O início do Ramadã impulsiona o consumo interno e eleva os preços.
A temporada de abacates em Marrocos está chegando ao fim em uma situação peculiar: o consumo interno aumentou entre 60% e 70% devido ao Ramadã. Esse fenômeno não apenas impulsionou a demanda local, como também criou um equilíbrio incomum entre os preços de mercado interno e de exportação.
Historicamente, o mercado local marroquino era abastecido principalmente com abacates de segunda qualidade ou rejeitados. No entanto, a situação atual revela uma mudança significativa: grandes supermercados estão comprando frutas de qualidade superior para atender à crescente demanda. Esse ajuste nos padrões de consumo interno demonstra a importância cada vez maior do abacate na dieta marroquina, especialmente durante o mês sagrado.
Entretanto, no mercado internacional, Marrocos continua a oferecer simultaneamente abacates Hass e Lamp Hass, com boa aceitação e preços elevados. A valorização dos abacates marroquinos nos mercados globais é um indicativo da força atual do setor, com preços atrativos para produtores e exportadores.
A campanha, que está em sua fase final e provavelmente se estenderá até a segunda semana de abril, oferece lições importantes. Primeiro, o potencial de crescimento do consumo interno marroquino, que durante períodos específicos como o Ramadã pode rivalizar com a demanda externa. Segundo, a consolidação de Marrocos como um ator relevante nas exportações de abacate, capaz de se posicionar em mercados exigentes com produtos de alta qualidade.
Caso essa tendência se mantenha, o país poderá fortalecer ainda mais sua indústria de abacate, equilibrando estrategicamente o mercado interno e a capacidade de exportação. A chave será gerenciar a oferta de forma eficiente para capitalizar tanto o crescimento local quanto as oportunidades internacionais, garantindo a sustentabilidade a longo prazo do boom do abacate marroquino.
Yassin Chaib Marrocos