Abacates na Argentina: não é um prêmio de consolação, é um exemplo de desenvolvimento produtivo em pequena escala.
Carlos Alvarez, em Tafí Viejo, Tucumán, não desiste nem se deixa desanimar pelas flutuações do mercado e pelas intempéries. Como mostra a foto da capa, ele dirige seu velho trator Fiat Someca com firmeza e, apesar das limitações, mantém grandes expectativas para seu empreendimento agropecuário.
“Aqui estou eu, sempre ativo, é um prazer trabalhar com o que amo.”
Carlos é produtor de frutas tropicais como mirtilos, mangas, abacates, maracujás, morangos e limões. Ele conseguiu desenvolver uma cadeia de suprimentos que vai além da simples comercialização, abraçando a ideia de agregar valor à sua produção na origem.
Em um extenso diálogo com a Agroperfiles, ele relatou aspectos de sua vida como produtor e seu progresso no uso de novas tecnologias para impulsionar a agroindústria, fazendo isso sob o nome comercial da agroindústria “La Consuelo”, de Tucumán, localizada em Camino Las Cañitas, Los Nogales, Tafí Viejo, a 90 quilômetros dos Vales Calchaquíes.
COM ALTOS E BAIXOS, MAS CONSTANTE
“Nosso pequeno negócio está relacionado ao agronegócio, com os altos e baixos da produção em pequena escala e exposto à ausência de políticas de apoio aos pequenos produtores”, afirma Alvares.
Sem acesso a crédito com taxas de juros relativamente baixas, que permitam o pagamento com o lucro da produção, "permanecemos firmes", afirma ele.

Ele explica que “nossa região tem um clima subtropical, portanto tendemos a produzir frutas tropicais como maracujá, abacate, manga, morango, mirtilo e limão.
“Essas frutas são sazonais, então há períodos em que não estão disponíveis, como agora.” Em Tucumán, o abacate (também chamado de palta ou aguacate) só atinge a maturidade do final de março até meados de abril, explica ele.
No caso do abacate Hass, que é uma variedade da fruta Persea americana, ele é o melhor para consumo... as outras variedades (de semente e silvestres) podem amadurecer mais cedo, mas não têm uma demanda tão forte quanto o Hass, destaca Álvarez.
“Produzimos abacates Hass e a variedade Torres (que é originária de Tucumán)”, explica ele.
CUSTOS ELEVADOS, PRODUÇÃO REDUZIDA
No ano passado, a seca teve consequências que complicaram o negócio. Por exemplo, o tamanho dos abacates Hess foi afetado. "E esperamos que nesta temporada haja boas chuvas e bom tempo para a produção, para que possamos nos recuperar e voltar a funcionar", diz ele.
Com relação à produção de polpa de abacate congelada, "produzimos bastante, pois, desde que o dólar começou a subir, as pequenas e médias empresas foram muito afetadas, já que não conseguíamos repassar os preços para o mercado".
Ele acrescentou que, devido às diferenças no valor do dólar, "estamos entrando em um período em que produzimos pequenas quantidades, quase sob demanda".
Em relação às frutas congeladas, "os custos de energia aumentaram tremendamente e optamos por vender frutas frescas, que vendem rapidamente. Obviamente, um elo da cadeia é afetado, mas somos obrigados a cortar custos porque o consumo diminuiu devido à inflação. Os consumidores quase não fazem compras depois do dia 15 de cada mês e não chegam ao dia 31", afirmou.
Com a ideia de agregar valor aos abacates, produzíamos polpa de abacate congelada e embalada a vácuo, mas interrompemos temporariamente a produção devido aos custos de energia elétrica”, visto que “manter um freezer a -18 graus Celsius é difícil de repassar aos custos de produção”, acrescentou.
A CONSOLAÇÃO
“La Consuelo” recebeu esse nome “em homenagem à mãe do meu pai, que era espanhola”, explica Álvarez.
“A La Consuelo oferece produtos e serviços para o setor agrícola. E é importante saber que Tucumán é uma grande produtora de abacates Hass. Daí o nosso desafio de criar um produto à base de polpa de abacate em duas formas: polpa pura e um molho feito com polpa de abacate”, explicou em seu comentário.