Demanda fraca e excesso de oferta de abacates nos Estados Unidos: um desafio para os produtores mexicanos.
Na semana 15, o México exportou 988 contêineres para o mercado dos Estados Unidos. O mercado apresentou inconsistências significativas na demanda por frutas, com duas situações distintas: importadores que estocaram frutas em seus armazéns, antecipando a implementação de tarifas, que, no entanto, não se concretizaram, deixando-os com frutas encalhadas e resultando em um mercado saturado com preços reduzidos, principalmente para frutas de tamanho 60. Por outro lado, os importadores adotaram uma abordagem mais conservadora, solicitando frutas frescas aos exportadores a preços mais estáveis.
Isso também fez com que os preços de compra dos produtores apresentassem uma tendência de queda, embora não tão baixa quanto o mercado realmente exigia para manter volumes significativos e evitar o acúmulo de estoques. No geral, a demanda foi menor que a oferta, e os exportadores mexicanos se mostraram cautelosos quanto ao volume da colheita, mesmo prevendo a necessidade de colher mais frutas devido à proximidade da Semana Santa no México, período em que haveria apenas três dias de colheita e quatro dias de exportação.
Analisando os números de estoque no final da décima quinta semana e no início da décima sexta, não se prevê nenhuma escassez potencial de frutas devido à redução das colheitas no México. A Califórnia aumentou significativamente suas colheitas e, consequentemente, seus estoques, o que, combinado com os estoques existentes de frutas mexicanas, garante um abastecimento adequado para os próximos dias. Pode-se inclusive prever que não haverá uma demanda significativa por frutas mexicanas após a Páscoa ou durante a décima sétima semana.
Os produtores mexicanos especulam sobre preços elevados no final da temporada ou com base na forte demanda prevista para as promoções do Cinco de Mayo. No entanto, há oferta mais do que suficiente de ambas as origens para antecipar que essa alta demanda não será tão significativa e que o mercado, na melhor das hipóteses, permanecerá estável, podendo até mesmo sofrer alguma pressão de baixa nos preços. A possibilidade de os produtores mexicanos especularem na esperança de obter preços mais altos está diminuindo cada vez mais, dada a iminente expansão da safra da Califórnia e a eventual entrada de frutas do Peru e da Colômbia. Cada temporada tem sido diferente, mas com algumas tendências semelhantes. 2025 será um ano sem precedentes devido à participação simultânea no mercado de grandes produtores com volumes significativos de abacate, e especialmente porque os compradores poderão escolher não apenas entre empresas, mas também entre origens, para encontrar as melhores condições de compra para seus negócios. Cada país produtor terá que adaptar suas estratégias comerciais para garantir sua participação de mercado nos próximos meses.
Sergio Paz Vega, gerente geral, Coliman Avocados, sergio.paz@coliman.com , México