Os produtores brasileiros de abacate estão se preparando para começar a exportar a fruta para o mercado chileno até 2025.
O vice-presidente da Associação de Produtores de Abacate daquele país explicou à Avobook como as safras de ambas as regiões de origem podem se complementar.
Como relatamos anteriormente em nossa seção Avonews, o Brasil está em fase avançada para iniciar a exportação de abacates para o Chile. De acordo com Cecilia Whately, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Abacate (ABPA), as condições estão reunidas para que o processo de autorização seja concluído com sucesso.
“Estamos em negociações com o Chile há bastante tempo. O Chile já pode exportar para o nosso país. E o Brasil agora está pronto, pois já tivemos muitas conversas e visitas técnicas. Há alguns processos pendentes, mas estão em fase final”, disse Whately à Avobook, destacando a solidez do trabalho técnico realizado até o momento.
O Ministério da Agricultura do Chile, por meio do Serviço Agropecuário (SAG), e seu equivalente brasileiro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), têm colaborado estreitamente para atender às exigências sanitárias necessárias, o que permitiria ao Chile contar com um novo complemento para sua temporada, função que atualmente é desempenhada quase que exclusivamente pelo Peru.
“Ainda é necessária uma consulta pública, que faz parte do processo legal. Mas acreditamos que no próximo ano, durante a próxima safra brasileira (final do verão ou início do outono), poderemos começar os embarques”, explicou Cecilia Whately, prevendo o início das exportações para o período entre março e julho.

Oportunidades para o Chile e o Brasil
De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Abacate, a introdução do abacate brasileiro no mercado chileno representa uma oportunidade benéfica para ambos os países.
“O Brasil aproveitaria a demanda chilena durante os meses de queda da produção local, enquanto o Chile receberia abacates de alta qualidade, ricos em matéria seca e com bom teor de óleo”, explicou.
A Associação constatou que essas qualidades são muito valorizadas pelos consumidores chilenos. Durante uma visita de 20 dias ao Chile, Whately testemunhou em primeira mão o apreço que os chilenos têm pelos abacates.
“Perguntei às pessoas sobre o consumo e elas nos disseram que gostam muito de abacates chilenos. Elas não gostam tanto dos de outros países, porque buscam a mesma qualidade. No entanto, precisam da fruta durante alguns meses em que ela não está disponível, e nós conseguimos atender a essa exigência de qualidade”, observou ele, enfatizando a complementaridade entre a produção dos dois países.
Enquanto isso, a associação de produtores no Brasil está trabalhando para aumentar o consumo interno, o que também abre caminho para que o gigante sul-americano absorva mais exportações chilenas.
“É o único país que atualmente exporta abacates para o Brasil. Temos um mercado potencial enorme e é uma grande oportunidade para a fruta chilena. Estamos fazendo um trabalho de marketing para ensinar as pessoas a consumir abacates, incorporando usos chilenos. Então, fazemos guacamole, ensinamos como usá-lo em saladas e agora estamos cozinhando nosso arroz com óleo de abacate Hass, e fica delicioso”, acrescentou Whately.
Com a resolução final em andamento e a consulta pública pendente, o próximo ano poderá marcar os primeiros embarques de abacates brasileiros para o Chile, dando início à cooperação agrícola em um setor onde o Brasil projeta um crescimento significativo nos próximos cinco anos, quando a produção de mudas atualmente cultivadas em larga escala nas fazendas do estado de São Paulo estiver disponível.