumento nas vendas dos tamanhos 20 a 22 nos demais meses. Os tamanhos 20 e 22 estão sempre disponíveis. Para os clientes, esses tamanhos são mais adequados para seus programas de cultivo. Do ponto de vista do produtor, os tamanhos 16 e 18 são sempre atraentes, pois sempre há mercado para eles.”

Para quem está pensando em exportar ou expandir seus negócios com clientes europeus, o que é mais importante nesse mercado: preço ou qualidade?

“Sem dúvida, a qualidade. Por exemplo, os preços não eram muito atrativos para promoções, mas os clientes continuavam a pedir fruta. É por isso que a qualidade da fruta é fundamental, especialmente se quisermos aumentar o consumo. A única forma de crescer na Europa é com fruta de boa qualidade, porque se um consumidor compra fruta de má qualidade, não a comprará novamente nos meses seguintes. É por isso que é tão importante ter abacates de alta qualidade, para garantir um retorno do investimento muito mais rápido.”

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