Santiago Pinto
Equador: Quando a campanha não começa como planeado
Equador
O início da época de exportações no Equador não decorreu exatamente como o esperado. A produção oscilou entre as oito e as dez semanas, concentrando uma fatia significativa do volume no primeiro trimestre. Isto foi agravado por uma pequena seca em Dezembro, que interrompeu ainda mais o calendário. O resultado foi um início mais lento, com janeiro a apresentar ainda baixos volumes e a sensação de que a atividade propriamente dita só começará em fevereiro.
Tudo indica que a campanha ganhará força por volta da quinta e sexta semanas, com um impulso considerável ao longo de fevereiro e março. Curiosamente, o cenário internacional tem sido favorável. Embora a Colômbia tenha realizado exportações significativas, os volumes não foram suficientes para satisfazer a procura europeia semana após semana. Isto permitiu que os preços se mantivessem elevados para esta altura do ano, algo que nem sempre acontece e que, a manter-se, poderá tornar esta numa campanha particularmente interessante.
Além dos números, há um sinal que inspira otimismo: a fruta. Os primeiros carregamentos confirmaram o que já se previa desde o segundo semestre do ano passado. Estamos a ver fruta em melhores condições, com menos desperdício e maior presença de tamanhos grandes e médios. Isto representa um claro contraste com a colheita anterior, marcada por problemas climáticos e uma maior proporção de frutos pequenos.
Este mesmo bom desempenho nas exportações, no entanto, teve um impacto direto no mercado local. Com o aumento do volume de fruta exportada, a oferta interna ficou mais restrita do que o normal para esta época do ano, e os preços não desceram como costumam descer em dezembro ou janeiro. O desafio, para o sector, é encontrar o equilíbrio: servir bem os mercados de exportação sem descurar o consumo local, num contexto em que nem todas as explorações têm capacidade para abastecer ambos os mercados.
E como se isto não bastasse, o fator logístico volta a entrar em jogo. Fevereiro e Março coincidem com as semanas mais exigentes para a disponibilidade de contentores frigoríficos do Equador, em plena concorrência com outros produtos de exportação, num cenário global que se mantém frágil. É o início de uma campanha que requer atenção constante, tomada de decisões criteriosa e estreita coordenação, onde os players do setor com maior experiência em vendas, logística e embalagem terão de competir com aqueles que não são especializados em fruta, bem como com os players mais pequenos e novos.
Santiago Pinto
Diretor Iteranza
spinto@interanza.com
Equador